História: Libertadores – A trajetória da Glória Eterna | OneFootball

História: Libertadores – A trajetória da Glória Eterna

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Palmeiras e Flamengo vão decidir a final da 62ª Copa Libertadores da América, neste sábado (27), às 17h no Estádio Centenário em Montevideo, no Uruguai. O torneio continental sul-americano fez 61 anos em 2021 e possui uma história rica e cheia de curiosidades.

A primeira edição do campeonato foi realizada em 1960 (àquela época chamado de Copa dos Campeões da América pois o nome que conhecemos hoje só foi decidido em 1965) foi conquistado pela equipe uruguaia do Peñarol, que derrotou o Olimpia (PAR) na final.

A competição contava com apenas sete equipes participantes, uma vez que o evento reunia todos os times campeões nacionais da América do Sul. O primeiro representante brasileiro na história da Libertadores foi o Bahia, que havia sido campeão da Taça Brasil de 1959.

Peñarol – Primeiro campeão da Libertadores em 1960.

Já na segunda edição o Palmeiras estreava no campeonato graças a conquista do título brasileiro de 1960. E chegava pra ficar, pois a equipe alviverde de Djalma Santos e Julinho Botelho chegaram à final. Ao longo da competição, o Palmeiras eliminou o Independiente (ARG) nas quartas de final, o Independiente Santa Fe (COL) na semifinal e disputou a decisão contra o Peñarol (URU).

Na grande final, o Verdão perdeu de 1 a 0 no primeiro jogo e empatou em 1 a 1 o segundo, resultados esses que lhe renderam o vice-campeonato. Apesar do revés, a equipe dirigida pelo argentino Armando Renganeschi deixou sua marca na competição, pois foi o primeiro time brasileiro a chegar a uma final de Libertadores.

Estreia honrosa do Palmeiras em Libertadores, chegando à final contra o Peñarol, em 1961.

Nas edições seguintes, a competição continental foi marcada pelo Santos de Pelé, que derrotou o já consagrado Peñarol em 1962 e venceu o torneio de novo no próximo ano derrotando Boca Juniors (ARG). Vale ressaltar que naquele tempo era mais fácil ganhar o bicampeonato, pois o campeão da última edição entrava automaticamente na semifinal ou na segunda fase do torneio.

Em 64 e 65 uma equipe argentina colocava seu nome na história. Foram os primeiros títulos do Independiente, maior campeão de todos os tempos da Libertadores, com 7 títulos.

A segunda final da história do Palmeiras aconteceu na edição de 1968, agora já chamada Copa Libertadores da América. Vencendo 11 das 15 partidas disputadas, o time do artilheiro Tupãzinho, autor de 11 gols naquela edição, era forte candidato ao título. O certame só não foi melhor para o Verdão porque, novamente, a equipe ficou com a segunda posição na classificação final, perdendo a decisão para o Estudiantes da Argentina.

Palmeiras finalista da Libertadores de 1968. Acima: Geraldo, Valdir, Osmar, Baldochi, Dudu e Ferrari. Abaixo: Suingue, Tupãzinho, Servilio, Ademir Da Guia e Rinaldo.

A década de 70 foi dominada por clubes argentinos. O Independiente venceu 4 títulos seguidos entre os anos de 1972-1975 e o Boca Juniors conquistou um bicampeonato em 77 e 78. Mas no meio de tantas glórias vindas do nosso país vizinho, o Cruzeiro conquistou seu primeiro título, em 1976. As equipes brasileiras não valorizavam a competição sul-americana na época e não haviam ganho um título desde 1963. A equipe mineira quebrou a sequência argentina superando o River Plate (ARG) em uma final de 3 partidas e foi a única equipe brasileira a vencer a Libertadores nos anos 70.

Foi na década de 80 que as equipes brasileiras começavam a olhar o torneio com outros olhos. Apesar do forte status que o futebol brasileiro tinha, em 1981 o país levou apenas o seu quarto título, com o Flamengo, liderado por estrelas como Zico e Júnior, que bateram o Cobreloa do Chile na final.

