Entrevista com Paulo Baier, ex-jogador e atual técnico do Próspera

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Paulo César Baier nasceu em 25 de outubro de 1974 e foi um meio-campista que atuou no
futebol brasileiro por toda a sua carreira. Revelado pelo São Luiz/RS, se tornou ídolo do Athletico e Goiás e foi muito elogiado por sua qualidade técnica e poderio ofensivo. Atualmente, é o terceiro maior artilheiro do Brasileirão na era dos pontos corridos, com 106 gols.

1- Você atuou como jogador por 21 anos e passou por diversos clubes. Sempre foi teu sonho se tornar jogador de futebol? Teve vontade de se manter em um único time?

R: É, na verdade sempre foi um sonho né? Um sonho da família também, meu pai, enfim, de ser jogador, né? Então, desde a infância sempre procurando fazer aquilo que eu gostava então, foi além de um sonho, a dedicação, a vontade de querer ser jogador, porque não é só o talento, não é só as situações, é o querer, é a coragem, é a determinação de ser, né? Porque não é fácil ser jogador de futebol. O mundo acha que é fácil mas é muito difícil. São poucos que conseguem, né? Vencer. Então, graças a Deus, com muito sacrifício de todos a gente conseguiu fazer uma carreira aí, longa, com 21 anos dentro do campo e consegui deixar um legado aí no futebol.

2- Você começou como lateral-direito mas terminou jogando como meia. O que levou você a uma mudança de posição tão grande? Como foi a readaptação em uma posição mais avançada?

R: É, eu quando eu comecei eu era meia. Aí quando o São Luiz de Ijuí, aqui no Rio Grande do Sul, onde eu iniciei minha carreira, faltava sempre um lateral direito, aí eu ia pro treino como lateral direito, né? Faltava sempre um lateral direito no profissional. E dali eu comecei a jogar de lateral direito, tanto que eu passei por grandes clubes como Vasco, Botafogo, Atlético Mineiro, América Mineiro, tudo como lateral, na verdade era Paulo César também. E aí depois, eu já com 27 anos, as coisas começaram quando, se não me engano o Paulo Bonamigo chegou no Goiás, tinha o Vítor, que tava muito bem, aí optou por mim jogar no meio, já no Palmeiras também, com o Leão, eu já jogava no meio, então começou a facilitar, ficar mais próximo do gol, não desgastava tanto, aí começou a fazer os gols também, então a adaptação da lateral pro meio foi melhor, né? Pra mim foi melhor. Fiquei mais próximo do gol e aí sim consegui, fazer bastante gol aí, depois nesse período, quando eu comecei como meia.

3- Em 2009 você se transferiu pro Athletico Paranaense e lá você se firmou como o maior artilheiro do campeonato brasileiro por mais de 4 anos. Você vê essa passagem como a sua melhor da carreira? Como foi a sensação de deixar o clube em 2013?

R: É, o Athletico… pra mim, eu tenho uma gratidão muito grande, quase 5 anos aí no clube, cheguei em 2009 e saí em 2013 mas foi sensacional, tenho um carinho muito grande pelo torcedor e deixei um legado bacana, então, o que passou passou, né? Não adianta eu.. logicamente, eu gostaria de ficar mais, mas, houve algumas situações que é do futebol também e isso faz parte, então, não tenho do que reclamar, tenho só que agradecer por esse período, jogando num clube grande como o Athetico Paranaense, onde que deu todas as condições, onde que eu consegui deixar um legado, onde que o torcedor me adora quando eu vou pra lá e isso que é o bacana, o torcedor lembrar de ti. Então, eu fico muito feliz por ter tido essa passagem e muito orgulhoso de ter vestido essa camisa.

4- Você atuou por 21 temporadas e nunca saiu do Brasil. Qual o impacto disso na sua carreira? Alguma vez você recebeu alguma proposta para sair?

