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Quem é Latasa, o possível reserva de Benzema

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Atacante espanhol da base do Real Madrid, Juanmi Latasa pode acabar como o principal reserva de Benzema na próxima temporada

O Real Madrid vem encarando um grande problema nas últimas temporadas: encontrar um reserva à altura de Karim Benzema, camisa 9 do time merengue. O clube apostou alto em Jovic para ser o principal suplente e eventual sucessor do francês, além de contar com nomes como Mariano Díaz e Borja Mayoral para o papel. A alternativa, porém, não deve estar no mercado como o Real Madrid se acostumou, mas na base, com a ascensão de Juan Miguel Latasa.

Jovic, que chegou ao Real Madrid por 60 milhões de euros, não se encaixou no time e foi liberado pela diretoria para assinar com a Fiorentina a custo zero, com o clube merengue mantendo 50% de seus direitos econômicos. Borja Mayoral, outro atacante que veio da base, ficou várias temporadas emprestadas e recentemente foi para o Getafe em definitivo. Mariano mal conseguiu ser opção de banco desde que voltou ao Real Madrid, e Ancelotti já não conta com o dominicano.

Assim, o Real Madrid começa a temporada 22/23 sem centroavantes de confiança no banco, já que Jovic e Mayoral saíram e Mariano não parece ser uma opção. Além disso, após as contratações de Tchouaméni e Rüdiger, Ancelotti afirmou que o elenco está completo, e o clube merengue não busca mais contratações. Recentemente, a imprensa espanhola repercutiu um suposto interesse do Real Madrid em um atacante reserva, mas mesmo assim o clube parece lento no mercado.

Desse modo, Ancelotti provavelmente terá que se virar para a base. O italiano usou poucos jogadores da cantera merengue na última temporada, mas os jovens foram importantes para a sequência da temporada 20/21, quando o time sofreu muito com lesões e Zidane ficou com poucas opções. Assim, se o Real Madrid não contratar um 9 de confiança, Ancelotti deverá contar com os serviços do atacante Juan Miguel Latasa.

Quem é Latasa?

Juan Miguel Latasa Fernández de Layos, mais conhecido como Juanmi Latasa, é um atacante espanhol de 21 anos. Ele é fruto da base do clube merengue e atua no Real Madrid Castilla, o time B do Real Madrid que disputa a terceira divisão espanhola. Latasa chegou à “La Fábrica”, categoria de base madridista, com apenas 15 anos, em 2016. O atacante vinha do Unión Adarve e chegou para reforçar o Cadete A (sub-16).

Latasa teve maior destaque pela primeira vez em sua carreira em agosto de 2020. Na ocasião, o espanhol fez parte do elenco vencedor da UEFA Youth League sob o comando de Raul González. Logo depois, a partir do começo da temporada 20/21, Latasa foi integrado ao elenco do Real Madrid Castilla, também comandado por Raúl, e participou da campanha que quase deu o acesso à segunda divisão para o time. O atacante terminou a temporada com 5 gols em 15 jogos.

Na última temporada, 21/22, Latasa assumiu a posição de titular do Castilla permanentemente. Sem a disputa com Hugo Duro, que disputou a maior parte das partidas em 20/21, Latasa teve caminho livre e encaixou no time com uma luva. Alto, forte, canhoto e inteligente, o espanhol marcou 13 gols e deu 1 assistência em 30 jogos disputados. Além disso, manteve uma média de um gol a cada 180 minutos. Seu desempenho lhe garantiu sua estreia no time titular do Real Madrid, quando disputou 9 minutos contra o Cádiz na penúltima rodada de LaLiga.

Papel de Latasa no Castilla de Raúl

Castilla alinhado em um 4-4-2.

Com 1,92m e 80kg, Latasa é um jogador que claramente se destaca pelo seu porte físico. Forte, alto e atlético, o espanhol é um clássico “camisa 9”, um atacante de área mais fixo. Assim, Raúl o usa quase sempre como a peça central do ataque, e não como um segundo atacante.

O 4-4-2 do Real Madrid Castilla em campo.

