Guia da Champions League 2021/22 – Grupo H: Chelsea, Juventus, Zenit, Malmö

Logo: Trivela

Trivela

Por que acompanhar

Primeiro de tudo, é um grupo bastante turístico. Mesmo para quem, como a maioria de nós vai acompanhar bem de longe, são cidades bem interessantes. O Chelsea em Londres; a Juventus em Turim; o Zenit em São Petersburgo; e o Malmö na cidade homônima. São Petersburgo, especialmente, é uma das cidades mais bonitas do mundo e é conhecida como um ponto turístico importante da Rússia. Todas as outras têm seus atrativos também. Dá para dizer o mesmo dos times.

O Chelsea é o atual campeão, tem o seu técnico fazendo um trabalho desde o começo da temporada pela primeira vez e se reforçou muito bem no mercado de transferências. Melhorou o time que já era campeão europeu, justamente porque ficar no topo é ainda mais difícil do que chegar lá.

A Juventus vive uma reconstrução que parece difícil, mas há bons nomes no time italiano e um técnico reconhecidamente capaz retornou depois de duas aventuras. Os italianos sonham em voltar a competir pelo título, como fizeram com o próprio Massimiliano Allegri em 2014/15 e em 2016/17. Perderam as duas finais, mas esperam ao menos ser um time difícil de ser batido, como eram naquela época.

Os outros dois clubes tentam se provar. O Zenit tem vários brasileiros – quatro, para ser preciso: Douglas Santos, lateral esquerdo, Wendel, volante, Claudinho, meia, e Malcom, atacante. É um time em busca da glória perdida e tentando surpreender, no estádio que será palco da final da Champions League. O Malmö, por sua vez, retorna à fase de grupos para, ao menos, tentar uma campanha digna, conquistar alguns pontos e mostrar que não é favas contadas. O torcedor de um dos clubes que tiver como acompanhar os jogos fora de casa do time tem tudo para se divertir.

TÍTULOS

Chelsea: 2 (2011/12, 2020/21)

Juventus: 2 (1984/85, 1995/96)

Zenit: nenhum

Malmö: nenhum

RETROSPECTO RECENTE

Chelsea

2020/21: Campeão 2019/20: Oitavas de final 2018/19: Não disputou 2017/18: Oitavas de final 2016/17: Não disputou

Juventus

2020/21: Oitavas de final 2019/20: Oitavas de final 2018/19: Quartas de final 2017/18: Quartas de final 2016/17: Final

Zenit

2020/21: Fase de grupos 2019/20: Fase de grupos 2018/19: Não disputou 2017/18: Não disputou 2016/17: Não disputou

Malmö

2020/21: Não disputou 2019/20: Não disputou 2018/19: Preliminares 2017/18: Preliminares 2016/17: Não disputou

Ambição

Mount, do Chelsea (Foto: Andy Rowland/Imago/One Football)

Chelsea

Como atual campeão, o Chelsea não pode entrar com objetivo diferente do título. Ainda mais porque o time atual se fortaleceu em relação à temporada passada. Thomas Tuchel tem sua primeira temporada completa à frente do clube, com pré-temporada e tudo, e o objetivo é ir até o final e disputar todas as competições. Com o elenco que tem, é de se esperar sim que o Chelsea vá longe no torneio.

Juventus

O sonho da Juventus é o título, mas isso parece distante neste momento. A equipe de Massimiliano Allegri perdeu Cristiano Ronaldo, seu principal jogador, e não tem reposições à altura. Moise Kean voltou, mas é um jogador jovem, com potencial, mas que não conseguiu se estabelecer no mais alto nível. Ir até as quartas de final é um objetivo bastante realista. Chegar à semifinal seria ótimo e até acima do esperado. Cair na fase de grupos seria desastroso. Portanto, é preciso, pelo menos, chegar ao mata-mata. Daí em diante, depende do cenário que se desenhar.

Zenit

O sonho do Zenit é ir além da fase de grupos, mas o objetivo realista é chegar à Liga Europa. O melhor resultado na história do clube de São Petersburgo é chegar às oitavas de final, mas há dois concorrentes muito fortes no grupo que são completamente favoritos a avançar, Chelsea e Juventus. Assim, a briga é para ir à Liga Europa com o terceiro lugar na fase de grupos e continuar a sua trajetória europeia, quem sabe até fazer uma campanha para brigar pelo título na segunda competição da Europa.

