Morata reencontra velhos conhecidos e volta à Juventus para resgatar seus bons momentos como um coadjuvante decisivo

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Álvaro Morata não é o atacante dos amores de muita gente, mesmo com uma carreira consolidada em grandes clubes. O espanhol defendeu apenas equipes representativas como profissional, mesmo sem números tão impressionantes. E depois de uma temporada positiva no Atlético de Madrid, que serviu para recuperar o seu prestígio, o centroavante volta ao clube em que experimentou seu melhor momento dentro de campo: aos 27 anos, Morata vestirá novamente a camisa da Juventus, como uma das prometidas alternativas à linha de frente no elenco treinado por Andrea Pirlo.

Morata chega à Juventus inicialmente por empréstimo, em acerto que custou €10 milhões à Velha Senhora. Ao final desta primeira temporada, os bianconeri poderão acertar a compra por €45 milhões. O empréstimo também pode ser renovado por mais um ano por €10 milhões, o que reduziria a nova opção de compra para €35 milhões.

A transferência acontece na esteira do imbróglio envolvendo Luis Suárez. O uruguaio não conseguiu ser aprovado no processo para obter a cidadania italiana, em meio a acusações de fraude, e acabou descartado pela Juve. Entretanto, o Pistolero entrou na mira do Atlético de Madrid e Morata virou um nome dispensável pelos colchoneros, mesmo contratado em definitivo nesta janela. Assim, os bianconeri aproveitam a oportunidade para buscar outro centroavante na Espanha. Diante do interesse dos juventinos, Morata também dava preferência à saída, já que sua relação com Diego Simeone não é das melhores. Em Turim, reencontraria um ambiente onde se deu bem.

Em duas temporadas na Juventus, Morata foi uma peça versátil no ataque. Não era titular absoluto, mas funcionava bem na equipe de Massimiliano Allegri, como um coadjuvante. Oferecia mobilidade à linha de frente e contribuía ao trabalho dos companheiros. Em duas edições da Serie A, somou 15 gols e 12 assistências. Mas o ápice aconteceu mesmo na Champions 2014/15, quando anotou gols decisivos para eliminar o Real Madrid na semifinal. Também deixou sua marca na decisão contra o Barcelona.

Clube formador de Morata, o Real Madrid buscou o atacante de volta em 2016/17. Novamente seria um coadjuvante e se sairia muito bem na temporada mais vitoriosa da Era Zidane, com os títulos de La Liga e da Champions. Contribuiu com 18 gols em ambas as campanhas, o que fez o Chelsea levá-lo para ser a referência de seu ataque. Não deu certo, apesar de um ótimo começo. Neste sentido, o Atlético de Madrid seria importante para resgatar um pouco do moral de Morata. O desempenho do atacante não foi estrondoso no Metropolitano, mas ele desfrutou da confiança de Simeone até meados da atual temporada.

Nesta janela de transferências, o Atlético de Madrid comprou Morata em definitivo por €56 milhões – um preço alto ainda mais para o momento de crise, mas estipulado em cláusula obrigatória antes da pandemia. Porém, com a chance de trazer Luis Suárez, os colchoneros priorizam um atacante mais tarimbado para protagonizar a equipe. Morata vai para a Juventus e até parece ajudado neste sentido. Acaba em um clube no qual volta a ser menos visado e poderá recuperar sua utilidade em momentos pontuais – como foi em suas temporadas mais notáveis.

Morata jogará sob as ordens de Pirlo, seu antigo companheiro na Juve. Também se reencontrará com Cristiano Ronaldo, com quem dividia o ataque no Real Madrid. As possibilidades na linha de frente juventina são amplas, também com Paulo Dybala e Dejan Kulusevksi. Em compensação, diminuem as especulações em relação a outros nomes pretendidos pelos bianconeri, como Edin Dzeko e Moise Kean. Ao que deseja a Velha Senhora, o espanhol tende a dar conta do recado, mesmo não sendo o nome mais midiático.

Afinal, Morata pode ser uma boa peça complementar a qualquer um dos jogadores à disposição. É mais jovem que Dzeko ou Suárez, mas também mais experimentado que Kean. Não se importa em ser mais um na linha de frente e se empenha bastante sem a bola, para apertar a saída dos adversários. E também ajuda com sua movimentação. Obviamente, Dzeko ou Suárez são mais regulares e mais capazes de fazer a diferença. De qualquer forma, a quem já conta com Cristiano Ronaldo, buscar um coadjuvante não parece ser problema. E isso Morata sabe fazer bem, com seus lampejos que os juventinos tão bem lembram.

Adaptação não será questão a Morata, assim como a torcida certamente terá mais paciência com o novo atacante, dado o seu histórico na Juventus. Difícil imaginar outro clube que colocará expectativas tão grandes sobre o espanhol como fez o Chelsea. Mas, como um bom escudeiro, o centroavante parece capaz de possibilitar a esperada melhora da Velha Senhora sob as ordens de Pirlo. O atacante volta para evocar os bons momentos – seus e do clube, já com uma sequência favorável por aquilo que vivia no Atlético de Madrid.