Entrevista exclusiva com Moacir Júnior – Técnico do Treze-PB | OneFootball

Entrevista exclusiva com Moacir Júnior – Técnico do Treze-PB

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1- Primeiramente, qual foi e como foi o teu primeiro contato com o mundo do futebol, de forma profissional?

R: Meu primeiro contato profissional que futebol foi aos 14 anos, quando eu ingressei na categoria de base do Cruzeiro Esporte Clube, em Minas permaneci 8 anos até o profissional, então de lá para cá já se vão 36 anos envolvidos com o futebol, em todas as esferas após a carreira de atleta profissional. Fiz o curso de Educação Física seguido de uma especialização, de uma pós-graduação voltada para o futebol e depois consegui fazer toda aquela escada que a gente chama, de trabalhar com escolinha infantil, juvenil, Juniores e auxiliar técnico desde 2003, agora 18 anos já em carreira solo, né? Como Red Colt, como comandante e tenho também o prazer de ter terminado recentemente a minha licença PRO, entregado todos os últimos trabalhos, então tenho hoje também a licença A e a licença PRO da CBF que hoje são tão importantes para os profissionais de futebol.

2- Qual é o teu maior ídolo ou a inspiração que tu tem nesse mesmo ramo?

R: Olha, uma referência muito forte que eu tenho, seria assim um ídolo, seria o mestre Telê Santana, é um treinador que eu pude conhecer ainda muito jovem, enquanto atleta das categorias de base do Cruzeiro, participamos das preparações da seleção de 82 e 86 para Copa do Mundo e ali eu já havia uma forma muito delineada e disciplinada de um técnico que no São Paulo conseguiu também grandes feitos, um título mundial, conseguiu equiparar bem sua equipe e seu sistema, seu modelo de jogo com as equipes europeias e sempre jogando de igual para igual e a Seleção Brasileira de 82, principalmente. Gravado na memória de todos os amantes do futebol, por ser muito solidário, com muitas transições, com muita intensidade, no futebol bem jogado como todos aí acabam preconizando e desejando então, hoje realmente a maior referência que eu tenho como treinador é o Telê Santana, mas também estudo e procuro observar os outros, tanto os brasileiros como os argentinos e espanhóis, a gente sabe que a Alemanha é uma escola muito boa, então a gente acaba estudando um pouco de cada coisa e tentando absorver o melhor de todos.

3- Tu já estreou no Galo de Borborema com direito à vitória, qual era a expectativa que tu tinha ao assumir o time? Se sentiu pressionado para mostrar, com urgência, bons resultados?

R: Minha estreia no Treze, ela foi cercada de muita expectativa, por causa que a equipe vinha de um resultado negativo, diante do CSP e precisávamos urgente de uma retomada para seguirmos vivos na competição Estadual então eu acabei fazendo na pré-pandemia dois jogos, nós vencemos em São Paulo de Crystal 1 a 0 jogo bem difícil, onde sabemos da necessidade e dos deparamos com uma equipe muito bem organizada e logo na sequência veio Sousa. A gente conseguiu quebrar, vencemos por 2 a 1 e na verdade todo treinador? Quando você chega num clube de massa, de tradição como é o Treze, você preciso dar uma resposta muito rápida para que você acaba de conquistar a confiança de todos, né? Então apesar da gente ter já um currículo bem vasto e recheado aí de Clubes grandes e tradicionais, a torcida agora tá conhecendo melhor o nosso trabalho e sabe que pode confiar que a gente vai fazer realmente a procurar desempenhar aí um trabalho de muita excelência frente ao Galo da Borborema.

4- Tu já atuou em equipes como Boa Esporte, Náutico, América-MG, Portuguesa, Criciúma, entre outros. Cite alguns momentos importantes ou jogos marcantes da tua jornada como treinador.

R: Com relação aos jogos importantes, foram muitos, eu tive jogos não só com grandes equipes, mas por exemplo, a gente em 2016 com Linense, Clube Atlético Linense, jogando Paulistão da Série A1, nós cravamos a primeira vitória do Linense sobre um grande em São Paulo, foi contra o Palmeiras no Allianz e a gente lá na época foram 2×1, 2 gols do William Pottker que acabou se destacando aí para o Brasil e para o mundo? Um jogador muito determinado que após esse trabalho para gente conseguiu dar uma alavancada, no América Mineiro, teve jogo um jogo memorável, eu colocaria o jogo contra o Joinville que os dois era briga de líder e vice-líder. Foi um jogo no Mineirão, foi um jogo teste um evento-teste para a Copa do Mundo de 2014 e nossa equipe nesse dia venceu por 3 a 1 jogando futebol de extrema qualidade até o Mancini, que estava jogando com a gente na como meio-campista e não como lateral, ele fez um jogo beirando a perfeição e foi um jogo que ficou bastante marcado para todos e a torcida do América acabou encerrando com todos ingressos colocados à disposição.

