Diretoria agiu porque se convenceu: o ambiente levaria ao rebaixamento | OPINIÃO

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A diretoria enfim tomou uma atitude assertiva e confrontou a inércia que irrita a torcida e foi escancarada no inquietante 0x0 contra o América MG no Morumbi, na quarta-feira passada.

Júlio Casares, Carlos Belmonte, Rui Costa e Muricy Ramalho protagonizaram um conjunto de ações revelado pelo jornalista Arnaldo Ribeiro no canal Arnaldo e Tironi do YouTube (vídeo no final do texto).

> O que foi feito para a postura mudar?

Já na quinta-feira, dia seguinte a São Paulo x América, o presidente Júlio Casares e o Diretor Executivo Rui Costa chamaram Hernán Crespo para manifestar apoio e informar que a cúpula atuaria diretamente para forçar uma mudança de postura. No dia seguinte, Rui Costa, Carlos Belmonte e Muricy estavam no CT da Barra Funda, e cada um deles conversou separadamente com o treinador.

A partir desses entendimentos, foram tomadas medidas que alteram o processo de trabalho na Comissão Técnica, adaptam o sistema de jogo às contingências físicas do elenco e buscam resgatar a coesão do grupo. As principais são:

• a centralização de TODAS as decisões nas mãos de Crespo: tudo terá a palavra final dele, inclusive em relação à preparação física. Ou seja, acaba a “democracia argentina” e fica a certeza de que o técnico não condiciona sua permanência à presença dos profissionais que ele trouxe. Por um lado, a diretoria dá carta branca para Crespo comandar o elenco como quiser; por outro, deixa claro que a responsabilidade do que vier pela frente será dele;

• um basta na marcação homem a homem: o sistema preferido de Crespo deixa de existir na reta final do Brasileiro, por causa do desgaste físico. Já contra o Atlético-MG, a marcação foi claramente por zona;

• o ultimato aos “descontentes”: Crespo conversou com cada um deles na sexta-feira, buscou o entendimento, mas esclareceu que não haverá mais concessões. Segundo Belmonte, Éder teve reação positiva e se colocou à disposição. Sobre Benitez, nada foi divulgado. E Arboleda teve atuação irretocável contra o Galo;

• a “parceria” com Miranda: o capitão tem ascendência sobre o grupo, é respeitado e apoia Crespo na missão de pacificar o elenco;

• o apelo de Crespo aos jogadores: o argentino pediu aos dirigentes um tempo a sós com o grupo. Segundo fontes que presenciaram o discurso, Crespo reconheceu erros, mas lembrou do que o grupo foi capaz no início do ano e pediu união pelo São Paulo, lembrando do que o time foi capaz no início do ano.

> Primeira reação foi positiva

As iniciativas surtiram efeito na partida contra o líder Atlético-MG no Morumbi.

Um São Paulo determinado e combativo endureceu o jogo, e permitiu apenas duas finalizações perigosas, ambas bem defendidas por Volpi. Arboleda, Miranda, Luan e Liziero foram destaques, e também Galeano, aplicado e eficiente na marcação do corredor esquerdo ofensivo do Galo.

A vitória até poderia ter acontecido, nos pés de Nestor ou Sara, e o time não buscou o domínio. Mas na realidade atual do campeonato e sobretudo levando em conta a falta de comprometimento que vinha sendo observada, o confronto contra o Atlético pareceu sinalizar a transformação de CARÁTER fundamental para evitar o pior.

> O menor dos problemas é o vexame

O AT ouviu fontes ligadas ao São Paulo que confirmam o óbvio: a diretoria acionou o botão de pânico, diante do interminável flerte com o descenso.

Até há poucos anos, o rebaixamento era terrível para o orgulho e… ruim para os cofres. Agora é um terremoto para as finanças e para a marca. Conquistas relevantes tornam-se inviáveis no médio prazo, bem como a recuperação do poder de investimento.

Uma referência importante é o sistema de cotas de TV: sua alteração em 2019 reduziu a distância entre os clubes de maior e menor representatividade. Assim, o privilégio de manter o faturamento de TV só com a “tradição” acabou.

Tomando como base um amplo levantamento realizado pelo jornalista Allan Simon, o Cruzeiro, por exemplo, receberia cerca de R$64M em 2020 se estivesse pela série A. Na B, recebeu R$20M.

No caso específico do São Paulo, a estimativa de prejuízo especificamente no que diz respeito à TV (somados os sistemas aberto, a cabo e Pay per View), é da ordem de R$40M/ano. Ainda há outro dano previsível: a perda do patrocinador master, que tem o direito de rescindir o contrato em caso de rebaixamento. Seriam R$63M até 2024, e a probabilidade de obter valor semelhante seria próxima de zero.  

Da mesma forma é lógico presumir que as receitas de publicidade, bilheteria, sócio-torcedor e venda de produtos licenciados despencariam.

No futebol, manter-se na elite é questão de sobrevivência.

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