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Ser concessionário do Maracanã é como alugar uma casa que o senhorio entra quando quer

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Mundo Rubro Negro

O tema Flamengo no Maracanã parece ter esquentado. A ingerência do Vasco e da Justiça evidenciou de forma bem clara o argumento que sempre utilizei a fim de ser contra a participação do Flamengo em uma concessão de longo prazo. Não existe segurança jurídica em casar com governo. Simples assim.

E os exemplos são muitos em outras concessões públicas. Não se iludam, o Governo rasga contratos diante da mínima conveniência política. Já imaginaram como seria com o Flamengo concessionário?

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Já imaginaram a frequência das reportagens demonizando a gestão da concessão, com o objetivo de atingir o clube? Pensem na quantidade de vereadores, deputados, políticos em geral, usando a questão para se promover, em especial, próximo a eleições?

Vislumbrem que virar sócio por 20, 30 anos do Governo do Rio de Janeiro significa ter que lidar ao longo desse tempo com cinco, seis, sete governadores diferentes? E eu pergunto a vocês onde estão os últimos governadores do estado hoje? Esses são os interlocutores que queremos?

Uma coisa é uma relação de curto prazo, sem a obrigação de investimento relevante. Outra totalmente diferente é ter o Palácio das Laranjeiras como senhorio por 30 anos, tendo ainda que desembolsar valores estratosféricos de investimento.

O New Maracanã foi construído pensando em três a quatro jogos de Copa Do Mundo. O tal do padrão FIFA. Incrivelmente ninguém pensou na utilização do estádio para o resto de sua vida útil, no futebol de clubes.

Por isso não há setorização. Em jogos de Copa do Mundo não precisa separar ninguém. Até hoje se perde um caminhão de dinheiro isolando áreas de visitantes muito maiores que o necessário.

O que você acharia de alugar apartamento e o dono te dizer que a suíte continua a ser dele e que pode entrar e sair quando quiser? Pois é assim no Maracanã. Além da Tribuna de Honra, o estádio tem cinco camarotes com comida e bebida liberada para 200 ingressos na leste inferior. Todo jogo!

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Quem paga a conta dos investimentos altíssimos que terão de ser feitos ao longo da concessão? Inclusive a fim de consertar erros projeto e intervenções desastrosas, como no caso da troca total da cobertura do estádio que custará centenas de milhões de reais. O governo é que não vai pagar.

Em resumo, ser concessionário do Maracanã é como alugar um apartamento onde o senhorio continua entrando quando quer, separa um quarto pra ele próprio, e faz você pagar a troca de toda parte defeituosa elétrica e hidráulica do seu bolso.

Assim, quem quiser continuar a repetir que o Maraca é nosso, fique à vontade. Quem quiser acreditar que o Flamengo não tem condições de fazer estádio próprio, mas todos os outro clubes têm, também. Ou ainda que o governo tem o poder de impedir na cara dura que o Flamengo o faça.

Todas essas conversas pra boi dormir e assim vem sendo incentivadas há décadas, por quem não interessa que Flamengo acorde. Por fim, que o Flamengo entenda que quem construiu a mística do Maracanã foi a torcida rubro-negra, por tudo que fez no estádio nos últimos 70 anos, não o contrário.

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