Uma das formações preferidas de Raúl é o 4-4-2. Aqui, Latasa normalmente forma uma dupla de ataque com um segundo atacante, que normalmente é um meia mais avançado (na imagem acima, Sérgio Arribas). Essa formação facilita a marcação da saída de bola dos zagueiros adversários, enquanto protege mais a faixa central usando 4 meio-campistas. Com a bola, o 4-4-2 do Castilla se transforma em um 4-2-3-1, com Arribas como um camisa 10 e os meias abertos atuando mais por dentro, liberando assim os lados do campo para os laterais. Desse modo, Latasa deixa de ter um companheiro de ataque e, quando o time tem a bola, o camisa 9 se torna o atacante central à frente da linha de 3 meio-campistas. Além disso, Raúl também gosta de utilizar o 3-4-3 para armar seu time.

Castilla em um 3-4-3.

Aqui, Raúl abandona de fato a ideia de dois jogadores à frente para marcar e Latasa é o único atacante mais avançado, com dois meias atrás deles. Os laterais contam com o apoio defensivo de mais um zagueiro e, assim, atacam como alas. Essa formação também dá mais liberdade aos meias, que podem circular por dentro com mais liberdade, sem se preocupar com as laterais do campo.

3-4-3 em campo, mas com os alas recuados para marcar, formando um 5-2-3 sem a bola.

Latasa defendendo: marcação-pressão

Por ser o único centroavante do Castilla e, portanto, o jogador mais avançado do time em campo, Latasa não é responsável por voltar tanto para marcar o adversário. Raúl não exige que seu camisa 9 acompanhe os atacantes até o campo de defesa e, assim, Juanmi normalmente normalmente vai, no máximo, até a intermediária defensiva do time do Castilla.

Em contrapartida, Latasa é o primeiro do time a pressionar o adversário, e é o responsável por guiar seus companheiros na hora da pressão. Desse modo, o espanhol é quem coordena a marcação alta do time dentro de campo, já que os jogadores seguem sua movimentação. Para isso, Latasa precisa ser taticamente impecável, pois é ele quem transfere as ideias defensivas de Raúl para o campo.

Latasa (em azul) pressiona a saída de bola do goleiro adversário, guiando os movimentos dos 2 meias (em preto) atrás dele.

Porém, o Castilla não é um time que pressiona o adversário sem parar, e não é incomum ver o time de Raúl baixar para um bloco médio ou baixo na marcação. Para isso, os jogadores se compactam mais em linhas bem definidas e se movimentam em conjunto. Quando o adversário tem a bola no seu campo de defesa, ou seja, ainda não furou o bloco defensivo do Castilla, mais uma vez Latasa é a primeira linha de combate dos merengues, se movimentando de acordo com a posição da bola.

Castilla marcando em um 5-3-2 com bloco baixo, e Latasa ganha a companhia de Arribas. Barcelona mantém a bola próximo do círculo central. com Latasa e Arribas cercando o portador da bola.

Latasa atacando: pivô

A estatura e o porte físico de Latasa já indicam qual a principal função do atacante no esquema ofensivo do Castilla de Raúl: o camisa 9 atua principalmente como um pivô. O espanhol tem um bom domínio de bola, muita qualidade em protegê-la com o corpo e, ainda, pensa muito rápido e consegue realizar passes precisos mesmo sob pressão.

O Castilla costuma apostar em toques curtos na saída de bola, portanto Latasa não costuma ser um alvo de bolas longas do goleiro. Em vez disso, o pivô que Latasa faz normalmente é fruto de jogadas que saem no meio de campo, onde ele rapidamente dá continuidade a elas ao bater os defensores adversários.

Zagueiro do Castilla tem espaço com a bola, e Latasa se apresenta.

Latasa abandona sua posição de 9 e recua para o meio de campo para a receber a bola do zagueiro, mesmo marcado por 2.

Latasa domina, gira e já prepara o passe para o ponta.

Outro lance: aqui, o meia arma o passe para Latasa em sua posição central, cercado pelos zagueiros.

Latasa recebe a bola e o zagueiro salta para pressioná-lo.

Latasa domina a bola, bate o zagueiro no jogo de corpo e já passa a bola para Arribas. Observe como um passe direto para Arribas seria arriscado, e Latasa é o responsável por levar a bola para ele com segurança e velocidade.

Mais um exemplo: aqui, o Castilla sai para o contra ataque e Arribas consegue um passe pressionado.

