
Central do Timão
·30 de agosto de 2025
Estudo do TI do Corinthians revela primeiros reflexos da biometria facial na Neo Química Arena

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·30 de agosto de 2025
Após apenas cinco partidas, a implementação da tecnologia de biometria facial na Neo Química Arena possibilitou um aumento de quase 80% na base de sócios do programa Fiel Torcedor (FT) e um nível recorde de ingressos comercializados pela plataforma. Os dados são de um estudo realizado pelo Departamento de Tecnologia do Corinthians, ao qual a Central do Timão obteve acesso com exclusividade.
Os números são parte de uma série de análises promovidas pelo TI corinthiano com o objetivo de mensurar o impacto real da nova tecnologia na vida do torcedor e na sua relação com o estádio em Itaquera. Além disso, devem municiar o departamento na proposição de ajustes na gestão de ingressos do clube, visando sobretudo aumentar a ocupação média no estádio, que caiu no contexto pós-biometria.
Foto: José Manoel Idalgo/Agência Corinthians.
FT oxigenado e baixo índice de falhas
Um dos efeitos práticos mais relevantes da biometria facial foi o aumento expressivo da base de sócios adimplentes do FT, que patinava na faixa dos 50 mil em meados de junho e chegou a 89.729 após o jogo do Timão contra o Bahia, no último dia 16. Em apenas dois meses, o aumento registrado foi de 78,9% – que deverá se refletir em aumento de arrecadação com o programa nos balancetes do clube no segundo semestre.
O estudo também revelou outro dado interessante: os 183.521 ingressos vendidos nos cinco jogos com biometria facial desde julho representaram, na prática, 122.232 corinthianos presentes em Itaquera. Isso significa que, em média, de cada três ingressos comercializados no período, dois foram para um torcedor que compareceu a apenas uma das partidas e um foi para um corinthiano que esteve em dois ou mais jogos.
Mesmo diante do número expressivo de comparecimento da torcida, o índice de falhas do sistema fornecido e mantido pela Ligatech vem se mantendo abaixo da média de mercado, segundo apurado pela Central do Timão. Nos cinco jogos realizados em Itaquera desde julho, o total de erros na identificação biométrica de torcedores é de 70 por jogo em média, ou 0,2% – muito abaixo dos 2% que ainda seriam considerados “aceitáveis” para esse tipo de tecnologia.
Camarotes
Outro dado levantado pelo TI diz respeito ao comparecimento de torcida nos camarotes da Neo Química Arena. A análise comparou os números do setor em dois jogos: contra o Palmeiras no segundo turno do Brasileirão do ano passado, em 4 de novembro, e contra o Bahia pelo primeiro turno da competição este ano, revelando uma queda acentuada no número de ingressos emitidos e também no número de acessos.
No Derby em novembro, o Corinthians registrou 2.804 camarotes emitidos e 2.547 acessos em Itaquera. Já no duelo contra o Bahia em agosto, esses números foram reduzidos a 1.472 e 1.364 respectivamente (quedas de 47,5% e 46,4%). Segundo apurado pela Central do Timão, a redução não se justificaria só com os distratos feitos com contratantes em situação irregular, tendo relação com o fim de uma política de concessão excessiva de cortesias para o setor por parte da gestão Augusto Melo.
Mais ingressos vendidos via FT
Outro dado que também chamou atenção na análise os dados diz respeito ao índice de ingressos comercializados dentro do FT em relação ao total. Segundo o estudo, dos 183.521 ingressos vendidos desde julho pelo Corinthians, 149.925 tiveram sua venda feita pela plataforma – um 81,7% do total. Para se ter uma ideia, nos dez jogos antes da implementação da biometria facial, esse índice havia sido de apenas 64,9%.
A análise do TI considerou todos os 30 jogos realizados em Itaquera desde o Derby em novembro. Nos 25 jogos antes da biometria, as menores médias de ingressos vendidos via FT ocorreram em novembro de 2024, contra o Vasco (apenas 59% do total) e maio deste ano, contra o Santos (60%). Já as maiores, curiosamente, ocorreram nos últimos dois jogos da série, em maio e junho deste ano contra Novorizontino e Vitória (71% e 74% respectivamente).
Já no que diz respeito aos cinco jogos pós-biometria facial, em todos eles a porcentagem de ingressos vendidos pelo FT foi maior que o recorde registrado sem a tecnologia. Na partida que inaugurou o sistema, contra o Red Bull Bragantino, o índice chegou a 84%, sendo seguido por índices similares contra Cruzeiro (81%), Palmeiras (77%) e Fortaleza (81%) até atingir o recorde histórico no confronto diante do Bahia (86%).
Explosão na venda de “inteiras”
Por fim, o estudo também destacou a explosão no número de bilhetes comprados pelo valor de face (ou seja, sem desconto) por não-sócios do FT – as famosas entradas inteiras – através da Ingressos Corinthians. No total, foram 34.121 ingressos comercializados desta forma desde julho, uma média de 6.824 por jogo. Já nos 25 jogos anteriores (entre novembro de 2024 e junho de 2025), haviam sido vendidos apenas 16.421 tickets desta forma, uma média de apenas 657 por partida.
No período anterior, o número de inteiras vendidas variou muito dependendo do jogo. As menores quantidades comercializadas aconteceram em novembro de 2024 contra Vasco e Cruzeiro (somente 83 e 94 entradas respectivamente), sendo que em outros 13 jogos o número foi menor que 500 ingressos. Já as maiores quantidades ocorreram em janeiro e abril deste ano, contra Água Santa e Sport (2.007 e 1.363 inteiras respectivamente).
Os dados contrastam fortemente com os registros pós-biometria. Já no jogo inaugural da tecnologia contra o Red Bull Bragantino o número de inteiras vendidas superou em muito o recorde anterior: 6.898 ingressos vendidos. A tendência foi mantida nos confrontos contra Cruzeiro (7.570), Palmeiras (4.387) e Fortaleza (7.149), até quebrar o recorde histórico no jogo contra o Bahia (8.117).
A Central do Timão apurou que esses dados são interpretados como uma consequência direta da diminuição do cambismo pós-biometria, aliada aos cortes de logins internos promovidos pelo TI desde junho, que reduziram drasticamente a concessão de ingressos gratuitos e/ou com descontos para os jogos do Corinthians. Comemora-se, ainda, o aumento da arrecadação proveniente dessas vendas.
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