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·16 de maio de 2022

Torcida do West Ham se despediu de Mark Noble, seu representante em campo e um capitão exemplar

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Desde 2004, o West Ham subiu à primeira divisão, teve Carlos Tevez e Javier Mascherano, foi rebaixado e subiu novamente, trocou o Upton Park pelo Estádio Olímpico de Londres, conseguiu três campanhas entre os sete primeiros colocados e chegou à semifinal da Liga Europa, com muitas entradas e saídas de jogadores, mas Mark Noble foi uma constante, presente em todos esses momentos, inclusive nos muitos altos e baixos.

O capitão do West Ham de 35 anos se aposentará ao fim da temporada e fez seu último jogo em casa no domingo passado, entrando a cerca de 15 minutos do fim do empate por 2 a 2 contra o Manchester City, que mantém a chance de vaga na Liga Europa para os Hammers. A uma rodada do fim, eles têm que ganhar do Brighton no próximo domingo e torcer por pelo menos um empate do Manchester United com o Crystal Palace no Selhurst Park.

O resultado em si foi relevante, mas o dia será lembrado pelos torcedores do West Ham, entre os mais apaixonados e frustrados do futebol inglês nos últimos anos, pela despedida de um dos últimos daqueles jogadores que dedicam toda uma carreira a uma única camisa, mesmo que Noble tenha feito um punhado de jogos em empréstimos a Hull City e Ipswich Town quando ainda brigava por espaço no time principal do clube londrino.

Sua estreia foi em 2004, ainda com 17 anos. Os empréstimos aconteceram dois anos depois, mas ele retornou do Ipswich a tempo de participar das dez rodadas finais da Premier League de 2006/07, quando Tevez fez quase todos os gols que evitaram o rebaixamento do West Ham. Noble não apenas contribuiu, como foi titular na arrancada de sete vitórias e três derrotas. Vieram duas temporadas de meio de tabela, antes de o rebaixamento começar a ser uma ameaça, concretizada em 2010/11.

Noble não foi para lugar nenhum, e jogou 48 dos 49 jogos que devolveram o West Ham imediatamente à Premier League, por meio de uma vitória sobre o Blackpool, nos playoffs da Championship. De volta à gangorra de expectativas e frustrações de um clube com potencial para se consolidar na segunda prateleira da Premier League, como fez na temporada 2015/16, a última do Upton Park, sob a liderança de Dimitri Payet, mas que desde aquele acesso tem mais campanhas do meio da tabela para baixo, até com uma ameaça de novo rebaixamento.

O quanto o West Ham consegue ser frustrante reforça a lealdade de Noble. Ele nunca foi um craque com perspectivas de enormes transferências, mas um ótimo jogador de Premier League que poderia ter sido útil, mesmo ao maiores clubes. Sólido meio-campista, com alto QI futebolístico, excepcional cobrador de pênaltis, com 62 gols em seus 549 jogos pelos Hammers.

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E uma postura exemplar. Teve coragem, por exemplo, de questionar em público a venda do garoto Grady Diangana ao West Brom em 2020, dizendo que a decisão o havia deixado “devastado, irritado e triste”. No Amex Stadium no próximo domingo, ele executará pela última vez uma das suas tradições: sempre limpar o vestiário do West Ham após jogos fora de casa.

“Um dos meus amigos é o executivo-chefe do Sheffield United e nós jogamos lá fora de casa anos atrás. Eu deixei minha aliança no vestiário e quando voltei nosso vestiário estava bagunçado. A partir daquele dia, eu disse que isso nunca mais aconteceria”, contou Noble, explicando como adquiriu o hábito. Outra cria da base, o lateral direito Ben Johnson deve assumir esse papel a partir da próxima temporada.

Semana passada, na cerimônia de premiação dos jogadores, Noble ficou algumas vezes sem palavras e teve que segurar a emoção para terminar o seu discurso. “É emocionante. Estou neste clube há tanto tempo. Cheguei aos 11 anos. Houve altos e baixos. Vou dizer para vocês que houve momentos difíceis. Quando você é torcedor do clube, e pode jogar pelo West Ham, e pode virar capitão do time pelo qual você torce… posso honestamente dizer que vivi o sonho de todo mundo aqui”, contou, a uma plateia cheia de torcedores dos Hammers que o aplaudiram.

O West Ham foi sexto colocado na última temporada, terá mais uma campanha dentro do G7 da Premier League e chegou à semifinal da Liga Europa. Foram dois anos, segundo Noble, essenciais para reparar os laços entre as arquibancadas e o time, abalados pela mudança ao Estádio Olímpico de Londres e por protestos contra os donos. “Não tivemos o maior time, mas o que tivemos é espírito de equipe, um grupo de jogadores que saem para jogar em um sábado à tarde e trabalham duro pelo time, e é tudo que podemos pedir como torcedores do West Ham”, afirmou Noble.

“Houve momentos difíceis quando nos mudamos para o estádio e essas últimas duas temporadas meio que uniram o clube e os torcedores novamente. E manter esse núcleo e manter os torcedores acreditando… o apoio fora de casa na Liga Europa foi fenomenal, os jogos em casa foram incríveis porque eu realmente acho que nas últimas duas temporadas os jogadores e os funcionários conseguiram unir o clube novamente”, acrescentou.

Essa ligação entre as arquibancadas e o clube que foi reconstruída é importante porque durante tantos anos era Noble quem a encorpava. Mesmo em tempos mais recentes com menos espaço em campo. Havia sido titular na Premier League apenas oito vezes na temporada passada e foi apenas três nesta, com 10 jogos no total, cerca de apenas 300 minutos em campo pelo Campeonato Inglês. Esteve até mais presente na Liga Europa, embora não tenha saído do banco na semifinal contra o Eintracht Frankfurt.

Mas a torcida sempre ficaria mais tranquila sabendo que tinha um representante tão valoroso dentro do vestiário e perto do time, e torce para que Noble tenha deixado um legado duradouro para que essa relação continue se fortalecendo, sem a presença de um eterno capitão.

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