Top 10 vezes em que a Ponte Preta bateu na trave

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A Associação Atlética Ponte Preta, no auge de seus quase 120 anos de história, sempre foi considerada uma equipe tradicional no futebol brasileiro. Embora não tenha vencido nenhum título de expressão em âmbito estadual ou nacional, sempre deu trabalho para os clubes grandes da capital paulista. A Macaca é o clube mais antigo em atividade em São Paulo. Fundada em 11 de agosto de 1900, o time manda as suas partidas no Moisés Lucarelli em Campinas, estádio com capacidade para 17.728 torcedores.

O maior rival da Ponte é o Guaraní, também de Campinas, ambos os clubes dividem a paixão pelo futebol na cidade do interior de São Paulo. Diferentemente de seu rival alvinegro, o Bravo Bugre Campineiro possui o título de campeão brasileiro da Série A em 1978 e um da Série B em 1981. Embora não tenha conseguido nenhuma conquista relevante em sua história centenária, não dá para dizer que a querida Macaca nunca venceu nada.

Assim sendo, em 1969, a Ponte Preta venceu a Série A2 do Campeonato Paulista. Além desse, a Ponte venceu seis títulos do Campeonato Paulista do Interior (1927, 1951, 2009, 2013, 2015, e 2018). Entretanto, a equipe alvinegra de Campinas em toda a sua trajetória bateu na trave diversas vezes e quase conseguiu tirar o grito de “É Campeão” em campeonatos tradicionais, sejam eles estaduais e até internacionais. Confira 10 vezes em que a querida Macaca quase conseguiu se livrar de sua seca de títulos:

10 – Campeonato Paulista de 1929: o primeiro vice da Ponte Preta

Naquela época, início dos anos 20, o Campeonato Paulista era organizado por duas federações distintas. A APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos) e a LAF (Liga dos Amadores de Futebol). No ano de 1929, a Ponte Preta foi a vice-campeã da liga amadora. Ela ficou somente quatro pontos atrás do campeão, o extinto Clube Athletico Paulistano.

Dessa forma, a Ponte Preta amargava o seu primeiro vice-campeonato de toda a sua história. Curiosamente, o campeonato da LAF daquele ano foi marcado pelo inchaço. A princípio eram 12 clubes que se enfrentavam em turno e returno ao longo de intermináveis oito meses de disputa. Nesse meio tempo, o Paulistano, do lendário Friedenreich logo se destacou como candidato ao título. Porém, havia uma surpreendente Macaca Campineira e o atual campeão do torneio: o Internacional de São Paulo, que dividiam o favoritismo ao título.

No primeiro confronto direto, o Paulistano foi derrotado pelo Internacional. A Ponte, por sua vez, venceu o Inter. Contudo, foi goleada pelo time de Friendenreich por 4 x 1 rodadas mais tarde. No returno da competição, o cenário foi parecido, nesse meio tempo, o equilíbrio entre essas três equipes era evidente, o que apimentou a fase final da competição.

O Paulistano tinha 30 pontos ganhos e, com três jogos a fazer, precisaria de apenas dois pontos para se sagrar campeão. A Ponte Preta, por outro lado, tinha 26 pontos e ainda faria mais dois jogos. Todavia, o campeonato foi interrompido exatamente neste ponto. O time do Germânia pediu sua filiação à outra federação, a APEA, abrindo mão de seus pontos que disputaria contra o time do Paulistano. Esse episódio causou muita frustração aos torcedores da Ponte Preta, que almejavam o título.

9 – Campeonato Paulista de 1970: foi por pouco

Mesmo que tenha terminado o campeonato em 3º lugar, atrás do campeão, São Paulo, e do Palmeiras, a Ponte Preta fez uma boa campanha. Curiosamente fazendo a mesma quantidade de pontos do Alviverde e com o mesmo retrospecto. Foram sete vitórias, oito empates e apenas três derrotas em 18 partidas. Entretanto, o time campineiro terminou com seis gols de saldo, o que teoricamente a deixaria na 3ª colocação. Mesmo assim, a Federação Paulista de Futebol considera a Macaca como legítima vice-campeã estadual daquele ano, assim como o Verdão.

