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Nos 81 anos do Rei, Parreira relembra histórias com Pelé: ʽGente como a genteʼ

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No dia 23 de outubro de 1940, nascia, na cidade de Três Corações, no interior mineiro, Edson Arantes do Nascimento. Os inúmeros fãs espalhados por todo o mundo podem chamá-lo de Pelé, mas ele também atende pela alcunha de “Rei do Futebol”. Neste sábado (23), o maior jogador de todos os tempos celebra 81 anos de idade, e o Jogada10 traz uma entrevista exclusiva com um personagem que presenciou o melhor do craque bem de perto: Carlos Alberto Parreira.

Pelé completa 81 anos neste sábado. Ele é o melhor de todos os tempos – Ricardo Stuckert/CBF

Treinador campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1994, Parreira foi preparador físico do Brasil durante a Copa de 1970, ano do tricampeonato mundial, no México. O ex-técnico não deixou de mencionar como era excepcional e incrível o camisa 10, mas preferiu falar de outro Pelé, o homem, “gente como a gente”.

“Foi excelente, excepcional. Falar do Pelé jogador é redundante, melhor do mundo, o maior, não vi nada ou ninguém igual ao Pelé, mas eu gosto de falar do Pelé gente como a gente. Em 70, o Pelé já tinha 30 anos, era consagrado, com o treinamento de preparação para a Copa do Mundo, foram cinco meses de convivência. Pelé foi simplesmente mais um do grupo. Nós éramos bem jovens, eu tinha 27 anos, ele  tinha 30. A consideração que ele tinha com os preparadores físicos, com a comissão técnica, com todo mundo, era muito grande. Então, essa é a lembrança que eu tenho. Gente como a gente, profissional maravilhoso, companheiro, um cara pronto para ajudar, para colaborar com o grupo e obstinado. Ele queria voltar a ser campeão do mundo, se preparou muito e fez aquela Copa extraordinária.”

Quem conviveu com Pelé não esquece. Ainda mais quem viu uma atuação em nível tão elevado como foi a do camisa 10 naquela Copa do Mundo de 1970. Em grande fase, muitos questionam se o Rei ainda poderia ter jogado o Mundial de 1974 e ajudado o Brasil, quem sabe, a conquistar o tetracampeonato mais cedo. Parreira foi simples e objetivo em defesa do craque. Pelé não precisava provar mais nada naquela época da carreira.

“Pelé, em 74, já estava com 34 anos. Eu respeito a decisão dele. Não é que ele não quis disputar a Copa, ele nunca respondeu por que decidiu não aceitar o convite. A responsabilidade seria muito grande. Eu não recrimino a atitude dele. Pelé jogou 4 Copas do Mundo, em 58, 62, 66 e 70; ganhou três vezes. Então, entendo perfeitamente a atitude dele. Com 34 anos, não era mais um garoto. Colocariam toda a  responsabilidade nos ombros dele. Eu nunca perguntei a razão. Ele apenas não aceitou a convocação. Não se pode dizer que ele não ajudou a Seleção, ele foi tricampeão do mundo, não precisava provar mais nada.”

Campeão do Mundo em 1970, Pelé decidiu não disputar a Copa de 1974 – Arquivo/El Gráfico

O ex-técnico também rebateu os rumores de que Pelé é mais apreciado no exterior do que no Brasil. Para Parreira, todos sabem quem é Edson Arantes do Nascimento na história do futebol .

“Não acredito nisso. Lá fora e aqui no Brasil também, as pessoas têm conhecimento. Na imprensa, sempre que alguém fala do Pelé, é apenas elogio. Não tem como não elogiar o Pelé. Sabem o que ele fez. Um cara que ganhou três Copas do Mundo. O reconhecimento é grande e igual em todos os lugares.”

Um símbolo. Um marco. Pelé deixou não só o seu próprio legado, mas ajudou a construir o da Seleção Brasileira, tão respeitada e admirada por todos e maior campeã do mundo, com cinco títulos conquistados. Parreira pontua que, graças ao Rei, o Brasil é visto com olhares diferentes, com um jogo mais bonito, mais alegre e mais vencedor.

“Ele é um símbolo do melhor. Quando você quer uma referência, é o Pelé. É um paradigma. Um modelo. O jogador que foi o melhor dentro de campo, foi grande fora do campo e tem um nome que ajudou a deixar um legado para o futebol brasileiro. Fiquei 22 anos fora do Brasil. Logo depois que eu fui, em 76, falava do futebol brasileiro, já falavam Pelé. Realmente, ele deu uma nova dimensão ao Brasil. A dimensão da qualidade, da excelência, da habilidade, do campeão e do vencedor. Ele já foi brilhante em 1958, tudo que ele fez com 17 anos. Aqueles dribles, aquele chapéu dentro da área, dois gols em uma final de Copa do Mundo, o Pelé foi o primeiro, com 17 anos, a fazer dois gols em uma final. Ele deixou esse legado e ajudou a divulgar o futebol brasileiro.”

Parreira (primeiro à esquerda) credita Pelé como um símbolo do esporte e do futebol brasileiro – Acervo C.A. Parreira

Antes de encerrar a entrevista, Parreira fez questão de deixar sua mensagem de feliz aniversário para o Rei do Futebol e relembrou algumas histórias do Pelé “gente como a gente”.

“Eu quero dar os parabéns a ele, pelos 81 anos, pelo privilégio de ter trabalhado com ele. Nos encontramos muitas vezes. Quando fui técnico na Arábia Saudita, fiquei 14 anos por lá e ele sempre aparecia para eventos promocionais. Quando a gente se encontrava, ele sempre dizia: ‘Professor, que prazer revê-lo’. Um cara por quem eu tenho a maior admiração mesmo. Em outro evento no Rio de Janeiro, a minha filha queria tirar uma foto com ele, fomos chegando perto e, quando ele me viu, foi extremamente carinhoso. Disse para minha filha: ‘Seu pai foi muito bom para a gente, ajudava muito nos treinamentos’. E tirou foto com ela. Então, é esse cara que eu admiro. Quero dar a ele os parabéns, que ele seja muito feliz e que fique muito tempo com a gente. Que se recupere o mais rápido possível.”

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