Última Divisão
·20 de novembro de 2024
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A camisa era preta com uma faixa diagonal branca. Do lado esquerdo do peito, o distintivo com a sigla AAPP. Não havia dúvidas: aquela era uma camisa da Ponte Preta em campo.
E era mesmo. Só que o time vestindo aquelas camisas pretas literalmente não era a Ponte Preta. Era outro time.
Aconteceu em 1986, quando o Bragantino disputava a segunda divisão (equivalente à Série A2) do Campeonato Paulista. Na primeira fase, o Braga passou com relativa facilidade pelo Grupo Verde, conquistando o quinto lugar entre os 14 times participantes – os oito melhores avançavam. Os oito times foram divididos em dois quadrangulares na segunda fase, e o Bragantino avançou de novo ao liderar sua chave.
Na terceira fase, os oito clubes remanescentes fariam quatro confrontos de ida e volta para definir os classificados para o quadrangular final. Ao Bragantino, cabia a missão de encarar o EC São Bernardo.
Na ida, vitória do Bragantino por 1 a 0. Na volta, o ECSB venceu por 2 a 0. Como o saldo de gols não era critério de desempate, os dois times tiveram que fazer um terceiro jogo. Assim, o reencontro foi marcado para 14 de dezembro no Estádio Moisés Lucarelli, casa da Ponte Preta em Campinas.
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Chegado o dia, surgiu um problema: os dois times tinham uniformes muito parecidos, alternando faixas verticais claras e escuras nas camisas. Para piorar, ninguém havia levado uniformes reservas. O que fazer?
Coube à Ponte Preta, dona da casa, resolver o impasse ao emprestar uniformes – que acabaram vestidos pelo Bragantino. O São Bernardo atuou com as próprias camisas, com faixas verticais em preto e azul separadas por filetes brancos.
Nas arquibancadas, a torcida oriunda de Bragança Paulista era maioria entre os mais de 4,5 mil presentes que pagaram ingressos – os torcedores do ABC ficaram concentrados em apenas um setor. Só que o único bar aberto no estádio ficava do lado da torcida do ECSB, e a presença de bragantinos comprando bebidas era motivo de trocas de insultos dos dois lados. A Polícia Militar chegou a cogitar a possibilidade de fechar o bar, mas a ideia foi abandonada.
Com a bola rolando, o Bragantino bem que buscou a vitória, mas parou na superioridade tática do São Bernardo. Na melhor oportunidade, aos 23 minutos do primeiro tempo, Neca bateu falta que acertou o travessão do goleiro Paulo. Do lado do ECSB, Luiz Freire teve a chance de cabeça aos 13 minutos da etapa final, mas Biro-Biro salvou em cima da linha.
Com o 0 a 0 no tempo regulamentar, o jogo foi para a prorrogação, mas o gol insistiu em não sair. Melhor para o São Bernardo, que tinha a vantagem do resultado graças à melhor campanha ao longo do campeonato.
No quadrangular, o time de São Bernardo do Campo ficou em terceiro lugar e perdeu a chance de disputar o Campeonato Paulista de 1987. Bandeirante (Birigui) e Noroeste (Bauru), respectivamente campeão e vice, foram promovidos.
FICHA TÉCNICA EC São Bernardo 0 x 0 Bragantino
Local: Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas (SP) Data: 14 de dezembro de 1986, domingo Público e renda: 4.511 pagantes, Cz$ 90.220,00 Árbitro: José de Assis Aragão Gols: Nenhum Cartões amarelos: Zecão e Ica (SBE); indisponível Cartões vermelhos: Ica (SBE)
EC SÃO BERNARDO: Paulo; Pereira, Claudinho, Zecão (Sílvio) e Fernando; Pedrinho, Luiz Freire, Zé Roberto e Ica; Müller (Gilson) e Silvano Técnico: Zanzibar
BRAGANTINO: Delmar; Antonio Carlos (Ari), Iraci, Miro e Biro-Biro; Jackson, Éder, Neca e Souza; Luiz Carlos (Zé Roberto) e Almir Técnico: Indisponível