O Equador esteve no caminho do Galo em seu primeiro sucesso continental, a Copa Conmebol de 1992 | OneFootball

O Equador esteve no caminho do Galo em seu primeiro sucesso continental, a Copa Conmebol de 1992

Logo: Trivela

Trivela

O Atlético Mineiro viaja ao Equador para disputar uma competição oficial pela quarta vez em sua história. Nesta terça-feira, começa o duelo diante o Emelec, pelas oitavas de final da Copa Libertadores. As passagens pelo país são relativamente escassas, mas guardam boas histórias para os atleticanos. Afinal, Quito esteve no caminho do Galo rumo à sua primeira conquista continental. Em 1992, o clube comemorou pela primeira vez um troféu sul-americano, ao faturar a Copa Conmebol – na qual se sagraria bicampeão cinco anos depois. E aquela semifinal teria o confronto diante do El Nacional, tradicional representante equatoriano. Apesar da derrota no Estádio Olímpico Atahualpa, o Atlético deu o troco no Mineirão e avançou à decisão.

A Copa Conmebol inaugurava a sua história naquele ano de 1992. A competição tinha sido criada para preencher o calendário continental em paralelo à Libertadores e à Supercopa, reunindo as equipes de melhor classificação nos campeonatos nacionais que não estavam confirmadas na Libertadores. Assim, o Galo embarcou na primeira edição ao lado de Bragantino, Fluminense e Grêmio como representantes brasileiros. A lista de concorrentes reunia outros clubes tradicionais, como o Peñarol, o Olimpia, o Universitario de Lima e o Vélez Sarsfield.

O Atlético Mineiro abriu a campanha diante do Fluminense. A ida, sob mando dos cariocas, teve vitória tricolor por 2 a 1 em Juiz de Fora. Sérgio Araújo abriu a contagem para os atleticanos, mas Ézio garantiu a virada no fim. Dentro do Mineirão, o Galo começou a apresentar suas credenciais para buscar o título, ao golear por 5 a 1. Moacir e Aílton comandaram o triunfo com dois gols cada, enquanto Vônei também deixou o seu. Já nas quartas de final, um duelo duro contra o Atlético Junior, que atravessava bom momento no futebol colombiano. O Atlético conseguiu um valioso empate por 2 a 2 em Barranquilla, antes de emplacar um 3 a 0 dentro do Mineirão. Alfinete, Aílton e Sérgio Araújo comandaram o triunfo. Então, viria o embate diante do El Nacional, que havia sapecado um 4 a 0 sobre o Grêmio em Quito, durante a fase anterior.

O Atlético Mineiro era dirigido por Procópio Cardozo, antigo jogador do clube. Embora mais identificado com o Cruzeiro nos tempos de atleta, o comandante orientou o Galo em momentos marcantes, sobretudo à frente da equipe que brilhava a nível nacional na virada dos anos 1970 para os 1980. Já em campo, ainda contava com o apoio de João Leite, gigante na meta do Galo que vivia a última temporada de sua carreira. De qualquer maneira, era uma geração mais jovem que se consagrava naquele momento. Nomes como Sérgio Araújo, Éder Lopes, Moacir, Aílton, Ryuller e Paulo Roberto davam consistência ao Atlético. A equipe ainda reunia nomes rodados em outros clubes, como Alfinete e Luis Eduardo, além do talismã Negrini, que seria decisivo à empreitada.

Naquela época, o El Nacional era dirigido por Ernesto Guerra, um dos treinadores mais vitoriosos da história do clube. Seria ele o responsável por conduzir o fim de um jejum de seis anos no Campeonato Equatoriano, naquela mesma temporada de 1992. Dentro de campo, a equipe contava inclusive com nomes importantes da seleção. Juan Carlos Garay, Patricio Hurtado e José Maria Guerrero disputaram a Copa América de 1991 com o Equador. Não era um adversário tão simples, apesar do hiato de cinco anos ausente nas competições continentais.

O Atlético Mineiro não conseguiu segurar a barra em Quito e perdeu por 1 a 0. Aos 30 minutos do primeiro tempo, Guerrero marcou o gol decisivo para o El Nacional. Seria uma partida dura, inclusive com uma expulsão para cada lado. Listron Valencia e Éder Lopes foram para o chuveiro mais cedo. Ainda assim, pelo desastre que tinha acontecido com o Grêmio, a diferença mínima parecia reversível. A própria imprensa equatoriana tratava com preocupação as chances do Galo reviver.

Dentro do Mineirão, o Atlético Mineiro teve o apoio de 33 mil torcedores. E a resposta seria contundente, com a vitória por 2 a 0, que valeu a classificação. Durante o primeiro tempo, o Galo criou várias chances e contava com o talento de Sérgio Araújo. O gol saiu aos 29 minutos, num cruzamento de Paulo Roberto que Aílton fuzilou de cabeça. Já na segunda etapa, a reviravolta se confirmou com um bizarro gol contra de Dixon Quiñones – que pareceu se esquecer para qual lado atacava. Dava até para fazer mais, com Sérgio Araújo infernal nos dribles, mas a falta de pontaria nas conclusões impediu um triunfo mais confortável.

O Atlético Mineiro encarou o Olimpia na decisão da Copa Conmebol. Negrini marcou os dois gols na vitória por 2 a 0 dentro do Mineirão, enquanto a derrota por 1 a 0 no Estádio Manuel Ferreira não atrapalhou a festa em Assunção. Pela primeira vez, o Galo poderia se dizer campeão continental. E a sensação se repetiria, não apenas contra o Lanús em 1997, mas também no reencontro diante do próprio Olimpia na decisão da Libertadores de 2013. Aquela Copa Conmebol de 1992, de qualquer forma, possui um lugar especial na memória dos atleticanos.

Mais recentemente, o Atlético Mineiro voltou ao Equador outras duas vezes. Encarou o Independiente del Valle na fase de grupos da Libertadores em 2016 e também em 2022. Não foram bons resultados, com uma derrota por 3 a 2 e um empate por 1 a 1, embora os alvinegros tenham vencido ambos os embates dentro de Belo Horizonte. Agora, diante do Emelec, ressurge a chance de registrarem o primeiro triunfo em solo equatoriano. O favoritismo é do Galo.

Mencionados neste artigo

Saiba mais sobre o veículo