R: Então são vários, o próprio Botafogo de Ribeirão Preto, a gente fez um mata-mata com o Corinthians fantástico, já na final do Paulistão. Jogo que marcou muito recentemente: América de Natal. a final diante do ABC, o gol do título Estadual após 3 anos? a gente fez um gol aos 49 do segundo tempo e assim que o juiz encerrou a torcida não se conteve de alegria, né e acabou invadindo a Arena Dunas. Então foi uma imagem muito forte e recente que eu guardo poder transbordar, ver a alegria do torcedor e das pessoas que estão acompanhando e fazendo parte do seu trabalho.

5- Qual é a tua visão sobre a situação em que o Brasil vive hoje, em relação à pandemia? O que tu ainda espera do futebol para 2020? Inclusive, teve uma fala do presidente do Treze, Walter Júnior, sendo conivente com o retorno do futebol, tu e o clube estão alinhados a esse pensamento?

R: Então, a gente vem falando muito sobre isso. Eu como o chefe da comissão técnica e o presidente como a cabeça maior do clube. O presidente Walter e a gente comunga do mesmo pensamento, porque eu vou lhe dizer, existem protocolos e formas de você fazer o futebol, provavelmente no início pode ser mais difícil em relação ao torcedor, por exemplo. Caso não tiver baixa acentuada da curva aí de repente pode se realizar os jogos sem torcida, só que você vende um produto, o futebol no Brasil, ele é o esporte mais popular, ele no nordeste, em particular, é uma religião, né? Assim você começa o Campeonato e não termina ou você está qualificado para uma Série C e não disputa, eu acho muito complicado, mas é muito importante, que se observe todas as condições, teste todos os atletas, os membros da comissão técnica, arbitragem e quem tiver envolvido no espetáculo.

R: E a partir do momento que as coisas melhorarem ou encontrarem uma vacina ou quando a coisa estiver mais amena, aí sim é para que o torcedor volte a comparecer. Mas eu acredito que você eliminando os campeonatos, eliminando os jogos de uma vez só você vai causar, aí é o governo que está preocupado com a questão econômica, o futebol para você ter uma ideia tem uma estatística muito grande no mundo? Isso é no mundo, tá em cada de pessoa que está envolvido no futebol de uma forma ou de outra, certo, seja como nós ou em vários segmentos. Não só o atleta, comissão técnica, o diretor, é mais, aí você vai para as pessoas que tem a rede social como uma coisa, a própria imprensa, os vendedores que fazendo do lado de externo do dos estádios, a quem faz o material esportivo, é um universo muito grande, tá? Eu acredito que tem que pensar nisso, mas volto a ressaltar que vidas são mais importantes do que tudo. Então se tiver algum risco não, mas se a coisa tiver amenizada, eu acho que deve sim retornar de uma forma responsável.

6- Tu é o atual Campeão Potiguar, conta pra gente como foi essa conquista. Quais as maiores dificuldades que encontrou até chegar ao título, qual era a expectativa e como executou o teu trabalho?

R: Então, minha última conquista e marcante. Acabamos abordando um pouco desse tema na antepenúltima pergunta, mas o América, a gente chegou no clube numa condição de ter que melhorar performance. Por que a equipe ainda tinha uma condição boa dentro da competição Estadual, mas a diretoria estava ressentindo de um melhor futebol, a equipe estava oscilando muito no momento errado e contra elencos muito inferiores que o América, então foi por isso que foi solicitado a nossa contratação e eu voltei a Natal.

R: Após uma passagem não muito longa e não tão muito feliz no ABC em 2014, pós-América Mineiro, eu acabei querendo muito retornar para mostrar. Realmente o quilate do nosso trabalho e assim foi, conseguimos a classificação na Copa do Brasil que era fundamental para o financeiro do clube, para oferecer sustentação. Perdemos o primeiro turno logo na minha chegada. A gente fez esse gesto de classificação e depois teve o jogo contra o ABC, a gente perdeu para arquivar o primeiro turno. Fizemos um segundo turno beirando a perfeição, fantástico e decidimos com o Potiguar, ganhamos lá dentro, de Mossoró numa guerra, um jogo que envolveu muito policiamento, spray de pimenta, muita briga, iluminação lá no estádio caindo então, foi realmente uma guerra aí a torcida tem muito orgulho do segundo turno que nos fez criar corpo para decidir novamente contra o arquirrival o título.

R: Assim a gente se estruturou muito forte, como tirando o jogo do zero a zero e depois na Arena das Dunas a gente fez um jogo realmente de muita inteligência e acabou saindo com alguns contornos de dramaticidade, porque ganhava um jogo, estávamos em um bom momento que eu estava muito bem no jogo tomamos o empate, só que aí os 49 minutos o Alisson, jogador que encerrou a carreira no passado que estreou no América com 17 anos e rodou o Brasil e o mundo, retorna para o América para fazer um encerramento e ele é agraciado, ele entrou durante o jogo e conseguiu fazer o gol do título que foi de extrema importância porque quebrou a hegemonia do rival e nos proporcionou o título. Uma conquista muito importante e uma alegria incontida dos torcedores que invadiram a Arena das Dunas. Fico em êxtase e é uma conquista realmente muito relevante e que eu vou levar com muito carinho para o resto da minha vida.

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