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·26 de setembro de 2023

Marcos Paulo Neves: A vida imita a arte

Imagem do artigo:Marcos Paulo Neves: A vida imita a arte
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É comum nos depararmos, principalmente no cinema estadunidense, com filmes de esporte que contam uma saga vitoriosa de um ou mais protagonistas. Esse tipo de filme reforça a ideia muito presente no cinema: conquista através do esforço e do mérito. Coach Carter, Moneyball, Rocky, são exemplos onde vemos um protagonista desacreditado vencer esportivamente. Obviamente a vida real é bem mais complexa que um filme. Porém, no último domingo (24), o Estádio do Morumbi presenciou, na partida entre Flamengo e São Paulo, algo semelhante a um roteiro de cinema.

No início deste ano, Dorival Júnior não teve seu contrato renovado com o Flamengo, mesmo tendo conquistado a Copa do Brasil e a Libertadores pelo clube no ano anterior. Através de uma enorme desvalorização do seu trabalho pela atual diretoria e alguns setores da mídia, Dorival foi chutado com uma enorme falta de respeito por tudo o que fez ao clube numa temporada que parecia perdida.


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De lá pra cá, o Flamengo viveu uma péssima temporada com Vitor Pereira e Jorge Sampaoli, perdendo absolutamente todos os torneios disputados. Fora de campo, brigas do elenco, tentativas de golpe do presidente Rodolfo Landim e agressões de Marcos Braz a um torcedor deram a pá de cal na pior temporada do Flamengo pós-Jorge Jesus.

Dorival, por outro lado, acertou com o São Paulo em abril e deu outra cara ao time. Com um elenco mais enxuto e uma temporada que passa longe da perfeição, fez o time chegar à final da Copa do Brasil e a quase alcançar as semis da Copa Sul-Americana.

Na final da primeira, o roteiro estava criado: enfrentou a equipe que havia sido multicampeã há pouco tempo, e cuja diretoria era composta por quem duvidou de seu potencial. O resultado foi Dorival dando ao São Paulo uma inédita Copa do Brasil, carimbando o fracasso da temporada do seu ex-clube. A vitória também serviu para ilustrar aquilo que já era sabido: Dorival é um técnico bastante competente e que poderia ter tirado mais desse elenco do Flamengo, evitando alguns dos vários vexames no ano.

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Dorival, que durante o ano deixou claro o respeito por tudo que fez no Flamengo, lembrou a forma como foi tratado quando saiu do Rubro-Negro. “Joguei contra meus ex-comandados. Só fico um pouco chateado porque ganhamos aquelas competições e dizíamos que era um arroz e feijão. E que o arroz feijão e qualquer um faria igual pelo elenco do Flamengo”.

“Um mês depois, por incrível que pareça, quando a mesma equipe não alcançava os resultados da disputa do Mundial, precisava de reforços e, ainda assim, foi campeã da Copa do Brasil e Libertadores. Estranhei as atitudes, colocações de muitos que diziam que 30 dias antes era o melhor elenco da América e que ganharia. Foi muito estranho tudo o que aconteceu. Tentando uma desqualificação do trabalho desenvolvido”, complementou.

Hoje, Dorival venceu mais uma vez. E engana-se quem acha que isso aconteceu por ele ser o “protagonista” deste roteiro. Venceu porque é um técnico bastante qualificado e que soube tirar o melhor do São Paulo, diferentemente do que ocorre com o Flamengo, terrivelmente gerido pelas péssimas e amadoras escolhas de Braz e Landim.

Marcos Paulo Neves é professor e historiador formado pela UNIRIO. Apaixonado por futebol e pelo Clube de Regatas do Flamengo, procura falar sobre futebol, política e história de maneira clara e não revisionista.Siga Marcos Paulo Neves no Twitter.

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