Coluna do Fla
·27 de março de 2025
Pontos fortes, fracos e estádio cheio: jornalista venezuelano faz raio-x sobre Táchira, 1º adversário do Flamengo na Libertadores

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·27 de março de 2025
Falta uma semana para a estreia do Flamengo na Copa Libertadores da América! Na próxima quinta-feira (03), o Mengão dá o pontapé inicial rumo ao tetracampeonato, contra o Deportivo Táchira (VEN), na Venezuela. Para conhecer melhor o adversário do Rubro-Negro na competição, o Coluna do Fla conversou com o jornalista venezuelano Joseph Ñambre, do site ‘Sports Venezuela’.
O repórter fez um raio-x sobre os pontos fortes e fracos do atual campeão venezuelano, destacou quem é o melhor jogador do time e o esquema tático favorito do técnico Edgar Pérez Greco. Além disso, o Coluna perguntou o motivo de a partida do último sábado (22), entre Táchira e La Guaira (VEN), valendo a taça da Supercopa, ter recebido pouco público. Porém, Ñambre garantiu que o Estádio Pueblo Nuevo estará cheio para ver o Flamengo.
“O jogo da Supercopa da Venezuela, que foi realizado pela primeira vez na história e que deixou La Guaira como campeão, não despertou tanto interesse nos fãs do Deportivo Táchira porque foi disputado durante a dupla rodada da FIFA (Eliminatórias da Copa) e as pessoas estavam mais atentas ao desempenho da Venezuela do que ao seu clube, que enfrentou o jogo com algumas ausências. Para o duelo com o Flamengo deve ser diferente, porque é um time com muita tradição e os fãs do ‘Carrusel Aurinegro’ são amantes do bom futebol”, explicou o jornalista venezuelano.
“Por isso, acredito que haverá muito mais gente nas arquibancadas na Copa Libertadores. Pode ser que o jogo seja disputado com estádio lotado, embora também influencie o aspecto econômico que meu país está atravessando, pois o poder de compra diminuiu e alguns torcedores priorizam alguns jogos sobre outros. O que é certo é que o jogo contra o Flamengo é um dos mais atraentes para os torcedores e, por isso, acredito que haverá milhares de pessoas no Pueblo Nuevo, um cenário que sediou jogos da Copa América 2007, que, por sinal, foi vencida pelo Brasil”, acrescentou Ñambre.
O treinador Edgar Pérez Greco não costuma ter um esquema tático definido, de acordo com o Ñambre. Apesar da preferência pelo 4-4-2, o Táchira tem variações durante o jogo. Além disso, o time venezuelano prioriza a defesa e gosta de povoar o meio de campo, com o objetivo de tentar atrapalhar a troca de passes dos adversários.
“É um time que não se apega a um sistema fixo, mas regularmente utiliza o 4-4-2 para ter mais solidez defensiva. Em momentos pode mudar para 4-2-3-1 ou 3-5-2, mas depende da situação que se apresenta no jogo. O técnico Edgar Pérez Greco não gosta de se apegar a um esquema tático, mas sempre busca aquele que lhe proporcione mais solidez defensiva e facilite a criação de jogadas, por isso gosta de fortalecer o meio-campo. Quando tem a posse da bola, também pode aplicar um 4-3-3, mas nunca descuida a defesa”, pontuou.
Na atual edição do Campeonato Venezuelano, o Táchira ostenta a segunda melhor defesa da competição, com quatro gols sofridos em oito jogos. Ñambre reforça que esse é o ponto forte da equipe. Por outro lado, o ataque é o pior entre os seis primeiros colocados da liga local, com nove tentos marcados. O jornalista destaca, também, a pouca precisão ofensiva do time, que ocupa a segunda posição, com quatro vitórias, três empates e uma derrota.
“Como analista, posso dizer que suas forças são a defesa e o meio-campo. É um time que tende a manejar bem a bola, para mantê-la um pouco longe de sua área e iniciar ataques de maneira gradual. Até agora, esse clube, dirigido por Edgar Pérez Greco, demonstrou que a fórmula de manter solidez na defesa foi eficaz, porque apenas sofreu quatro gols em seus primeiros oito jogos do Torneio Apertura 2025 da Liga FUTVE. Lá, o conjunto andino ocupa o segundo lugar da tabela, atrás do Deportivo La Guaira, seu algoz na Supercopa da Venezuela. Ambos somaram 15 pontos, mas El Naranja lidera a tabela por diferença de gols”, contou.