Dois anos depois foi a vez do Grêmio, que venceu na final os uruguaios do Peñarol em 1983. Nacional (URU) e Peñarol também conseguiram triunfar nessa época, conquistando os títulos de 80 e 82 respectivamente. O Independiente consegue seu sétimo e último título em 1984, estabelecendo uma marca que continua até os dias de hoje. Os movimentados anos 80 também contaram com o primeiro título do tradicional River Plate da Argentina em 1986.

Burruchaga, Trossero e Bochini com a taça da Libertadores de 1984, que consagrou o Independiente como o maior campeão da história da competição.

Antes de 1989, apenas um clube que não fosse do Brasil, Argentina ou Uruguai havia levantado a taça, quando o Olimpia do Paraguai foi campeão em 1979. O fim da década de 80 e início de 90 foi marcado pela queda da hegemonia desses três países, pois 89, 90 e 91 tiveram finalistas colombianos, paraguaios, equatorianos e chilenos. Esse feito só iria se repetir novamente em 2016, quando o equatoriano Independiente del Valle enfrentou o colombiano Atlético Nacional numa final.

A partir de 1992 o Brasil dominou a américa do sul. O São Paulo de Telê Santana abocanhou duas taças em sequência – 1992 e 1993. Foi o primeiro time Brasileiro a defender o título com sucesso desde o Santos de Pelé em 63. O time tricolor também chegou à final em 1994, mas deixaram escapar o tricampeonato para o Vélez Sársfield, que tinha como peça chave debaixo das metas o goleiro José Luis Chilavert.

Em 1995, o Grêmio conquistou seu segundo título. Com Jardel e Paulo Nunes, o time do sul venceu o Atlético Nacional da Colômbia e ajudou na consolidação brasileira no futebol da década de 90. Em 1997, foi a vez do Cruzeiro celebrar o bicampeonato e no ano seguinte, o Vasco da Gama ganha o seu primeiro título batendo o equatoriano Barcelona de Guayaquil.

Mas foi em 1999 que a américa ficou verde pela primeira vez. O Palmeiras garantiu sua vaga à libertadores daquele ano graças à Copa do Brasil de 98 em que foi campeão. Luiz Felipe Scolari conseguiu montar um time competitivo e vencer o troféu mais importante do continente. Com um espírito de família, os jogadores do Palmeiras bateram o atual campeão Vasco da Gama nas oitavas e eliminaram seu maior rival Corinthians nas quartas de final, em um jogo que ficou conhecido como o Derby do Século.

Foi nessa partida que nasceu um ídolo da torcida palmeirense – Marcos, o goleiro novato que havia recém assumido a titularidade, substituindo o contundido Velloso ainda na fase de grupos. Foi canonizado quando fechou o gol nas duas partidas das quartas e brilhou nas cobranças de pênalti. Foi então que recebeu a alcunha São Marcos pelo torcedor alviverde. Nas semis deixou pra trás o River Plate e decidiu o título contra o Deportivo Cali, da Colômbia. A partida foi vencida nos pênaltis e o Palmeiras se consagrou campeão da América pela primeira vez. Marcos se tornou o primeiro goleiro da história a ser eleito o melhor jogador de uma edição da Libertadores.

César Sampaio levantando a taça de campeão da Libertadores de 1999 para o Palmeiras.

No ano seguinte, o Verdão chegou novamente à final. Mas foi contra o Boca Juniors, time dirigido por Carlos Bianchi e conduzido por atletas como Riquelme e Martín Palermo, que se estabeleceu como um dos melhores times do mundo e voltou ao topo do continente. Os argentinos retomaram um legado que se iniciaria com a vitória sobre o Palmeiras em 2000.

