ūüĒ• Clubismo OF: voc√™ prefere o clube ou a sele√ß√£o?

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Carter Batista

Imagem do artigo: ūüĒ• Clubismo OF: voc√™ prefere o clube ou a sele√ß√£o?

Houve um tempo em que o torcedor brasileiro comemorava quando um craque do seu time recebia uma convocação para defender a Seleção Brasileira.

Nessa época, havia também unanimidade entre os jogadores que a convocação era o grande objetivo de suas carreiras. Os próprios dirigentes dos clubes ficavam satisfeitos com a valorização do jogador e com o coroamento do trabalho bem feito.

E o mais surpreendente dessa época é que nenhum brasileiro torcia para a Argentina. Muito pelo contrário. Em uníssono, torcíamos pelo Brasil, com orgulho e paixão: en las buenas, pero en las malas mucho más.

Mas um processo de deterioração da relação entre o torcedor brasileiro e a Seleção começou a se instalar até chegarmos à quadra atual em que muitos declaram indiferença e outros tantos chegam mesmo a torcer contra.

Percebemos o vira-latismo se aproximando da loucura, ao notar que os jovens trocam a camisa amarelinha pelo rival que est√° h√° 30 anos sem ganhar nada e, ainda por cima, compartilha a grande maioria dos nossos problemas.

Mas talvez a gente vença a próxima Copa do Mundo e a resgate essa geração desgarrada por décadas de afastamento físico da Seleção, que mandou muito mais jogos em Wembley do que em nossos próprios estádios.

Um título dessa magnitude pode restaurar esse sentimento, mas até quando?

Hoje em dia, at√© quem n√£o se declara torcedor de outra sele√ß√£o, fica incomodado quando aparece uma convoca√ß√£o de um jogador do seu time, pois se sente como um b√°rbaro germ√Ęnico trabalhando de sol a sol para pagar tributos aos romanos.

Todo esse atrito se relaciona com a desorganização profissional do calendário do futebol brasileiro que não respeita as Datas Fifa desde sempre.

Com frequência, as convocação para simples amistosos ou partidas das eliminatórias sul-americanas coincidem com jogos decisivos dos clubes no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil.

Ou seja, o planejamento de um calendário que preserve os interesses dos clubes é a primeira medida a ser pensada pelos dirigentes, se pretendem recuperar essa relação entre a Seleção e torcedor brasileiro.

A Seleção pode ter o clubismo como aliado, como já foi no passado e não pode jamais se colocar entre o torcedor e sua paixão pelo seu clube, pois essa é uma batalha que começa perdida.

Quem ama cuida e quem quer amor tem que amar um pouquinho.


Foto de destaque: Paolo Aguilar-Pool/Getty Images