A parte menos forte do Deportivo Táchira é sua ofensiva, pois ainda não mostrou uma eficácia contundente no que diz respeito ao campeonato. Apesar de ter marcado uma boa quantidade de gols (9), em nenhuma de suas apresentações mostrou-se como uma máquina ofensiva e, de fato, é um time que cria várias oportunidades de perigo, mas converte poucas. Esse aspecto precisará ser corrigido, porque no torneio mais importante da CONMEBOL, não há margem para erros e, sem dúvida, errar finalizações em oportunidades claras para marcar pode fazer a diferença entre ser eliminado ou não da disputa”, acrescentou.
Deportivo Táchira x Flamengo se enfrentam na próxima quinta-feira (03), a partir das 21h30 (horário de Brasília), no Estádio Polideportivo de Pueblo Nuevo, na cidade de San Cristóbal. O Coluna do Fla transmite o duelo, ao vivo, no YouTube. Abaixo, você confere outras respostas do jornalista venezuelano Joseph Ñambre.
“Sem dúvida que é Maurice Cova. Ele é um meio-campista de corte defensivo que se ergueu como o pilar do clube nesta década, graças a sua liderança e dedicação em campo. É ídolo da torcida e, ao mesmo tempo, o líder do Deportivo Táchira em uma fase vitoriosa, pois possui quatro títulos com essa instituição. Foi nomeado Melhor Jogador da Liga FUTVE em 2023 e 2024 nos prêmios El Mundo Es un Balon. Foi convocado por Fernando Batista para jogar pela Venezuela na dupla rodada da FIFA”.
“Basicamente, o mesmo núcleo criado por Eduardo Saragó, o técnico que antecedeu Pérez Greco no Deportivo Táchira, foi mantido. É um elenco que joga juntos há cerca de três anos e se conhece bem em campo. Em 2024, a equipe não teve um bom Torneio Apertura, mas se reencontrou no Clausura e conquistou o título, e posteriormente o título absoluto da temporada. Jogadores como Roberto Rosales, ex-destaque da seleção da Venezuela, que chegou no ano passado e melhorou o conjunto, que também conta com destaque estrangeiros como os argentinos Lucas Cano, Mauro Maidana e Leandro Fioravanti. Em essência, é um grupo que tem experiência a nível doméstico e busca levar o sucesso da FUTVE para a Libertadores”.
“Para os fãs, e especialmente para os conhecedores do futebol venezuelano, foi uma agradável surpresa saber que o Táchira medirá forças com equipes com tradição vencedora como Flamengo e LDU de Quito, que foram monarcas da Libertadores, um troféu que nenhum time venezuelano conseguiu até agora. Obviamente, tanto a diretoria quanto os jogadores do Táchira sabem que o grupo será de alta exigência, pois também está presente o Central Córdoba, então se espera que o clube venezuelano tente obter resultados positivos em casa, para ter chances de avançar para a segunda fase, já que terá visitas complicadas. O certo é que é um grupo exigente e testará a qualidade de um elenco acostumado a competir neste evento internacional”.
“A missão do Deportivo Táchira é transcender neste torneio. Há algum tempo que os times venezuelanos não são competitivos na Libertadores e isso não está de acordo com os tempos atuais, nos quais o país se caracterizou por exportar vários atletas para ligas estrangeiras, como o Brasil, onde Jefferson Savarino e Yeferson Soteldo se destacaram com Botafogo e Santos, por exemplo. É um clube histórico que possui 11 títulos de liga (o segundo mais vitorioso da Liga FUTVE, atrás do Caracas, que tem 12 títulos) e sua obrigação é lutar para avançar de fase. De fato, seus fãs aspiram que, pelo menos, possa emular o que foi feito em 2004, quando, com César Farías como treinador, o Carrusel Aurinegro chegou às quartas de final, instância na qual foi eliminado pelo São Paulo liderado por Grafite, Luis Fabiano e Rogério Ceni. É uma oportunidade para que o clube transcenda na justa continental, para ratificar seu bom momento que incluiu conquistas em três das últimas quatro Ligas FUTVE (foi campeão nas temporadas 2021, 2023 e 2024)”.
“Na Venezuela, estamos cientes de que o Flamengo tem sido o grande time sul-americano dos últimos cinco anos, pois chegou a três finais e ganhou duas, para chegar a três títulos. Por essa equipe passaram jogadores míticos como Zico, Bebeto e Romário, entre outros, e atualmente é liderada por Nicolás de La Cruz, que é um titular indiscutível da seleção uruguaia, onde também atua outro de seus astros, Giorgian De Arrascaeta. Além disso, conta com Alex Sandro, que teve uma grande passagem pela Juventus. É um clube chamado a lutar pelo título mais uma vez”.
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