R: É, na realidade, eu tive uma oportunidade de sair, no Newcastle, da Inglaterra e no Veneza, da Itália onde que, naquela época podia 5 jogadores estrangeiros, né? Eu fiz uma avaliação como sexto jogador, que na realidade ia sair um jogador e ia me encaixar, infelizmente não deu certo, mas como experiência foi muito válida, muito boa, né? Fiquei 4 meses nesses clubes aí, adquiri uma experiência maior também, mas eu acho que o importante mesmo é você deixar uma marca aqui, onde que todo mundo me conhece aqui no Brasil e isso que é o mais importante. Onde que eu passei, sempre deixei essa marca, dedicação, vontade nos clubes e não era pra ser. Se tivesse surgido alguma coisa, de repente dava certo mas não surgiu nada assim, em específico, nada concreto.

5- Quando jogou, você passou por clubes de todo o Brasil, de Nordeste a Sul. Como é a adaptação a tantos lugares diferentes em pouco tempo? Como você avalia a organização dos clubes mais distantes do Eixo Rio-São Paulo?

R: É bem complicado, principalmente pra família, né? Pra nós, jogadores, a gente consegue se adaptar, né? Duas “semaninhas” e você já tá entrosado com outros atletas e enfim, mas a família que é o mais difícil, né? Filhos, em relação a colégio, enfim… Isso é complicado, mas as coisas vão se encaixando, vão indo, não é fácil, é difícil e eu acho que no futebol não tem nada fácil, né? Se você quer os objetivos você tem que correr atrás e as oportunidades vêm. Então eu tive a oportunidade de jogar no nordeste, jogar aqui no sul, jogar em São Paulo… então em todos os lugares já tive o prazer de jogar, no frio, calor, umidade seca, enfim… Então isso a gente vai se adaptando né? Mas eu acho que o que judia mesmo é a família. A família que tem uma grande dificuldade sempre.

6- Em 2016 você pendurou as chuteiras no clube que te lançou ao Brasil. O que significa o São Luiz na sua vida? Pretende voltar para lá agora que é treinador?

R: Ah, o São Luiz foi o início, né? De tudo, onde eu virei profissional, né? Joguei 4 anos no juniores com muito sacrifício, vindo do interior, né? Vinte e oito quilômetros do interior até a cidade então não tinha condições de vir mas é aquilo que eu sempre falo, que tem que ter vontade, que tem que querer vencer, nada vem de graça, né? Então o São Luiz foi importante, depois mais dois anos no profissional, onde que depois eu fui pro Criciúma e aí sim, outros clubes. Então o São Luiz lógico que é muito importante na minha carreira porque… tanto que eu iniciei no São Luiz e agora terminei também no São Luiz de Ijuí, então acho que poucos jogadores conseguem fazer isso, né? Iniciar num clube e terminar no clube, então… eu consegui fazer isso, deixar essa marca e acho que o torcedor também fica feliz com isso. Eu tenho realmente que agradecer o São Luiz de Ijuí.

7- Por fim, qual a principal diferença entre os clubes que você treinou? Ao ser campeão da Série C do Campeonato Catarinense com o Próspera em 2016, você sentiu a vontade de treinar clubes de mais expressão ou preferiu se manter no clube?

R: Na verdade técnico é bem mais difícil que jogador, né? O jogador, você tem o teu objetivo, a tua cabeça, o teu pensamento e como técnico você tem que lidar aí com vinte e seis, vinte e sete, trinta pessoas diferentes, todo mundo querendo jogar e aí você tem que saber administrar. Acho que eu consigo fazer bem isso em relação a um gestor de grupos, né? A maioria dos clubes que eu passei eu sempre fui capitão então eu consigo ter essa liderança. Mas é difícil, complicado e… tivemos algumas oportunidades boas, como foi a Série C pro Próspera, onde que a gente se tornou campeão, onde dos 10 times, subia só um, né? E tinha muito mais times que tinham condições, né? E a gente com condições difíceis, precárias, a gente conseguiu fazer um time unido, onde que chegava dentro de campo, essa “meninada” começou a ter a determinação e a vontade de vencer. E agora a gente tá de volta, com outro desafio, divisão de acesso, né? São dez times, sobem três times, né? Tem times aí que já disputaram a Série A, né? Têm essa bagagem, essa experiência, mas a gente vai trabalhar aí, nesse mês, agora dia 1º de novembro começa o Campeonato aqui, então já estamos trabalhando para que a gente possa chegar bem e, se Deus quiser aí, botar o Próspera na primeira divisão. Essa é a ideia. Vamos ver como é que vai.