A Ponte Preta foi a sensação do 1º turno daquele campeonato. A equipe, recém-promovida após o título da 2ª divisão do Paulista, segurou um empate contra o Corinthians na capital, venceu o até então tricampeão Santos em plena Vila Belmiro, derrotou o arquirrival Guarani, também bateu a Portuguesa e empatou com os outros dois grandes, São Paulo e Palmeiras.

Porém, após sua primeira derrota no campeonato, na 3ª rodada do returno contra o Santos, o seu rendimento caiu demais, ficando os cinco jogos seguintes sem vitória. Mas vale destacar que mesmo diante dos gigantes da capital Paulista, a Ponte Preta deu muito trabalho, tendo ficado invicta durante todo o 1º turno do torneio.

8 – Campeonato Paulista de 1977: havia uma “Palhinha” no caminho

Considerado por muitos historiadores como o maior time da Ponte Preta de toda a sua história, os comandados de Zé Duarte demonstraram muita qualidade técnica e esbanjaram bom futebol naquele torneio. Comandados por Dicá, o lendário 10, Oscar (ex-São Paulo) e Polozzi (ex-Palmeiras) na zaga, Jair Picerni na lateral direita, e Ruy Rey no ataque, a Macaca detonou seus adversários. Embora não tenha se classificado para a segunda fase do primeiro turno, o time se encontrou na segunda fase e era uma das candidatas ao título.

Prova de sua força foi ter se classificado as finais daquele campeonato de maneira invicta na terceira fase. Dividindo sua chave com Santos e Palmeiras, a Ponte venceu cinco partidas e empatou outros dois. Classificando-se pela primeira vez para a final do Campeonato Paulista.

Uma curiosidade sobre este campeonato foi que a Ponte Preta enfrentaria o Corinthians na final. O Alvinegro de Parque São Jorge havia sido massacrado pela Macaca na primeira fase do torneio por 4 x 0 em Campinas. Além disso, o Timão não havia vencido a Ponte em nenhuma outra partida no campeonato. Certamente a equipe campineira era favorita a vencer o título e encerrar de vez sua seca de títulos.

Nas finais, três partidas memoráveis. No primeiro jogo, Palhinha, carinhosamente chamado de Raposa Branca pelo Pai da Matéria Osmar Santos, fez de nariz o gol que deu a vitória ao Coringão. Na segunda partida, mais de 150 mil corintianos lotaram o Morumbi. Porém, Dicá, de falta, e Ruy Rey adiaram a festa corintiana por mais uma semana. Na derradeira partida, Basílio, aos 37 minutos do 2º tempo, colocou um fim ao sofrimento corintiano e aumentou a angústia ponte pretana.

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7 – Campeonato Paulista 1979: mais uma vez o Corinthians

Embora não fosse mais a mesma equipe que havia chegado à final em 1977, a Ponte Preta mais uma vez conseguiu se superar e chegou à final novamente. E o seu adversário seria o Corinthians, de novo. Desta vez o Alvinegro de Parque São Jorge estava mais reforçado, as chegadas de Biro Biro e de Sócrates deram um toque refinado ao meio-campo do Timão. Seria mais uma oportunidade para a Ponte conquistar um título de expressão.

Porém, o Corinthians não deu chances ao time campineiro. Em uma demonstração de técnica e qualidade, o Coringão passou sem sustos pela Macaca. Após vencer o primeiro jogo por 1 x 0 e empatar o segundo por 0 x 0, o Timão venceu o terceiro e último jogo por 2 x 0, gols da dupla dinâmica, Palhinha e Sócrates, sagrando-se campeão paulista mais uma vez em cima da Ponte Preta.

