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Nem tão bem que empolgue, nem tão mal que demita

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E o Flamengo venceu o Goiás, por 1×0, dentro do Maracanã, com um gol de Pedro na bola cruzada por Matheuzinho.

Não que o Flamengo tenha jogado muito bem. Poucas chances foram criadas, a posse de bola não resultava em oportunidades, mais uma vez Gabigol, após acordar de sonhos intranquilos, se viu metamorfoseado em “Gabipasse”, já que sua principal função vem sendo aparecer junto aos volantes para carimbar a bola com um toquinho – ainda que tenha dado um lindíssimo passe no primeiro gol.

Por ao menos 15 minutos tomamos uma pressão desnecessária de um time cujo grande recurso era “bicar a bola pro Apodi correr” e novamente o Flamengo pareceu se ausentar espiritualmente da partida durante o segundo tempo.

Pablo, o colosso de tranças que vem conquistando a Nação

Foto: Marcelo Cortes / Flamengo

Mas também não foi um jogo horrível. Afinal, ganhamos, os três pontos foram conquistados, parecemos ter finalmente descoberto qual é a nossa defesa titular, com Ayrton, Pablo, Rodrigo Caio e Matheuzinho e o lateral-direito, por sinal, vem se mostrando uma importante arma ofensiva e possivelmente assumindo de vez a posição, quebrando esse feitiço de Áquila da ruindade que ela metade dos jogos com Rodinei e metade com Isla.

Mas a verdade é que partidas como essa, uma vitória com pouco brilho contra um adversário fragilizado, parecem ser um pouco o resumo do trabalho de Paulo Sousa até aqui no Flamengo. Não faz nada brilhante, nada que empolgue, nada que permita que o rubro-negro não lunático acredite em títulos. Mas também não cai abaixo do nível do ridículo, não sofre aquela goleada degradante, não falhou ainda naquele mata-mata capaz de selar o destino de um treinador.

Então o que se vê é um Flamengo que vive de altos e baixos, com altos que não são altos o bastante para você se exaltar mas baixos que também não são o bastante para causar algum tipo de ruptura.

Matheuzinho foi um dos destaques da partida e não merece ser banco para Rodinei ou Isla

Foto: Marcelo Cortes / Flamengo

A equipe de Paulo Sousa vai perder diante de times mais bem organizados? Sim, mas não vai tomar uma goleada. Vai vencer diante de times mais fragilizados? Claro, mas não de maneira a garantir a confiança no treinador. O clube vai viver crises internas, capazes de dar a sensação de que Sousa está sendo fritado? Toda semana, mas elas não vão ser grandes o bastante pra que ele saia do cargo. Jorge Jesus vai dar declarações bombásticas na mídia? Apenas quando abrir a boca, mas não bombásticas o bastante pra que depois todo mundo não possa fingir que não foi nada demais.

Então o que o Flamengo vive hoje acaba sendo um processo quase inédito no futebol brasileiro, que é a demissão tântrica de treinador. Parece que que Paulo Sousa pode ser demitido a qualquer hora, mas ele não é. Os boatos sobre um novo treinador já são discutidos abertamente, mas seguem sendo só boatos. A torcida vaia o homem durante a escalação e pede Jorge Jesus, mas Paulo Sousa apenas sorri, acena e continua chamando Andreas pra aquecer. Se antes o Flamengo demitia em 15 minutos porque e ainda alegava que “foi rápido assim porque essa rescisão é gostosa demais”, a sensação é que a diretoria parece ter descoberto que sente menos prazer com a demissão em si e mais com a angústia que a incerteza da demissão pode proporcionar.

O Flamengo hoje é um clube em constante crise, com um goleiro titular vaiado antes de entrar em campo, um goleiro reserva brigando com o técnico, um técnico retrucando na imprensa, uma torcida que chegou ao ponto de torcer pela derrota pra que aconteçam mudanças no comando da equipe e do clube. E não que vitórias não ajudem a amenizar situações assim, mas no atual cenário vamos precisar de bem mais do que 1×0 contra o Goiás.

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