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Real Madrid foi mais time e mostrou como o Barcelona não sabe o que está fazendo

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O Real Madrid conseguiu uma grande vitória sobre o Barcelona no Camp Nou e que tem um aspecto histórico. Os 2 a 1 conseguidos na casa do adversário mostraram um time superior, mais pronto e mais coletivo. Os blaugranas tiveram problemas desde o começo para saber como atacar e como causar problemas ao rival.

Foi o confronto de dois times em estágios muito diferentes, com o Barcelona muito inferior como equipe. O Real Madrid sabia o que tinha que fazer e parecia consciente do que o time catalão não conseguiria fazer. Explorou os problemas do rival, enquanto deixou que tivessem a bola onde sabiam que não seriam tão perigosos.

Sendo assim, o que se viu foi um Barcelona com bons jogadores, alguns muito jovens, mas que não parecia saber o que fazer para superior o Real Madrid. Carlo Ancelotti tinha um plano de jogo e executou bem. Koeman, se tinha um plano, ele sequer conseguiu ser mostrado.

Dados históricos

Alguns dados da Opta Sports mostram o tamanho do feito histórico do Real Madrid — e como isso representa um momento de baixa do Barcelona no clássico. Os merengues venceram os últimos quatro jogos em todas as competições contra o Barcelona. É a primeira vez desde 1965 que o Real Madrid consegue ao menos quatro vitórias seguidas no clássico.

É também a terceira vez na história que o Real Madrid consegue duas vitórias seguidas como visitante. É a segunda vez desde que o Camp Nou foi inaugurado. As outras duas vezes foram em 1963 e 1965. O retrospecto recente diante do Real Madrid é muito ruim: o Barcelona só ganhou um dos últimos nove jogos diante do rival jogando no Camp Nou. A última vitória foi um 5 a 1 em outubro de 2018. Koeman iguala um recorde negativo: é o segundo treinador da história do Barcelona a perder seus três primeiros clássicos contra o Real Madrid, depois de Patrick O’Conell de 1935 a 1940.

Tudo isso mostra que o Barcelona vive um momento muito ruim em El Clasico. Sem saber o que fazer, acabou sendo vítima até fácil de uma equipe melhor.

Casa cheia

Com 100% da capacidade de público liberada, 86.422 estiveram presentes no Camp Nou. É o maior público do Barcelona desde que o público retornou ao estádio.

Escalações iniciais

O técnico Ronald Koeman escolheu colocar Sergiño Dest como ponta pela direita, com Oscar Mingueza como lateral direito. Além disso, Memphis Depay começou atuando pela ponta esquerda, com Ansu Fati mais centralizado. Talvez para poupar o jogador, que voltou de lesão e não parece estar 100% fisicamente.

No Real Madrid, Lucas Vázquez começou na lateral direita, com Daniel Carvajal no banco. Vinícius Júnior e Rodrygo começaram pelas duas pontas, com Karim Benzema centralizado. Carlo Ancelotti manteve o time que atuou no meio da semana, com o meio-campo clássico do time, Casemiro, Toni Kroos e Luka Modric.

Vinícius Júnior causando terror na defesa

O brasileiro Vinícius Júnior apareceu duas vezes com muito perigo, que quase geraram gols. Em uma grande jogada aos 20 minutos, o ponta brasileiro partiu para cima da marcação e ficou entre dois marcadores, entre eles Oscar Mingueza, que tocou no atacante do Real Madrid. Ele caiu, pediu pênalti, que pareceu ser. Não foi atendido pelo árbitro, com reclamações dos madridistas.

Depois, aos 23, Vinícius recebeu pelo meio em um passe de Benzema e saiu na cara do gol. De frente para Marc-Andre Ter Stegen, ele tentou driblar o goleiro e acabou perdendo a chance. O alemão não saiu no drible e fechou o ângulo. O árbitro anulou o lance por um impedimento claro. O lance não valia.

Gol inacreditável perdido por Dest

O Barcelona respondeu. Em um ataque rápido pelo lado esquerdo, Memphis Depay carregou a bola, avançou e tocou para o meio. Ansu Fati estava no meio, mas a bola sobrou mesmo para Sergiño Dest, livre, no meio da área, e ele chutou forte, mas por cima do gol. Uma chance incrível perdida pelo lateral, que atuava na ponta direita na partida. Uma dessas chances que costuma custar caro em jogos deste tamanho.

Golaço de Alaba

Aos 31 minutos, o Real Madrid chegou ao gol. David Alaba recuperou a bola de Memphis Depay, tocou para Vinícius Júnior, que lançou Rodrygo. O brasileiro tocou para Alaba, aparecendo como atacante. Ele chutou cruzado ao entrar na área e acertou uma linda finalização: golaço do austríaco e 1 a 0 no placar para os merengues.

Barcelona tenta apertar

Atrás no placar, o Barcelona tentou avançar. Conseguiu ameaçar em um escanteio, com Gerard Piqué, de cabeça, mas ainda era pouco. Melhorou quando o time mudou um pouco a sua disposição tática. Memphis foi para atuar ao lado de Ansu Fati, como duas atacantes. Mingueza passou a atuar como terceiro zagueiro, com Dest recuando para fazer a ala pela direita.

Foi quando o Barcelona conseguiu a sua melhor chance, depois de uma jogada pela esquerda que Ansu Fati recebeu dentro da área, fez um drible curto e finalizou, mas foi bloqueado na congestionada área dos merengues. Nada feito para os catalães, que foram para o intervalo atrás no placar.