Arribas acha Latasa, que está marcado quase individualmente.

Latasa, de primeira, enfia a bola para César correr com o campo aberto.

Latasa atacando: velocidade

Para falar sobre Latasa em jogadas de alta velocidade, vou compará-lo a dois atacantes de porte físico que fizeram muito sucesso recentemente. Haaland, por exemplo, se destacou no RB Salzburg e no Borussia por ser um atacante que atropela os adversários em transição. O norueguês tem muita velocidade e explosão, e assim consegue atacar as costas da defesa e bater praticamente todos os zagueiros na corrida. Por outro lado, Lukaku também é um atacante que gosta de atuar com o campo aberto, mas se especializou em ser um centroavante que arrasta as defesas conduzindo a bola. Foi assim que o belga fez a temporada da vida pela Inter de Milão em 20/21 e foi peça fundamental para eliminar o Brasil na Copa de 2018.

Latasa não tem a explosão física de Haaland ou o controle de bola de Lukaku, mas não é um atacante lento. O espanhol normalmente se posiciona colado nos zagueiros, dando profundidade ao time do Castilla e empurrando a linha defensiva do adversário para trás. A partir daí, Latasa cria as oportunidades de arrancadas. Elas normalmente são em situações parecidas: quando um jogador encontra espaço na origem da jogada, o camisa 9 rapidamente se apresenta para um passe e corre nas costas do zagueiro. Como são arrancadas que começam coladas na linha defensiva adversária, os defensores têm pouco tempo de reação, logo não conseguem alcançar Latasa, que é mais forte e mais rápido que os zagueiros.

Atlético de Madrid marcando em bloco médio, e Latasa se posiciona bem fixo no centro do ataque.

Jogada ofensiva sai pelo lado do campo (hachurado em azul), e Latasa já se prepara para atacar as costas da linha defensiva.

Cruzamento sai e Latasa bate o zagueiro na velocidade.

Latasa antecipa o cruzamento, bate de primeira e abre o placar.

Outro lance: Pablo Ramón tem liberdade com a bola no pé, e Latasa se prepara para romper a linha de defesa.

Ramón tenta o lançamento direto e Latasa recebe livre, mas o bandeirinha marca impedimento.

Latasa atacando: ataque à área

Partindo do estilo das arrancadas de Latasa vem mais uma qualidade do atacante: o ataque à área para definir em poucos toques. O Castilla usa a velocidade de seu camisa 9 para concluir os ataques, e costumam acioná-lo na reta final das jogadas ofensivas a partir de duas situações principais.

A primeira delas é quando o adversário marca em bloco médio/baixo, focado em proteger a própria área. Latasa, atuando no centro do ataque, é a peça mais avançada do time do Castilla, e empurra a linha defensiva para trás. Assim, o espanhol prende um ou mais defensores adversários, dando liberdade para os meias circularem por trás dele. A partir disso, eles podem combinar jogadas entre si ou com os pontas. Quando a jogada é sucedida, Latasa rapidamente ataca a área, normalmente em diagonal, e antecipa os cruzamentos, como visto no lance contra o Atlético de Madrid no bloco anterior.

A outra situação parte quando o Castilla tem mais espaço, normalmente em um contra-ataque ou uma jogada rápida. Nesse ambiente, Latasa acompanha a velocidade do ataque e interpreta os espaços disponíveis para ele, A partir disso, o atacante aumenta o passo, bate os defensores e invade a área livre.

Jogada sai pela ponta direita (hachurada em azul). Latasa pede a bola, pronto para atacar a área. Observe o espaço disponível à frente dele.

O camisa 9 corre em diagonal (indicado pela seta), bate os marcadores e se prepara para receber a bola próximo da meia-lua.

Latasa entra livre na área, pronto para marcar, mas o passe sai longo demais.

Outro lance: jogada se desenrola com Jardí, pela ponta esquerda. Latasa, na linha da grande área, está marcado por dois.

Jardí consegue espaço para o cruzamento. Latasa sai de sua posição e corre em diagonal para o meio da área. Observe como o movimento rápido do espanhol já bate o primeiro defensor (em vermelho), e o deixa mano a mano com o segundo (em verde).