Em 2001, eliminaram novamente a equipe alviverde, agora nas semifinais, e o mexicano Cruz Azul, que havia sido o primeiro time mexicano à chegar a uma final de Libertadores. Em 2003 enfrentaram o Santos na decisão, e acabaram vingando a derrota de 1963.

2005 e 2006 teve o torneio novamente dominado por brasileiros. Em 2005, pela primeira vez na história, a Libertadores seria decidida por clubes do mesmo país.

O São Paulo derrotou o Athletico Paranaense na final e se sagrou tricampeão. A marca se repetiu novamente em 2006, quando o mesmo São Paulo encarou o Internacional na final, mas dessa vez saiu derrotado e o time gaúcho levantou, pela primeira vez, o troféu de campeões da Libertadores.

Em 2007 o Grêmio, grande rival do atual campeão Internacional, deu o melhor de si e chegou à final, mas acabou derrotado pela equipe do Boca Juniors. O time Azul y Oro se tornou hexa campeão da Libertadores da América. No ano de 2008, a LDU Quito levou a melhor sobre o Fluminense nos pênaltis e se tornou o primeiro time equatoriano a conquistar a américa.

Durante quatro anos – 2010, 2011, 2012 e 2013 – a Glória Eterna foi conquistada por brasileiros. Respectivamente Internacional batendo o mexicano Chivas em Porto Alegre, Santos com Neymar e companhia vencendo uma libertadores depois de 48 anos, Corinthians que até ali nunca havia conquistado uma Libertadores em seus 102 anos de história e o Atlético Mineiro, comandado por Ronaldinho Gaúcho, que venceu o Olimpia nos pênaltis. O domínio brasileiro terminou com o título do San Lorenzo da Argentina em 2014, batendo o Nacional do Paraguai nas finais.

A vitória do San Lorenzo foi seguida pela conquista de outro argentino, o River Plate, ganhando seu terceiro título em 2015 em cima do Tigres (MEX). No ano de 2017, o Grêmio voltou a colocar o Brasil no topo batendo o Lanús no La Fortaleza, sagrando o time gaúcho como a segunda equipe brasileira a vencer a Libertadores em solo argentino, depois do Santos em 1963.

A final da Libertadores de 2018 contou com uma das maiores rivalidades do mundo em campo. Boca Juniors e River Plate decidiram o campeonato que, por conta de questões de segurança, teve seu jogo de volta disputado no Estádio do Real Madrid, Santiago Bernabéu, sendo a primeira vez que a Libertadores foi decidida fora da América do Sul. O River venceu o superclássico do futebol argentino e conquistou a américa pela quarta vez em sua história.

Os Millonarios (alcunha do River) conseguiu chegar novamente a final do ano seguinte, dessa vez contra o Flamengo. A final de 2019 ficou marcada como a primeira decisão em jogo único da história da competição, onde o clube brasileiro superou o argentino em 2 a 1 e voltou a conquistar o título depois de 38 anos.

Gol de Juan Fernando Quintero no título do River Plate sobre o Boca Juniors na Libertadores de 2018.

No dia 30 de janeiro de 2021, a américa seria verde novamente. Palmeiras e Santos decidiriam a Copa Libertadores da América de 2020, que teve a data alterada por conta da pandemia da Covid-19, que atrasou todo o calendário do futebol mundial. Era a quarta vez em que dois times do mesmo país se enfrentariam em uma final (2005, 2006 e 2018).

Com um ótimo aproveitamento (somou dez vitórias, dois empates e uma única derrota nos 13 jogos disputados) e dono da melhor campanha da fase de grupos, o Palmeiras saiu vitorioso na final em jogo único, com um gol de cabeça de Breno Lopes nos acréscimos do segundo tempo e se sagrou bicampeão da América.

Palmeiras se torna bicampeão da América em 2020 contra o Santos no Maracanã.

A edição de 2021 terá Palmeiras e Flamengo na final, duas equipes que construíram uma rivalidade ao longo dos últimos anos e irão escrever mais um capítulo na história da Copa Libertadores da América.

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