Lukaku: “As redes sociais precisam se reunir com jogadores, clubes e governos para realmente parar os ataques racistas” | OneFootball

Lukaku: “As redes sociais precisam se reunir com jogadores, clubes e governos para realmente parar os ataques racistas”

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Romelu Lukaku é uma figura essencial no combate ao racismo dentro do futebol – por sua história, por sua importância, por sua postura. E o atacante deu uma entrevista forte à CNN nesta quinta-feira. Segundo o belga, as redes sociais podem e devem fazer mais para atacar o problema dos abusos online contra jogadores. A sugestão do astro é que os executivos dessas companhias se encontrem com jogadores, clubes, dirigentes e governos para que medidas contundentes sejam tomadas. Lukaku usou inclusive o exemplo da Superliga Europeia, que perdeu créditos depois de uma ação massiva em apenas um dia, enquanto nada parecido acontece para lutar contra o racismo.

“Se você quiser parar algo, você realmente pode fazer isso – mas os donos das redes sociais não fazem, porque é um ciclo vicioso. Há muita coisa envolvida. Você pode parar a Superliga em um dia, mas não pode parar o racismo ou rastrear alguém que fez o insulto em meia hora. Isso não tem lógica para mim. É por isso que, como jogadores, podemos boicotar as redes sociais, mas acho que essas companhias precisam conversar com os times, ou com os governos, ou com os jogadores e achar uma maneira de parar isso, porque realmente acho que elas podem”, assinalou Lukaku.

“Os capitães de cada equipe, e quatro ou cinco jogadores, como as grandes personalidades de cada clube, deveriam ter uma reunião com os CEO’s do Instagram e com representantes do governo, bem como da Football Association e da Professional Footballers Association. Deveríamos sentar ao redor da mesa e ter uma grande reunião sobre o assunto”, complementou. “Temos que pensar como podemos atacar esse problema de imediato, não apenas no futebol masculino, mas também no feminino. Acho que todos temos que nos juntar e ter uma grande reunião, uma conferência, apenas para conversarmos sobre o que deve ser feito para proteger nossos jogadores, assim como os torcedores e os jovens que desejam se tornar futebolistas profissionais”.

Em outra entrevista anterior à CNN, Lukaku tinha falado sobre sua impressão de que o racismo atinge seu ápice no futebol, exatamente pela inação das empresas que gerenciam as redes sociais: “O racismo no futebol atravessa seu pico em todos os tempos. Por quê? Por causa do alcance das redes sociais agora, que eleva isso a outro nível”, analisou. “É neste ponto que percebo que esse mundo é um lugar ruim, porque se esse tipo de coisa ainda é tolerada em 2021, estamos tornando um lugar ruim. Você vê muita diversidade em qualquer lugar do mundo, times de futebol cheios de diversidade, seleções cheias de diversidade. Então por que continuamos aceitando isso?”.

O Chelsea está lançando uma campanha para incentivar a diversidade, chamada “No To Hate”. A intenção do clube é encorajar torcedores ao redor do mundo para que mandem suas fotografias e representem as diferenças ao redor da comunidade, como uma maneira de aproximar pessoas contra o ódio e a discriminação. A ideia é até mesmo rebater o histórico preconceituoso entre os torcedores que frequentavam Stamford Bridge principalmente na década de 1980.

“Acho que nós, do presidente aos jogadores, como clube, estamos fazendo uma declaração e assumindo uma posição de que esse tipo de coisa não é tolerável. No nosso time, temos muitos jogadores de diferentes nacionalidades que representam o clube, de diferentes cores de pele, de diferentes religiões – também na equipe feminina, onde acontece o mesmo. Penso que, como clube, devemos ser um exemplo para os outros times e dizer que, sempre que uma forma de discriminação acontecer, o clube tomará uma posição firme e processará tudo o que acontecer nas arquibancadas”, afirmou Lukaku.

Sobre medidas realizadas na Premier League, Lukaku questionou a efetividade do ato de se ajoelhar antes dos jogos. Alguns jogadores deixarão de repetir o gesto, como Marcos Alonso, que prometeu exibir uma mensagem antirracista em seu uniforme. “Acho que podemos assumir posições mais fortes, basicamente. Sim, estamos nos ajoelhando, todo mundo está batendo palmas, mas às vezes depois do jogo você vê outro insulto”, disse Lukaku. “Para ser honesto, não vejo muito progresso nas ações realizadas dentro do futebol. Vejo campanhas e todas essas coisas, mas não há ações reais sendo tomadas. Acho que na Itália, quando aconteceu comigo, algo foi feito porque a Serie A realmente falou comigo e com meu time. E nós basicamente tentamos educar as pessoas na Itália que isso não é bom. Quando isso aconteceu, acho que gerou mudanças”.

Por fim, Lukaku reiterou como seguirá com uma posição firme em relação ao racismo: “Não me canso da luta. Eu tenho que lutar. Porque não estou lutando apenas por mim mesmo, estou lutando pelo meu filho, pelos meus futuros filhos, pelo meu irmão, por todos os outros jogadores e seus filhos – você sabe, por todo mundo. No fim das contas, o futebol deve ser um jogo divertido. Você não pode matar o esporte por causa da discriminação. Isso nunca deveria acontecer. Futebol é alegria, felicidade e não deve ser um lugar onde você se sente inseguro por causa da opinião de algumas pessoas sem educação”.

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