Malmö

A ambição é, quem sabe, conseguir alguns pontos. O Malmö é um time com história na Europa – foi vice-campeão na temporada 1978/79 –, mas nesse momento, qualquer coisa além de um terceiro lugar será uma imensa zebra. A disputa dos suecos será essa: tentar ficar em terceiro e seguir em competições europeias na Liga Europa. Isso já será um grande feito, considerando o grupo que está. O mais esperado, porém, é que o time seja mesmo o quarto colocado do grupo e seja eliminado.

Ponto forte

Bonucci e Chiellini, da Juventus

Chelsea

Pode parecer estranho pensando nos nomes estelar de ataque e depois da chegada de Romelu Lukaku, mais ainda, mas o grande trunfo do Chelsea com Tuchel é a defesa. O time sofre poucos gols desde a chegada do alemão, que conseguiu o equilíbrio que faltava ao seu antecessor, Frank Lampard. Jogando no sistema com três defensores, o time é muito seguro, também porque a marcação é bem feita em todos os setores. Antonio Rüdiger e Thiago Silva formam o núcleo do setor defensivo, que pode ter também Cezar Azpilicueta, Trevoh Chalobah, Andreas Christensen ou mesmo Malang Sarr. Todos boas opções.

Juventus

Pelos nomes que tem e pelo técnico que trouxe de volta, o trunfo da Juventus é a defesa. Nomes como Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini são veteranos, mas continuam em altíssimo nível. Ainda há Mattijs De Ligt, nome jovem e que contrasta com os veteranos. Se Allegri conseguir recuperar o estilo de jogo da sua antiga Juventus, o que veremos será um time muito sólido atrás, que dá poucos espaços e complica a vida dos adversários por isso.

Zenit

Um dos pontos mais fortes do Zenit é o mando de campo. Jogar em São Petersburgo é sempre difícil, especialmente à medida que o ano avançar e as temperaturas caírem mais perto do inverno. O seu estádio é, além de tudo, espetacular. A Gazprom Arena fica ao lado do mar e recebeu a Copa das Confederações em 2017 e a Copa do Mundo em 2018, além de sete jogos da Euro 2020. Tem capacidade para 71 mil pessoas e a torcida do clube é bastante participativa. O time tem qualidades no ataque, especialmente, mas jogar em casa deve ser parte crucial da campanha. Se conseguir fazer valer o mando e conseguir os resultados em casa, pode até sonhar com classificação, embora o mais provável seja garantir o terceiro lugar.

Malmö

O grande trunfo do Malmö é o seu sistema de ataque. O norueguês Jo Inge Berget é um centroavante, mas vai para os lados do campo e serve como uma opção pelo alto. A bola longa vai para ele, que tenta ganhar a bola pelo alto e criar uma chance. Além disso, o time tem um arremesso lateral treinado que lembra o Stoke nos seus melhores dias. O time é também muito perigoso nas bolas paradas. Esse é o grande trunfo do time sueco.

O craque

Kanté e o prêmio de melhor da final da última Champions League (Foto: Uefa)

Chelsea: N’Golo Kanté

O meio-campista N’Golo Kanté tem provado consistentemente como é um jogador importante para os seus times. Fundamental no Leicester na campanha do título der 2015/16, desde então se tornou importante também no título da Premier League pelos Blues, na temporada seguinte, e mais uma vez teve papel determinante na conquista da Champions League na temporada passada. Discreto e incrivelmente eficiente, melhorou o seu jogo e é mais do que um volante marcador: passou a ser também uma arma de contra-ataque por ser rápido, por vezes roubando a bola em setores avançados do campo para criar jogadas. É um jogador como poucos no mundo.

Juventus: Paulo Dybala

O atacante argentino Paulo Dybala tem sido elogiafo por Massimiliano Allegri desde que voltou à Juventus. Foi designado como vice-capitão, atrás de Chiellini, e tem muita moral. Sem Cristiano Ronaldo, será o grande nome do ataque dos bianconeri. Após uma temporada que teve pouco espaço com o técnico Andrea Pirlo, o argentino tem esperança de ser o que se esperava dele quando foi contratado por brilhar no Palermo. Aos 27 anos, é o momento de mostrar que é um jogador que pode ser o craque de um time do porte da Juventus.