Latasa pula muito alto, sem chance para o zagueiro, e marca o primeiro gol do Castilla no jogo.

Latasa atacando: jogo sem bola

Por fim, Latasa também se mostra útil ao time quando se movimenta sem a bola para atrair marcadores e liberar espaços para seus companheiros. Por seu porte físico e sua explosão, Latasa é uma ameaça óbvia para os adversários, que normalmente dedicam seus zagueiros para limitar os espaços do espanhol. No entanto, essa postura normalmente deixa buracos na defesa, e como o Castilla costuma atacar com 4 ou mais jogadores, não faltam atacantes para explorar esses buracos. Normalmente, essa situação é mais explorada em contragolpes, quando a defesa precisa cobrir muitos metros e marca os atacantes de forma mais individual.

Latasa fixa dois zagueiros do Barcelona, que o acompanham na corrida. Em contrapartida, observe o espaço entre a dupla de zaga e o lateral que Arribas pode explorar.

Outro lance: Castilla com campo para correr, jogada saindo no centro do campo.

Latasa corre em diagonal, atacando a ponta direita. Perceba o movimento: saindo de uma posição mais central (azul e branco) para o lado do campo (azul). Assim, Latasa atrai a marcação de dois zagueiros e libera o espaço entre a dupla de zaga e o lateral para César.

Além disso, Latasa também é muito bom em interpretar os espaços disponíveis para receber a bola livre. Assim, seu jogo sem bola não serve apenas seus companheiros, mas também é uma arma para que ele consiga receber sem marcação. Nessas situações, Latasa precisa se mover rapidamente, sem que os marcadores percebam, e precisa resolver em um ou dois toques.

Jogada sai pelo lado esquerdo (hachurado em azul). Latasa, no centro do ataque, está marcado por um zagueiro e observado por outro.

Jogada se desenrola, Latasa percebe rapidamente o espaço (hachurado em branco) entre o zagueiro e o lateral e rapidamente se movimenta para lá.

Agora, Latasa está livre, longe dos 4 defensores mais próximos da jogada.

Jogada de linha de fundo: cruzamento para trás para Latasa, sem nenhum defensor para cortar o passe. Os zagueiros tentam alcançar o atacante, mas Latasa define rapidamente e abre o placar.

Que tipo de “9” é Latasa? É o reserva ideal para Benzema?

Latasa se destacou como um camisa 9 de área. Seu porte físico, altura e explosão são determinantes para um atacante que interpreta os espaços, vence seus marcadores no corpo ou na velocidade e define a jogada em poucos toques. Além disso, Latasa é muito bom com a bola no pé. Ele não se destaca pelos dribles, mas possui um bom equilíbrio e um ótimo domínio, além de um bom passe e um conforto razoável para receber a bola sob pressão. Essas características são perfeitas para um ótimo pivô: forte e alto, mas bom com a bola no pé e rápido nas decisões.

Porém, é preciso observar onde os outros centroavantes falharam no Real Madrid. O time se acostumou a jogar com Benzema, um 9 muito único: tem muita mobilidade e habilidade, sai da área e circula fora dela para achar espaços para si e para os companheiros e, em suma, é um armador no ataque. Além disso, Benzema ainda possui uma excelente presença de área, e sabe balancear seus movimentos para saber quando deixar o ataque e quando estar presente para definir as jogadas.

Os atacantes que o Real Madrid testou sofreram com essa falta de repertório. Quando os merengues usavam um centroavante mais avançado, como Jovic, perdia a figura do falso 9 armador, e a bola não chegava ao ataque. Quando era um falso 9, como Asensio, ou Hazard, o time perdia a presença de área.

Latasa não deixará a desejar na presença de área, mas há um sinal de alerta sobre a falta de mobilidade no ataque. O espanhol está acostumado a dar sequência às jogadas e até a deixar sua posição de 9 para ser mais uma opção de passe, mas não atua como um armador: Latasa está acostumado a jogar com atacantes por dentro, como os meias Arribas e Dotor, mas o Real Madrid atua com atacantes abertos, como Vinícius e Rodrygo, e com os meias mais recuados. Assim, Ancelotti deverá fazer algumas mudanças no ataque do time para encaixar Latasa sem maiores problemas.

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