Beckham recebe críticas após acertar contrato bilionário de embaixador da Copa no Qatar | OneFootball

Beckham recebe críticas após acertar contrato bilionário de embaixador da Copa no Qatar

Logo: Jogada10

Jogada10

O ex-jogador David Beckham aceitou oferta do governo do Qatar para ser o rosto da Copa do Mundo de 2022. O inglês, de 46 anos, receberá cerca de 150 milhões de libras (aproximadamente R$ 1,1 bilhão na cotação atual) para ser o embaixador do país-sede do Mundial durante dez anos. O acordo, no entanto, lhe rendeu  uma série de críticas por parte de organizações de defesa dos direitos humanos.

Beckham terá que trabalhar para promover a Copa do Mundo de 2022, além de divulgar o turismo e a cultura do Qatar. Entretanto, a missão de promover a imagem de um país que tem violado constantemente os direitos das mulheres, além de ocultar mortes e abusos com operários durante as construções dos estádios do Mundial, rendeu questionamentos à moralidade do ex-jogador.

Beckham acertou contrato bilionário para ser o rosto da Copa do Mundo de 2022, no Qatar – Clive Brunskill / Getty Images

A Anistia Internacional, organização não-governamental com mais de 7 milhões de apoiadores no mundo, é um dos órgãos que criticaram o ex-jogador inglês. Em entrevista ao jornal britânico “The Sun”, Sacha Deshmukh, CEO da Amnistia Internacional do Reino Unido, disse que a decisão de Beckham em aceitar a oferta do governo qatari “não é surpreendente”.

“Não é surpreendente como Beckham deseja estar envolvido em um evento tão importante. No entanto, pedimos que ele se informe sobre a situação preocupante dos direitos humanos no Catar. Dos maus tratos de longa data aos trabalhadores migrantes até os limites à liberdade de expressão e à criminalização das relações homossexuais”, disse Sacha Deshmukh.

Beckham tem boa relação com o empresário qatari Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain. Nasser Al-Khelaifi é um dos donos da Qatar Sports Investments e tem grande influência no futebol no país. O ex-jogador foi contratado pelo clube francês em 2013 e foi um dos primeiros grandes investimentos do clube desde a chegada do empresário qatari.

O ex-jogador ainda não se pronunciou sobre o assunto. Em sua defesa, um porta-voz disse ao “The Sun” que ele “acredita no compromisso do Qatar com o progresso e que a Copa do Mundo poderá ajudar a provocar uma importante mudança positiva”. Além disso, Beckham também havia solicitado garantias como a liberdade dos torcedores exibirem as bandeiras arco-iris durante a competição.

Lusail Stadium será um dos oito estádios que receberão jogos na Copa do Mundo de 2022 – Getty Images

Governo do Qatar esconde mortes

Após ser eleito o país-sede da Copa do Mundo de 2022, o Qatar se planejou para a construção de oito estádios. Entretanto, a construção dos palcos das partidas do Mundial tem gerado constantes mortes de operários, além de abusos dos direitos. Segundo o jornal “The Guardian”, cerca de 12 imigrantes morrem por semana durante as obras. Até fevereiro deste ano, aproximadamente 6.500 pessoas já haviam morrido durante o trabalho.

Em agosto, o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2022 relatou 38 mortes de imigrantes em construções dos estádios, sendo que 35 foram classificadas como “não relacionadas ao trabalho”. De acordo com a organização dos direitos humanos, a maioria das mortes no país foram atribuídas como “causas naturais, como falhas cardíacas ou respiratórias. A Anistia Internacional defende que as classificações são “sem sentido”.

“Quando homens relativamente jovens e saudáveis morrem subitamente após trabalharem longas horas no calor extremo, levanta sérias dúvidas sobre a segurança das condições de trabalho no Qatar”, disse Steve Cockburn, chefe de Justiça Econômica e Social da Anistia Internacional à revista “Veja”, em agosto.

Siga o Jogada10 nas redes sociais: TwitterInstagram e Facebook.

Saiba mais sobre o veículo