6 – Campeonato Paulista de 1981: Ponte Preta naufraga, dá-lhe Tricolor

Pela terceira vez em cinco anos a Ponte Preta chegava a uma final de campeonato paulista. Desta vez, o adversário seria o São Paulo de Serginho Chulapa e Valdir Peres. Contudo, a Macaca não conseguiu levantar o tão sonhado caneco. Nos dois últimos jogos da final, a Ponte conseguiu um empate na primeira partida pelo placar de 1 x 1, mas acabou sendo derrotada no segundo confronto por 2 x 0.

Vale destacar que na primeira fase, a Ponte Preta sagrou-se campeã do 1º turno liderando a fase regular com uma campanha irretocável. Foram 11 vitórias, sete empates e apenas uma derrota em dezenove partidas. Nas finais enfrentou nada mais nada menos que o Guarani, seu maior rival. Ao empatar por 1 x 1 o primeiro jogo e vencer por 3 x 2 o segundo, a Ponte se classificou automaticamente para a finalíssima daquele Paulistão, posteriormente tendo seu revés frente ao Tricolor.

5 – Campeonato Brasileiro da Série B de 1997: mais uma vez na trave

O Campeonato Brasileiro da Série B daquela ano foi disputado por 25 clubes. Cada um deles foi dividido em cinco grupos com cinco equipes em cada um deles. Todos jogavam contra todos em turno e returno dentro da chave e os três melhores colocados de cada grupo, mais um 4º colocado por índice técnico avançavam para a próxima fase.

Na segunda fase, os 16 clubes restantes se enfrentavam em jogos de mata-mata. Assim sendo, na etapa seguinte, os oito clubes classificados se dividiam em mais dois grupos com quatro equipes cada. Então, os dois melhores de cada chave se classificavam para o quadrangular final do torneio.

Embora tenha se classificado em todas as fases anteriores, o time da Ponte Preta ficou em 2º lugar, atrás do América Mineiro, que se sagrou campeão. No quadrangular final, a Ponte fez seis jogos. Foram três vitórias, dois empates e apenas uma derrota alcançando 11 pontos. Entretanto, o Coelho fez 13 pontos confirmando mais um vice-campeonato na história da Ponte Preta.

4 – Campeonato Paulista de 2008: massacre à moda Luxemburgo

Em mais uma daquelas histórias na qual o time do interior vai bem na fase de classificação e mal nas fases finais, a Ponte Preta foi muito bem na fase de classificação do Paulistão daquele ano. O time de Sérgio Guedes tinha o volante ex-Corinthians Elias como um dos principais jogadores. Após enfrentar o Guaratinguetá nas semifinais daquele ano em dois confrontos nervosos, principalmente o segundo, a Macaca enfrentaria o Palmeiras, de Vanderlei Luxemburgo e Valdívia, na final.

Por fim, a diferença técnica dos dois times ficou evidente nas finais. No primeiro jogo em Campinas, vitória do Alviverde por 1 x 0. Já no segundo jogo, um verdadeiro passeio do Palmeiras. No Palestra Itália lotado, o Verdão dominou por completo e goleou a Ponte Preta por 5 x 0. Mais uma vez, a Macaca querida amargava um vice-campeonato e, dessa vez, de uma forma até vexatória.

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3 – Copa Sul-Americana 2013: grito entalado na garganta

Na primeira fase daquele campeonato, a Ponte Preta eliminou o Criciúma, vencendo em Santa Catarina o primeiro jogo por 2 x 1 e empatando em Campinas por 0 x 0. Nas oitavas de final, o adversário foi o Deportivo Pasto, da Colômbia. Após vitória no Moisés Lucarelli por 2 x 0 e derrota no jogo da volta por 1 x 0, a Ponte Preta fazia história chegando pela primeira vez às quartas de final de um torneio continental.

