AVANTE MEU TRICOLOR
·16 de julho de 2025
SÃO PAULO TEVE PREJUÍZO DE R$ 176,6 MIL POR DIA NO ANO. MAS DIRETORIA AINDA COMEMORA RESULTADO (ACREDITE, PODIA SER PIOR)

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·16 de julho de 2025
Casares comemorou o déficit: menor que o esperado (Instagram)
RAFAEL EMILIANO@rafaelemilianoo
Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
O famoso ditado popular nunca poderia ser tão aplicado ao São Paulo quanto agora, por conta da atual fase financeira vivida pelo clube.
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Jorge Nicola, o clube do Morumbi fechou o primeiro semestre do ano com prejuízo de R$ 31,8 milhões.
Na prática, o déficit são-paulino, que vive o pior momento financeiro de sua história, foi de aproximadamente R$ 176,6 mil por dia na média.
Mas, curiosamente, o resultado do balanço está sendo festejado internamente.
Isso porque a previsão orçamentária do São Paulo era de encerrar os seis primeiros meses do ano com um prejuízo acumulado de R$ 45,8 milhões.
Na prática, o discurso que deverá ser adotado pelo presidente Julio Casares e seus asseclas é que o Tricolor ficou R$ 14 milhões acima do previsto.
Um embuste, claro, já praticado pelo dirigente neste ano.
O documento mostrou uma pequena redução da dívida, que caiu de R$ 968,3 milhões no fechamento de 2024 para R$ 965,9 milhões (0,2%).
Foi o suficiente para Casares correr para compartilhar em suas redes sociais reportagens de colegas que deram gancho para a quase insignificante redução do montante passivo.
O orçamento do ano prevê que o Tricolor encerre 2025 com um superávit de R$ 44,8 milhões. Apesar do prejuízo gigantesco, há elementos para acreditar nisso. Além da maioria das premiações de competições caírem no decorrer dos últimos meses do ano, há aumento de bilheteria, shows no Morumbi e ainda a ser contabilizada as vendas de duas joias da base a clubes europeus: Matheus Alves e Angelo.
Em fevereiro, alguns dos números que constam do documento são positivos, como o superávit de R$ 157 mil, que sozinho nem é muito grande, mas acabou ficando bem acima do orçado, que era um déficit de R$ 13,9 milhões.
Esse resultado é fruto principalmente das vendas de atletas no período, que superaram em 66,5% o previsto: R$ 73,5 milhões, contra R$ 44,1 milhões, uma variação de R$ 29,4 milhões.
Nessa conta, não estão incluídas, por exemplo, as vendas de Angelo ao Strasbourg e Matheus Alves ao CSKA.
Como só essas duas transações somam cerca de R$ 70,6 milhões, o clube já deverá chegar ao meio do ano tendo quase cumprido sua meta anual de R$ 154,8 milhões (93,1% da meta, sem contar outras negociações).
O futebol profissional, aliás, é onde o buraco são-paulino vem se mostrando deveras fundo. No balanço de fevereiro, o estouro foi de 30,3%: R$ 102,3 milhões, contra R$ 78,6 milhões, uma variação de R$ 23,8 milhões. Entretanto, é bom destacar que R$ 44,5 milhões disso corresponde à amortização do custo de atletas, que não tem efeito no caixa.
O déficit poderia ser bem menor, se não fossem pelos R$ 45,7 milhões em novos empréstimos bancários, o que sugere um fluxo de caixa apertado. Para o ano todo, o orçamento prevê R$ 205,4 milhões em novos empréstimos.
O São Paulo precisa urgentemente reverter uma série de resultados ruins ao longo dos últimos anos. Desde 2021, o déficit acumulado é de R$ 429 milhões. Em 2024, foram R$ 287 milhões no vermelho, que contribuíram para a dívida ultrapassar os R$ 900 milhões.