Longe de emplacar no Chelsea, Werner tentará reencontrar seu melhor futebol na volta ao Leipzig | OneFootball

Longe de emplacar no Chelsea, Werner tentará reencontrar seu melhor futebol na volta ao Leipzig

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Timo Werner será lembrado no Chelsea de maneira negativa, e mesmo a conquista da Champions League pelo clube não mudará a impressão. O atacante até ofereceu gols e assistências importantes, assim como potencializou a velocidade da equipe nos primeiros meses com Thomas Tuchel. Porém, bem mais lembrados são os gols perdidos, os inúmeros impedimentos e a falta de confiança. Numa relação que dificilmente sofreria uma guinada, o camisa 11 faz bem de voltar para a antiga casa. Nesta terça-feira, o RB Leipzig anunciou o retorno de Werner, com novo contrato por quatro anos. Os Touros Vermelhos pagam €20 milhões, menos da metade dos €53 milhões desembolsados pelos Blues em 2020. O valor também é mais baixo que os €22 milhões pagos ao Stuttgart em sua chegada à Red Bull Arena em 2016.

Mesmo com todos os poréns dos últimos dois anos, Timo Werner é uma ótima contratação do RB Leipzig. Aos 26 anos, o atacante permanece com tempo para atuar em alto nível. Além disso, chega a um ambiente que conhece muito bem e que oferece bem menos pressão do que a encarada em Stamford Bridge. Terá menos cobranças, bem como novos protagonistas para dividir as responsabilidades. Não é de se duvidar que, numa equipe mais direta como a de Domenico Tedesco, o alemão volte a triunfar. Para tanto, precisará recobrar a confiança – um claro entrave ao longo de sua estadia no Chelsea.

Chances não faltaram a Werner no Chelsea. E o atacante teve seus momentos de destaque, sobretudo pela forma como puxava a marcação e abria espaço aos companheiros – o que ajudou Kai Havertz na final da Champions, por exemplo. Contudo, à medida que os gols perdidos se repetiam e as bolas nas redes acabavam anuladas por impedimentos, sua segurança parecia minada. Thomas Tuchel deu respaldo ao compatriota de início, mas a relação instável do jogador em Stamford Bridge tornava cada vez mais difícil uma retomada. Melhor então que mude de ares e tente deixar para trás as frustrações. Em 89 aparições pelos Blues, Werner marcou 23 gols e distribuiu 21 assistências. Não são números ruins, mas ficaram aquém das expectativas e o desempenho também caiu na última temporada, atrapalhado pelas lesões. Não valia o salário, entre os mais altos do elenco londrino.

Um sinal mais claro de que Werner poderia sair do Chelsea veio durante a pré-temporada. O alemão deu uma entrevista sugerindo que “deveria jogar mais” para estar em boa forma para a Copa do Mundo e que achava que “em muitos jogos não estava nos pensamentos de Tuchel”, então tentaria mudar isso. O treinador se disse surpreso pela manifestação, apontando que ele “deveria estar feliz por ter um contrato com o Chelsea” e que “precisava defender seu lugar”. Ficou o ruído, piorado após a goleada sofrida para o Arsenal, quando o atacante foi substituído no intervalo. Ele sequer seria relacionado para a estreia na Premier League.

Apesar dos pesares, Werner não deixa o Chelsea como uma figura execrada. Nunca chegou a ter as costas viradas contra si, mesmo que existisse uma ponta de decepção. Sua situação, no fim das contas, nem é muito nova para esse período endinheirado do clube. Não foi muito diferente o que aconteceu com Andriy Shevchenko e Fernando Torres – guardadas as devidas proporções em relação a dois centroavantes incomparavelmente melhores e maiores que o alemão nos períodos anteriores à contratação pelos Blues.