E, apesar de estar lutando contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro daquele ano, os comandados de Jorginho queriam ir mais longe na Copa Sul-Americana. Enfrentando nada mais nada menos do que o Vélez Sarsfield, da Argentina, de Ricardo Gareca e Lucas Pratto, a Ponte Preta segurou um empate em casa por 0 x 0 e simplesmente calou a torcida no José Amalfitani ao vencer por 2 x 0, gols de Elias e Fernando Bob.

Nas semifinais, mais um adversário experiente em grandes competições, o São Paulo, atual campeão da competição. Mas nem mesmo um Morumbi lotado deixou o time da Ponte Preta nervoso, parecia que dessa vez o título chegaria. De virada, a Ponte calou o Cícero Pompeu de Toledo ao vencer por 3 x 1 a primeira partida, levando ampla vantagem para o segundo jogo.

Embora tenha empatado o jogo da volta por 1 x 1, a classificação inédita à final veio. Na decisão, o adversário seria o Lanús, da Argentina. No jogo da ida, no Estádio do Pacaembu lotado, a Ponte não conseguiu melhor que um empate em 1 x 1, destaque para o golaço de falta de Fellipe Bastos. Todavia, no jogo da volta, a experiência dos argentinos, que eram treinados por Guillermo Barros Schelotto, prevaleceu e venceram por 2 x 0, sendo campeões.

2 – Campeonato Brasileiro Série B 2014: mais um vice-nacional

O técnico Jorginho foi demitido após a péssima campanha no Campeonato Brasileiro de 2013. Campanha essa, que culminou com o rebaixamento da Ponte Preta para a Série B do Brasileirão em 2014. Para o lugar do antigo treinador, Guto Ferreira foi escolhido. Assim sendo, a Macaca chegou a liderar o torneio durante nove rodadas seguidas e passou mais de 13 jogos sem ser derrotada.

Porém, na 35ª rodada, após ser derrotada fora de casa pelo Joinville, as equipes trocaram de lugar na tabela de classificação. Entretanto, na última rodada, a Ponte Preta iria enfrentar o Náutico ainda com chances de título, caso os catarinenses perdessem para o Oeste. E mesmo com a ajuda da equipe de Itápolis, a Macaca não fez a sua parte e apenas empatou, amargando mais uma vez um vice-campeonato.

1 – Campeonato Paulista de 2017: o canto do cisne para a Ponte Preta?

O último título a ser disputado pela Ponte Preta foi o Campeonato Paulista de 2017. Na ocasião, o time era treinado por Gilson Kleina. Na fase de grupos daquele torneio, a Ponte Preta passou em 2º lugar, com o mesmo número de pontos do 1º colocado, que foi o Santos.

Assim sendo, ao chegar nas quartas de final, a Macaca aprontou das suas e eliminou o Peixe. No primeiro jogo, vitória por 1 x 0 em Campinas. Embora tenha perdido a segunda partida pelo mesmo placar, a classificação veio através da disputa de pênaltis. Nas semifinais, outro grande no caminho da Ponte, o Palmeiras, de Eduardo Baptista. Jogando em casa, a Ponte Preta não tomou conhecimento do Alviverde e emplacou sonoros 3 x 0, com direito a exibição de gala de William Pottker, atualmente no Internacional.

Entretanto, mesmo com a derrota por 1 x 0 na volta, a classificação estava garantida. Pela terceira vez na história a Ponte Preta enfrentaria o Corinthians na final do Paulistão. Todavia, assim como em 1977 e 1979, o Timão não deu chances a Macaca. Após jogar muito mal a primeira partida e perder por 3 x 0, ficou muito difícil recuperar o resultado. Jogando na Arena Corinthians, o empate por 1 x 1 não salvou a Ponte Preta de mais um vice-campeonato em sua história.

Assim como um herói que não desiste de alcançar seu objetivo, a Ponte Preta tem militado em busca de seu objetivo ao longo dos anos. Porém, mesmo que ainda não tenha conquistado nenhum título relevante até hoje, lembramos com alegria e satisfação dos grandes esquadrões que a querida Macaca montou ao longo dos anos.

Foto Destaque: Reprodução/Só Derbi