Southgate tem opções para destravar o ataque da Inglaterra. Chegou a hora de começar a explorá-las

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Gareth Southgate não faz um trabalho ruim, ajustado aos padrões do futebol de seleção. Assumiu na fogueira, após a demissão de Sam Allardyce, e levou a Inglaterra às semifinais da Copa do Mundo pela primeira vez desde 1990. A chave era mais acessível? Era. Mas superou alguns desafios históricos no meio do caminho, como a disputa de pênaltis, e no geral conseguiu administrar bem um ambiente que, em grandes competições, foi muitas vezes explosivo e cheio de polêmicas. É respeitado pelos jogadores e não é que há uma fila de técnicos excepcionais querendo treinar a seleção inglesa. Isso posto, ainda está longe de tirar o melhor do leque de opções que tem em mãos e chegou a hora de experimentar um pouco mais.

A Inglaterra brilhou pouco nas duas partidas da Eurocopa. Se foi madura e segura contra a Croácia, deveu muito futebol no clássico com a Escócia, diante da expectativa gerada pelos jogadores que tem em mãos. Algumas coisas fogem do seu controle. Não é sua culpa que Raheem Sterling e Harry Kane, os dois principais jogadores do time, chegaram à competição em baixa, nem (tanto assim) que eles tenham sido escalados nos dois primeiros jogos.

Kane é o mais talentoso e completo jogador da Inglaterra, capitão do time, caminha para ser o maior artilheiro da história da seleção. Se não jogasse, a gritaria seria ainda maior. No entanto, está claramente longe da sua melhor forma física, um sombra do atacante que pode ser, e é justo questionar se um descanso na terceira rodada contra a Tchéquia não pode ao mesmo tempo prepará-lo melhor para o mata-mata e permitir que Southgate explore outras opções.

Contra a Croácia, Sterling marcou pela 11ª vez nos últimos 15 jogos da Inglaterra, com sete assistências, e embora tenha feito uma temporada muito irregular, até reserva nas partidas finais do Manchester City na Champions League (antes de ser titular na decisão), é compreensível que mantenha a confiança de Southgate. Mas também não fez bons jogos e, mesmo assim, ficou em campo até o fim contra a Escócia.

Não existe muitas condições para que treinadores busquem soluções coletivas para os problemas dos seus times no futebol de seleções. Os caras se reúnem se muito uma vez por mês e não há tempo para treinar, nem mesmo durante grandes competições, com jogos encavalados. É possível melhorar aspectos táticos, mas as principais mudanças costumam vir por combinações diferentes dos jogadores à disposição. A sorte e o fardo de Southgate é ter um elenco cheio de alternativas, e ele precisa começar a explorá-las, porque, nesse cenário, os seus dois principais atacantes estarem em baixa é um problema grande demais.

Jadon Sancho sequer ficou na reserva contra a Croácia. Foi ao banco nesta sexta-feira e não entrou em campo. Southgate, aliás, fez apenas duas substituições. A entrada de Jack Grealish, pedida pela torcida, não mudou muita coisa. Marcus Rashford também não entrou bem como centroavante na vaga de Kane. Não há muita justificativa para não tentar mais coisas diferentes durante a partida e, a esta altura, nem mesmo para não buscar outro tipo de estrutura para o seu time.

A Inglaterra foi semifinalista da Copa do Mundo com três zagueiros. Ao longo do último ciclo, Southgate tentou fazer a transição para o 4-3-3, em busca de um ataque mais fluído, mas seu time ficou muito exposto na defesa. Curiosamente, tem insistido na formação com linha de quatro na Eurocopa e segue com uma defesa relativamente segura e um ataque travado.

Mesmo dentro dessa numerologia, ele usou outras formações nos últimos três anos. Teve Mason Mount, o mais regular da Inglaterra até aqui, aberto pela esquerda, com Grealish pelo meio, o que dá uma qualidade criativa e de passe melhor à equipe. Precisa superar a sua desconfiança com o futebol de Sancho para dar uma chance de verdade ao mais promissor jovem atacante inglês do momento. Foi uma tentativa boa a troca do improvisado Kieran Trippier por Luke Shaw e de Kyle Walker por Reece James para ter mais força pelas laterais. James foi um dos melhores em campo.

Outra questão é a dupla de volantes. Declan Rice e Kalvin Phillips não são brucutus. Tem até bastante qualidade de passe, mas ambos são construtores mais recuados. Se não quiser abrir mão do equilíbrio, e se o físico deixar, a entrada de Jordan Henderson, mais agressivo, com mais chegada ao ataque, na vaga de um deles pode ajudar. Outra alternativa seria voltar ao esquema com três zagueiros e recuar Mount ao meio-campo, formando um trio de ataque – Sterling, Sancho e Kane? Sancho, Rashford e Kane? Foden, Rashford e Calvert-Lewin? Há muitas opções nesse setor.

E Southgate precisa aproveitar o terceiro jogo contra a Tchéquia para testá-las. Não é um amistoso porque a Inglaterra precisa vencer para passar em primeiro lugar e se manter em Wembley, com exceção das quartas de final, até o fim da competição, caso vá longe. Mas o futebol de seleções também é isso: equilibrar a formação de time com a busca pelos resultados e trocar o pneu com o carro andando. Chegou a hora de Southgate pegar o macaco.

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