Um clássico adiado, tenso e espetacular terminou com vitória enorme do Liverpool em Old Trafford

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Acontecimentos externos aumentaram a expectativa pelo maior clássico do país. Manchester United e Liverpool deveriam ter se enfrentado cerca de dez dias atrás, mas o protesto da torcida dos Red Devils fez com que o jogo fosse adiado. Na terça-feira, Ole Gunnar Solskjaer poupou todo o seu time contra o Leicester, e a derrota acabou consagrando o Manchester City campeão. No dia seguinte, o Chelsea perdeu para o Arsenal e abriu a porta para que o Liverpool dependesse basicamente apenas de si para terminar no G4. Tudo isso cercou o gramado de Old Trafford nesta quinta-feira, inclusive com novas manifestações contra a família Glazer, e o resultado não decepcionou. Um clássico adiado, tenso e espetacular terminou com a vitória do Liverpool, por 4 a 2, a primeira de Jürgen Klopp no Teatro dos Sonhos.

O resultado não foi de grande consequência ao Manchester United. Está classificado à Champions League e quase garantido como vice-campeão. Entre o Leicester, apenas dois dias depois de enfrentar o Aston Villa, e o clássico, Solskjaer acertou em priorizar o segundo, mas o único objetivo ainda relevante na temporada é vencer o Villarreal em 26 de maio e ser campeão da Liga Europa.

Ao Liverpool, por outro lado, foi a vitória mais importante de todas nesta temporada porque ela permite que o clube evite o desastre maior de uma temporada péssima apenas com seus resultados. Caso ganhe os últimos três jogos, deve se classificar à próxima Champions League porque há um confronto direto entre Leicester e Chelsea. A vitória do Leicester nessa partida geraria a única dúvida porque haveria a possibilidade de o quarto colocado ser decidido no saldo de gols – atualmente, 21 x 20 a favor das Raposas, mas o Liverpool tem um jogo a menos.

Além de toda a rivalidade, e do histórico de não vencer em Old Trafford desde 2014, antes da chegada de Klopp, o Manchester United era também o adversário mais difícil que o Liverpool tinha pela frente. Nada é garantido no futebol, os jogos ainda têm que ser ganhos em campo, mas, superado esse obstáculo, a tabela não poderia ser muito melhor. Os compromissos restantes serão contra o já rebaixado West Brom e os desinteressados Burnley e Crystal Palace – que tem um pequeno histórico de atrapalhar os planos do Liverpool.

Como era esperado após colocar um time reserva contra o Leicester, Solskjaer entrou com força total. O único titular que repetiu em relação à partida anterior foi Eric Bailly, no lugar de Harry Maguire, machucado. Klopp, ainda sem suas três principais opções para a zaga (Van Dijk, Matip e Joe Gomez), e também sem as duas contratações emergenciais de janeiro (Kabak e Ben Davies), todos machucados, escalou os garotos Nat Phillips e Rhys Williams na defesa. Wijnaldum foi titular e capitão no meio-campo. A maior surpresa foi a opção por Firmino no lugar de Mané, deslocando Diogo Jota à ponta esquerda.

O começo do jogo, porém, não parecia muito promissor ao Liverpool. Logo aos cinco minutos, Alisson errou na saída de bola, como tem feito com certa frequência nesta temporada, e Cavani quase abriu o placar com um chute cruzado. Pouco depois, Rashford recebeu a virada pela direita e abriu para Wan-Bissaka. O lateral direito encontrou Bruno Fernandes dentro da área. A batida de Trivela buscava o ângulo de Alisson, mas Nat Phillips adiantou os procedimentos e desviou contra o próprio patrimônio.

Com 1 a 0 no placar, letal em contra-ataques, contra uma defesa pouco segura, o Manchester United estava em situação muito confortável. E demorou um pouco para o Liverpool conseguir se encontrar. Alexander-Arnold colocou Jota na boca do gol, aos 23 minutos, mas Dean Henderson saiu na hora certa para abafar. Chegou a haver um pênalti marcado para os Reds, por falta de Bailly em Phillips na entrada da área. Após checar o assistente de vídeo, o árbitro Anthony Taylor voltou atrás – corretamente, ao meu ver.

Foi por volta dos 30 minutos que o Liverpool começou a pegar ritmo de verdade. E, para variar, com Diogo Jota no comando. Ele exigiu uma linda defesade Henderson com uma batida forte da entrada da área. No escanteio, Pogba bloqueou um arremate poderoso com a cabeça, mas a sobra ficou com Phillips. Com toda a lentidão de um zagueiro tentando fazer jogada de atacante, ele conseguiu abrir para a perna direita e bateu cruzado. A direção não era boa, mas Jota redirecionou de letra.

Nos acréscimos do primeiro tempo, a virada. Arnold cobrou falta da direita, Firmino se antecipou a Pogba na segunda trave e cabeceou para virar a partida, com seu primeiro gol desde 28 de janeiro. E assim que o jogo foi retomado para o segundo tempo, o Liverpool ampliou, novamente com Firmino. Jota recuperou no campo de ataque, Firmino abriu com Arnold, que chutou no meio do gol. Por mais que tenha sido forte, Henderson não foi muito bem na jogada. Bateu roupa, e Firmino marcou no rebote.

O terceiro gol deu início ao melhor momento do Liverpool na partida. A pressão no campo de ataque estava sufocando o Manchester United, que não conseguia sair direito, nem com bola longa. Ela também criou oportunidades. Jota recebeu de Firmino pela esquerda e carimbou a trave. Depois, Salah acionou Arnold, pela esquerda, e Henderson conseguiu defender.

Quando parecia que o Liverpool estava prestes a matar a partida, porém, o United ressuscitou. Aos 23 minutos, Bruno Fernandes fez o corta-luz, Rashford tabelou com Cavani e recebeu o passe na medida para sair na cara de Alisson. Conseguiu um toque preciso no canto para descontar o placar para 3 a 2.

A mudança nos nervos dos jogadores ficou clara. O United ganhou confiança, o Liverpool ficou nervoso. E correu riscos de deixar escapar uma vitória tão importante e que parecia bem caminhada. Phillips chegou a cortar uma bola em cima da linha, e Bruno Fernandes bateu uma falta quase no ângulo de Alisson. A pressão do United foi relativamente grande nos minutos finais até Salah realmente matar a partida.

Aos 45 minutos do segundo tempo, Curtis Jones lançou para Salah, que partiu do meio-campo e atravessou todo o gramado com liberdade. Não que ele pudesse fazer muita coisa no mano a mano, mas Henderson também facilitou a vida do egípcio, dando todo o seu canto direito para o arremate. E ele não teve dúvida. Colocou ali mesmo e fez seu 21º gol, agora empatado com Harry Kane na tabela de artilharia.

Rashford ainda teve outra chance parecida com a do seu gol, no último ato de um grande espetáculo, mas a bola passou caprichosamente ao lado da trave esquerda de Alisson.

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