Zenit: Sardar Azmoun

Sardar Azmoun, aos 26 anos, é desejado por outros clubes da Europa, mas tirar o iraniano do Zenit é uma missão difícil – e cara. Foi o artilheiro da Premier Liga Russa em 2019/20 com 17 gols marcados e na temporada passada fez outros 19 gols e só não foi artilheiro porque o seu companheiro de ataque, Artem Dzyuba, fez 20 gols. Com 1,86 metro de altura, é ótimo finalizador e vai muito bem também no cabeceio. Além disso, é ótimo em segurar a bola no ataque e também em chutes de longa distância.

Malmö: Anders Christiansen

O principal jogador do Malmö é o meio-campista Anders Christiansen, de 31 anos, que é também o capitão do time. O dinamarquês atua no centro do meio-campo e dá muita qualidade à equipe. Ele chegou ao clube em 2016 e ajudou o Malmö a conquistar o título. Desde então, já são mais dois títulos no currículo. Vestindo a camisa 10, ele cria as jogadas e conquistou duas vezes o prêmio de melhor jogador do ano no Allsvenskan, o Campeonato Sueco. A última vez foi em 2020, no mais recente título do Malmö.

Mister Champions

Niklas Moisander, do Malmö (Foto: Ludvig Thunman/Imago/One Football)

Chelsea: Thiago Silva

Thiago Silva é o nome da experiência no Chelsea, em idade e em jogos de Champions League. O brasileiro, de 36 anos, chegou com alguma desconfiança local a Londres, mas mostrou a sua qualidade e terminou campeão da Champions League – algo que ele não tinha conseguido no PSG. O zagueiro tem 88 jogos pela principal competição europeia e por três times diferentes: Milan, PSG e agora o Chelsea. É um esteio de qualidade na defesa, mesmo já veterano.

Juventus: Giorgio Chiellini

Com 37 anos de idade e a braçadeira de capitão no braço, Giorgio Chiellini foi o responsável por levantar a taça pela Itália na Eurocopa e espera repetir o gesto pela Juventus. Ele é o jogador com mais jogos pela Champions League em todo o experiente elenco da Juventus, com 73 partidas – duas a mais que seu companheiro de defesa, Leonardo Bonucci, que tem 71. Desde 2005/06, quando disputou a sua primeira, até 2020/21, a mais recente, ele acumulou experiência no maior torneio de clubes da Europa.

Zenit: Yarolav Rakitskiy

O zagueiro Yarolav Rakitskiy é, de longe, o jogador com mais jogos pela Champions League no elenco do Zenit. Com 32 anos, o ucraniano jogou por Shakhtar Donetsk e Zenit, clube que defende desde 2019, depois de 10 anos jogando pelo clube ucraniano que o formou. É um dos líderes do time, ao lado do capitão, Dejan Lovren, ex-Liverpool. Canhoto e muito forte, ainda que não muito técnico, deve ser titular do time.

Malmö: Niklas Moisander

O zagueiro Niklas Moisander é o mais experiente de um time com poucos jogos na fase de grupos da Champions League. O experiente finlandês, de 35 anos, jogou a Champions League por outros dois clubes: o AZ e o Ajax. Está no Malmö desde julho e adiciona bastante experiência à equipe – ainda que, perto de outros times, ele seja até pouco experiente nesse tipo de competição.

A contratação

Zenit apresentou Claudinho em um vídeo espetacular (divulgação)

Chelsea: Romelu Lukaku

Romelu Lukaku chegou com preço de craque e é, de fato, o jogador que tem tudo para ser a grande estrela. Torcedor do time, algo que ele deixou claro nessa volta a Stamford Bridge, ele fez a melhor temporada da sua carreira em 2020/21 pela Internazionale, ajudando-a a conquistar o título italiano pela primeira vez em 11 anos. Com 28 anos, vive o melhor momento da carreira e é uma arma mortal em qualquer estilo de jogo. Grande, forte, mas também veloz e inteligente, Lukaku é um artilheiro e resolve o problema do time em fazer gols. Na temporada passada, foram 30 e 10 assistências em 44 jogos. Nesta, já são três jogos e três gols.

Juventus: Manuel Locatelli

Aos 23 anos, Manuel Locatelli tem uma experiência acumulada já bastante respeitável. Formado na base do Milan, não conseguiu se firmar, foi para o Sassuolo, um dos clubes que jogou o melhor futebol na Itália nos últimos anos, e brilhou. Foi membro importante também na seleção italiana de Roberto Mancini que conquistou a Eurocopa. A Juventus levou o jogador para Turim e ele é exatamente o que o time precisava. Em um setor que os jogadores sofreram para se firmar, Locatelli chega para ser um jogador titular e importante por ali.