Werner também não era um atacante infalível nos tempos de RB Leipzig, cabe lembrar. Contudo, conseguia criar muitas oportunidades de gol e acabava com uma taxa de conversão razoável, o que impulsionava seus números. Foram quatro edições consecutivas da Bundesliga com dois dígitos em gols, chegando ao ápice dos 28 tentos em 2019/20. É uma competição com mais espaços e na qual os Touros Vermelhos aproveitam bem a aceleração de sua linha de frente. Isso pode auxiliar a recuperação de Werner, sobretudo pela chance de dividir responsabilidades com novos talentos como Christopher Nkunku e Dominik Szoboszlai.

E as marcas de Werner pelo RB Leipzig são inegavelmente melhores. O atacante é o maior artilheiro na breve história do clube, com 90 gols em 156 partidas, além de 40 assistências. Chegou como uma interessante promessa do Stuttgart e se aprimorou na Red Bull Arena, especialmente pela forma como deixou de atuar pelo lado de campo para entrar mais centralizado. Parecia preparado a um salto maior quando saiu ao Chelsea, mesmo que precisasse melhorar aspectos de seu jogo. A volta para a Alemanha, ainda assim, não é de todo ruim. Poderá se readaptar num clube ambicioso e com campanhas costumeiramente consistentes.

A saída de Timo Werner é uma boa notícia inclusive para a seleção da Alemanha. Mesmo com as dificuldades no Chelsea, o atacante permaneceu respaldado por Hansi Flick e foi titular desde a chegada do novo treinador. Os números pelo Nationalelf são bons, aliás. Sob as ordens de Flick, Werner anotou seis gols e deu uma assistência em 11 aparições. Tal confiança também poderá ter seu peso na caminhada rumo à Copa do Mundo, para a qual se coloca como nome praticamente certo.

Em suas primeiras declarações, Werner ainda tratou de forma positiva a estadia no Chelsea: “Estou muito feliz por voltar ao RB Leipzig. Foi um grande período de 2016 a 2020, quando causamos sensação como novatos na liga. Foi uma despedida digna para mim sair como maior artilheiro. Mas isso também é um pouco parte do passado e agora estou olhando para o futuro, porque o RB Leipzig se desenvolveu como eu nos últimos dois anos. Tive dois grandes anos pelo Chelsea, pelos quais sou muito grato e que foram coroados com o título da Champions. A experiência de jogar em outro país e numa liga diferente me ajudou. Estou ansioso pela nova temporada e principalmente para reencontrar os torcedores, que têm um significado especial para mim. Temos muito planos juntos e, logicamente, quero ser o primeiro touro a quebrar a marca de 100 gols”.

Já o diretor comercial, Florian Scholz, indica que Werner adequou seu salário para voltar: “A contratação de Timo Werner é especial para nós. Tivemos quatro grandes anos juntos em Leipzig, nos quais Timo se tornou artilheiro do RBL e jogador da seleção. Seu retorno também tem um enorme significado para nossa torcida, porque Timo era um ídolo e uma figura identificada. Para além da questão esportiva, o comprometimento de Timo também faz total sentido para nós, devido às condições de enquadramento financeiro e termos de contrato. Agora queremos construir o tempo de sucesso juntos e alcançar os objetivos do Leipzig com sua ajuda”.

O Leipzig investiu €58 milhões na atual janela de transferências. Werner é a principal novidade para o ataque – já que Benjamin Sesko desembarcará apenas em 2023/24. Os Touros Vermelhos também compraram David Raum, Xaver Schlager e Janis Blaswich. O mercado ainda assim é superavitário, com €74 milhões em vendas – Tyler Adams, Hwang Hee-chan, Brian Brobbey, Nordi Mukiele, Ademola Lookman e Angeliño estão entre os que saíram. O elenco se sugere mais forte que na temporada passada, além de contar com a continuidade de Domenico Tedesco após um ótimo semestre.

Já o Chelsea libera caixa para buscar novas soluções para o ataque. Até pela chegada de Raheem Sterling, Werner possivelmente teria menos espaço, mas os Blues ainda precisam de um centroavante. As contratações dos londrinos incluem Marc Cucurella, Kalidou Koulibaly e Carney Chukwuemeka. Outro setor necessitado é a zaga, especialmente após as despedidas de Antonio Rüdiger e Andreas Christensen.

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