Segundo tempo com mudança no Barcelona

Koeman fez uma mudança que já tinha usado na partida anterior: tirou Mingueza e colocou Philippe Coutinho. Dest foi recuado para lateral direito. Mudou também a formação. O time catalão passou a jogar em um losango no meio-campo, com Busquets à frente da defesa, Gavi e De Jong mais à frente e Coutinho centralizado logo antes dos atacantes Memphis e Ansu Fati.

Como era de se esperar, os primeiros minutos do segundo tempo foi com o Barcelona avançando e pressionando bem alto. O time tinha dificuldade em finalizar, mas rondava muito a área do Real Madrid buscando espaços.

Aos 15 minutos, o Real Madrid levou perigo. Éder Militão era o único com liberdade para sair jogando na pressão do Barcelona e ele lançou longo na direção de Vinícius Júnior. Dest chegou antes na bola e tentou tocar de cabeça para trás, mas serviu só como assistência para o brasileiro, que avançou, mas Dest se recuperou no lance e conseguiu impedir a finalização do brasileiro.

Pouco depois, em um jogo com boa jogada trabalhada, Modric recebeu dentro da área, de costas, e tocou pelo alto para Benzema finalizar de primeira, mas não pegou em cheio na bola e o goleiro Ter Stegen conseguiu a defesa.

Apesar do Barcelona estar posicionado mais à frente no campo, o Real Madrid era sempre perigoso nas retomadas de bola, incluindo em erros de saída de bola do time, como aconteceu com Frankie De Jong em uma delas. Vinícius Júnior continuou sendo muito acionado e sempre levando perigo pela sua rapidez e habilidade.

Mudanças nos dois times

O técnico do Real Madrid resolveu fazer uma mudança aos 26 minutos. Tirou o brasileiro Rodrygo e colocou em campo Federico Valverde. Com isso, perdeu força ofensiva de um atacante, mas ganhou força como um jogador que consegue recompor bem pelo lado direito, já que o uruguaio é meio-campista. Ele entrou para atar aberto pela esquerda e tentar marcar aquele lado do campo, ao mesmo tempo que tinha vitalidade para sair para o ataque.

Do outro lado, Koeman mudou o time aos 28 minutos. Ansu Fati deixou o gramado, sem conseguir ter uma grande apresentação e ainda sem estar fisicamente inteiro. Entrou outro jogador em situação parecida, mas descansado na partida: Sergio Agüero, muito mais experiente e em seu primeiro clássico contra o Real Madrid com a camisa do Barcelona.

O treinador holandês ainda tirou Frenkie De Jong e colocou em campo Sergi Roberto. Uma mudança que só é justificável por questões físicas, já que tecnicamente são jogadores muito distantes entre si. Sergi Roberto poderia dar mais força física e até velocidade encostando do lado direito ao lado de Serginho Dest.

O treinador dos blaugranas não parecia saber bem o que fazer para reagir. Olhou para o banco e buscou Luuk De Jong, que colocou no lugar de Gavi, para tentar levar perigo ao menos pelo alto. A mudança não surtiu qualquer efeito. Luuk De Jong pouco participou do jogo e não foi perigoso diante da bem posicionada defesa do Real Madrid.

Real Madrid mata o jogo

O Barcelona se jogava ao taque com tudo e em um contra-ataque, matou a partida. Marco Asensio, que entrou pouco antes, recebeu pela esquerda, avançou e aproveitou uma defesa desarrumada do Barça para finalizar forte, o goleiro Ter Stegen rebateu e Lucas Vázquez se jogou na bola, de carrinho, para chegar antes dos marcadores e colocar a bola na rede: 2 a 0, aos 48 minutos. O jogo estava decidido.

Ainda nos acréscimos, o Barcelona conseguiu diminuir. Dest avançou pela direita com velocidade, cruzou para a área à meia altura e Sergio Kun Agüero bateu de primeira, com categoria, para converter o único gol do Barcelona no jogo: 2 a 1. Não dava tempo de mais nada. O árbitro José Maria Sánchez Martínez encerrou o jogo. Vitória do Real Madrid, mais uma vez.

A vitória de um time mais pronto

O Real Madrid é uma equipe mais coletiva, que consegue realizar melhor a sua proposta de jogo. Foi perigosa o tempo todo do jeito que se armou para ser, em velocidade. Criou mais chances que o rival, aproveitando justamente alguns dos problemas que a equipe da Catalunha apresenta, com espaços oferecidos pelo lado direito do campo.

Vinícius Júnior fez uma grande partida, aparecendo muitas vezes e sendo perigoso o tempo todo. Foi um dos melhores da partida. Além dele, ótima atuação dos dois zagueiros do Real Madrid, muito seguros e técnicos. Alaba marcou um golaço e Militão ainda mostrou qualidades para lançamentos longos. Rodrygo foi outro a fazer bem o seu papel pela direita, sempre veloz e fechando bem os espaços pelo seu lado.

No lado do Barcelona, parece não haver ainda uma proposta clara de jogo. O time não sabia bem como atacar e acionava seus atacantes esperando que eles arranjassem essas soluções. Memphis Depay foi perigoso em algumas vezes que recebeu a bola e avançou em velocidade. Ansu Fati foi perigoso quando acionado mais perto do ataque, mas ainda sem condições físicas plenas, não conseguiu ser tão perigoso quanto poderia.

No meio-campo, Frenkie de Jong deixou a desejar em todos os aspectos, defensivo e ofensivo. Busquets fez um jogo correto, bem posicionado, como é sua característica, mas não conseguiu ser influente no jogo para mudar o rumo que a partida tomou. Falta ao Barcelona uma ideia mais bem acabada, antes mesmo de falarmos em uma execução mais precisa da ideia. É este o aspecto mais falado sobre o trabalho de Koeman.

Veja os melhores momentos:

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