Zenit: Claudinho

Logo depois da Olimpíada de Tóquio 2020 (disputada em 2021), o Zenit anunciou a contratação de Claudinho, meia do Red Bull Bragantino e titular da seleção brasileira que venceu a medalha de ouro. Habilidoso e técnico, Claudinho tem muitas qualidades para ser um jogador importante no elenco do Zenit. Até aqui, já jogou três partidas e atuou em dois deles como segundo atacante e um terceiro aberto pelo lado esquerdo. Sua versatilidade será muito útil ao time russo e deve formar uma parceria com Malcom, outro campeão olímpico e também atacante. Quem deve ficar mais perto dele, porém, é o iraniano Sardar Azmoun, que é um dos melhores jogadores do time.

Malmö: Sergio Peña

O peruano Sergio Peña, de 25 anos, chegou ao Malmö para reforçar a equipe depois de defender o seu país na Copa América. O meia ofensivo já tem bastante experiência na Europa. Passou por diversos clubes espanhóis e, mais recentemente, estava no Emmen, dos Países Baixos, que foi rebaixado. Assim, foi contratado pelo Malmö. Ainda jogou pouco: só uma partida pelo Malmö até aqui, entrando no segundo tempo.

O técnico

Massimiliano Allegri está de volta à Juventus (Divulgação/Juventus)

Chelsea: Thomas Tuchel

Quando Thomas Tuchel chegou ao Chelsea em janeiro, era difícil imaginar que ele fosse conquistar o título da Champions League. Mesmo sendo bom técnico e tendo levado o PSG à final na temporada anterior, ele foi acima da expectativa. Agora, o treinador de 48 anos tem um desafio mais alto: se manter no topo e ir além em outros pontos, como lutar pelo título da Premier League. Com os reforços que recebeu e o elenco que tem, pode fazer um grande trabalho em Stamford Bridge.

Juventus: Massimiliano Allegri

Em 2019, quando Massimiliano Allegri deixou a Juventus, havia uma ideia clara: se imaginava que o time precisava jogar mais ofensivamente. A sua Juventus era eficiente, mas as críticas vinham pela falta de um jogo mais fluído, mais ofensivo e mais capaz de aproveitar Cristiano Ronaldo. Dois anos depois, o que se viu foi a Velha Senhora bater à porta de Allegri e pedir para que ele voltasse. Aos 54 anos, ele chega com a missão de reconstruir o time que perdeu a sequência de títulos, perdeu seu craque e até a sua identidade. A missão do treinador italiano é resgatar tudo isso.

Zenit: Sergey Semak

Sergey Semak tem apenas 45 anos e está no comando do Zenit desde 2018. Antes, tinha dirigido o Ufa, um pequeno clube do país, além de ter sido assistente técnico da seleção russa. Também foi assistente técnico do próprio Zenit com alguns técnicos diferentes: Luciano Spalletti, André Villas-Boas, Mircea Lucescu e Leonid Slutski. Joga habitualmente em um 4-4-2 bem ortodoxo, abrindo atacantes pelos lados do campo e se defendendo de maneira bastante intensa.

Malmö: Jon Dahl Tomasson

Quem acompanha futebol internacional há mais tempo certamente se lembra de Jon Dahl Tomasson, ex-atacante e que se consagrou especialmente pelo Milan, mas jogou também por Feyenoord e Newcastle. Aos 45 anos, ele tem o seu melhor trabalho na carreira até aqui. Foi assistente técnico do Excelsior, no qual também teve a sua primeira chance como treinador, mas durou só 25 jogos. Treinou também o Roda JC, mas também durou pouco, apenas 17 jogos. Voltou a ser assistente no Vitesse, onde trabalhou com Peter Bosz e Rob Maas. Foi assistente técnico também da seleção dinamarquesa por três anos e meio. Chegou ao Malmö em janeiro de 2020 e já comandou o time em 71 jogos até aqui. Teve muito sucesso e conquistou o título do Campeonato Sueco, o primeiro da sua carreira. Com um time estabelecido localmente, a ideia é fazer barulho também na Europa e tentará tirar pontos de alguns dos adversários.

Saiba mais sobre o veículo