As diferenças no início do trabalho de Marcão em 2019 e em 2020/21

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No próximo domingo (24), o técnico Marcão faz seu quinto jogo neste início de trabalho no Flu. O adversário, o Botafogo, é o mesmo enfrentado pelo ex-volante quando assumiu o time de forma oficial em 2019. Criticado, por enquanto, o treinador tem um aproveitamento menor do que o início do trabalho anterior.

Em 2019, Marcão somou, em seu início de trabalho, duas vitórias, um empate e duas derrotas. Um aproveitamento de 46,7% dos pontos disputados. Terminando com 50% no fim do Campeonato Brasileiro mesmo com o Flu chegando a ficar cinco jogos sem vitórias.

Enquanto que, em 2020/21, o desempenho é de 33,3%. Com uma vitória, dois empates e duas derrotas. Lembrando que o treinador não esteve à beira do gramado nem vitória no Fla-Flu, nem na goleada histórica para o Corinthians porque estava afastado após testar positivo para COVID19. Tendo sido substituído pelo auxiliar Ailton Ferraz nas duas partidas.

Por outro lado, o Fluminense tem feito mais gols que na passagem anterior de Marcão. O Tricolor balançou as redes sete vezes em 2020/21 (quase metade destes gols no empate em 3 a 3 com Coritiba) contra quatro em 2019. Em contrapartida também sofreu os mesmos sete gols contra os mesmos quatro na edição anterior do Brasileirão.

Mudanças de contexto no início do trabalho de Marcão

Além dos números, a missão de Marcão também mudou. Em 2019, o treinador assumiu com o objetivo de afastar o time da zona de rebaixamento após trabalhos ruins de Fernando Diniz e Oswaldo de Oliveira. Quando foi efetivado, por exemplo, o Fluminense ocupava a 16ª colocação com 22 pontos em 22 jogos.

Mais experiente depois de comandar o time Sub-23 do Fluminense, desta vez, o ex-volante herdou de Odair Hellmann um time na briga por uma vaga na Copa Libertadores da América 2021. Tendo assumido com o Tricolor na oitava posição com 32 pontos em 21 jogos.

O treinador, aliás, prometeu não alterar a filosofia imposta por Odair. Disse também que iria colocar seu estilo de jogo em prática aos poucos.

“A gente pretende manter tudo de bom que o professor deixou. O clube, a equipe, o grupo tem uma maneira de jogar hoje. E a pessoa que sentar aqui hoje tem que respeitar isso. A gente vai manter esse nível de dedicação, competição… Nossa equipe vai competir, vai marcar forte. Isso que a gente pretende fazer. O que a gente puder contribuir, da maneira que o Marcão gosta de jogar, a gente vai tentar fazer. Vamos ver se o grupo recebe bem. Mas a princípio vamos fazer o que o professor já vinha fazendo, dar continuidade ao processo, que é vencedor para esse Campeonato Brasileiro”, disse em sua primeira coletiva de imprensa desde que reassumiu o time.

O time comandado por Marcão

Apesar da promessa, não é o que a torcida tricolor tem visto em campo. O Flu perdeu a compactação, uma das principais características dos comandados por seu antecessor. A equipe atua de forma espaçada, sobretudo na recomposição defensiva, e tem dificuldades para recuperar a posse da bola. Contra o Coritiba, por exemplo, o clube paranaense se aproveitou do espaço entre as linhas no primeiro e no segundo gol.

Se por um lado, Marcão não consegue repetir o sistema de marcação de Odair, o técnico também está encontrando dificuldade para fazer o Flu propor o jogo. Em 2019, o ex-volante assumiu o time já tentando resgatar a saída de bola do então técnico Fernando Diniz, demitido oito rodadas antes. O mesmo estilo também era visto enquanto o treinador comandava o time Sub-23 do Fluminense.

Mas, o Fluminense de 2020/21 não possui mais as mesmas características, nem está habituado com o mesmo treinamento. Dentre os 11 titulares no início de trabalho de Marcão em 2019, não há nenhum remanescente no time atual. Embora o zagueiro Nino e o meia Nenê possam voltar ao time diante do Botafogo.

Desde que Marcão reassumiu, o Fluminense terminou com mais posse de bola em todas as partidas (as únicas exceções são justamente as partidas contra Flamengo e Corinthians, quando o Flu foi comandado por Ailton Ferraz). Contudo, o Flu demonstra dificuldades para criar jogadas.

Assim como no time dirigido por Odair, os pontos mais fortes ofensivamente são os cruzamentos. Quatro dos sete gols marcados pela equipe surgiram desta maneira (cinco se considerarmos o gol de Luccas Claro no Fla-Flu).

Desafios até o fim do Brasileirão

Em 2019, Marcão conseguiu livrar o Fluminense do rebaixamento e ainda conquistou uma vaga para a Copa Sul Americana. Mas, em 2020/21, o treinador vai precisar de mais se quiser fazer com que o Flu retorne a Libertadores após oito anos.

Mesmo com as possibilidades reais de um G7 ou até um G8, o Tricolor vê Corinthians, Ceará, Santos e até o Bragantino se aproximarem. Mas, para alcançar a classificação, o treinador vai ter  que encontrar sobretudo uma identidade para este Flu.

Faltando oito rodadas, o comandante tricolor corre contra o tempo para estabelecer uma forma de jogar. De forma que possa gerir a juventude de nomes como Calegari, Martinelli, Luiz Henrique e John Kennedy, com a experiência de Fred e Nenê.

Por enquanto, neste início de trabalho, a equipe dirigida por Marcão não se assemelha nem ao time de Odair Hellmann, nem com o time de Fernando Diniz nos melhores momentos de cada um.

ST