Coelho relembra quase 'dispensa' de Maycon e ressalta qualidades de 'crias' do Sub-20 do Corinthians | OneFootball

Coelho relembra quase 'dispensa' de Maycon e ressalta qualidades de 'crias' do Sub-20 do Corinthians

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Dyego Coelho, ex-treinador do Sub-20 do Corinthians e com duas curtas passagens pelo time profissional, concedeu entrevista exclusiva ao canal da Twitch do Meu Timão. Um dos responsáveis pela formação de atletas que despontam no profissional atualmente, o técnico falou sobre o sentimento de ver esses jovens no time principal - assistir na íntegra abaixo.

"A sensação é como se fosse um filho se formando numa faculdade. Teve jogadores que estão no profissional agora que muita gente queria mandar embora. E eu segurava na unha, dizia que não ia mandar, se saísse eu ia junto. Ninguém sabe o que acontece na casa desse menino. Se o pai bate na mãe. São coisas que eu tento trazer para mim, porque eu e minha comissão queremos saber disso. Eles ficam presos, não falam e isso reflete dentro de campo. Tem muitas coisas que acontecem na vida desses meninos e ninguém sabe. A diretoria só quer saber de resultados", afirmou Coelho.

"É uma simples pergunta para o menino, e ele vai te responder. Porque ali é a casa dele. Ver hoje eles no profissional, fazendo gol, jogando jogos difíceis, me mandando mensagem agradecendo, eu fico muito feliz e emocionado", completou o treinador.

A trajetória de Coelho à frente do Sub-20 durou cinco anos, com 125 jogos, conquistando 71 vitórias, 31 empates e 23 derrotas, com um aproveitamento de 65%. Ele ainda citou exemplos de jogadores com os quais ele trabalhou na base e que quase foram dispensados antes de serem promovidos ao profissional. O ex-comandante comemorou sua persistência em acreditar nesses jovens.

"Maycon e Roni, eles renovaram o contrato machucados. Para ter uma ideia de como as pessoas acreditavam neles. Piton também, que não está jogando agora. Era muito habilidoso no futsal, jogava na frente, mas funcionava para a lateral. O Carlos também, que não está mais no clube", revelou.

Além do volante e do lateral já citados, grande parte dos garotos da base recém-promovidos à equipe principal, e que hoje são aproveitados por Sylvinho, passaram pelas mãos de Coelho no Sub-20. É o caso de Raul Gustavo, Xavier, Adson, Vitinho, Du Queiroz e Matuan, recuperado de lesão e que voltou à lista de relacionados contra o Atlético-GO. Coelho comentou sobre o a qualidade do meio-campista.

"Muita gente pergunta, não é mérito da gente que colocou. Quem se coloca no profissional é o jogador. Eu queria mostrar que a base funcionava mesmo e tive muito aval da diretoria. O Mantuan tem muita personalidade, até assusta. Não importa onde, ele vai jogar. É uma pena ele ter machucado. Se ele continuasse fazendo o que estava fazendo, talvez nem estaria mais no Corinthians. Ele é muito intenso, muito vertical, a cara do Corinthians", comentou o treinador.

Os atacantes Cauê e Rodrigo Varanda, que chegaram a subir da base, mas foram pouco aproveitados, também tiveram passagem pelo Sub-20 sob o comando de Coelho. O primeiro foi reintegrado ao Sub-20 e o segundo foi emprestado ao São Bernardo no início desta semana.

"Ele (Cauê) é parecido com o Joao Victor. Ele chega no Sub-20 sem gana, sem entender que ele está no Corinthians, que ele tem que se esforçar. E eu falei que ia ajudar ele nisso. Aquilo de marcação pressão, de incomodar o zagueiro, ele não tinha. Mas ele foi aprendendo. Ele sabe fazer gol, é bom de bola. Foi precoce ter colocado ele no profissional. Assim como o Vitinho. Deixa ele no Sub-20, fazendo muito gol, e daí ele vai estar pronto. Tem jogador que precisa pegar mais a base para chegar melhor no profissional", afirmou sobre Cauê.

"Eu trouxe o Varanda para o Sub-20 porque ele se destacava no Sub-15 e Sub-17. Todo mundo falava dele e eu falei para trazerem. Alguns atos ali não eram legais da família. Mas ele tem muita projeção, muito técnico e inteligente. Mas tem que ter calma e paciência. Não é alguém que vai entrar e resolver. É bom ele sair e jogar, mostrar o que pode fazer para depois voltar e seguir a carreira da melhor forma possível. Não sei se ele voltasse para a base, como ele iria se comportar. Não podemos impor a situação, o jogador precisa aceitar. Se fosse eu, iria querer ele comigo na base. Teríamos experiência para ajudar ele", concluiu sobre Varanda.

Nomes para o futuro

Fora os atletas que já se profissionalizaram, Coelho comentou sobre dois casos de defensores da base corinthiana com potencial para vingar no time principal: o zagueiro Alemão, do Sub-20, e o lateral-direito Igor Formiga, do Sub-23.

"Esse menino (Alemão) estava de volante no Franca. E eu não queria ele, achava lento, sem passe, bola aérea ruim. Achava que poderíamos achar melhores jogadores. Mas o pessoal da comissão falava que ele era bom jogador, mas estava em posição errada. Trouxemos ele e colocamos ele de zagueiro. Me ajudou bastante, menino muito focado. Tem qualidade, não é ruim, eu estava errado", disse sobre Alemão.

"Quando a gente trouxe ele (Igor) do Flamengo, a gente sabia do potencial. Mas eu vi que tinha alguma coisa que a gente tinha que adaptar, mas não sabíamos o que. Mas achamos, ele precisava de atenção. É um jogador que precisa de mais carinho, entender os movimentos com a família. Isso é difícil no profissional. Não sei o que aconteceu no Sub-23, ele saiu para ser emprestado e não foi bem. Isso gera um desconforto, talvez até perdeu a confiança. Mas ele tem potencial, temos que torcer", avaliou sobre Formiga.

Confira a entrevista na íntegra com Coelho na Twitch

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