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·04 de outubro de 2022

Análise: A verdadeira mudança de patamar do Fortaleza após uma janela de transferências bem planejada

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O Fortaleza vive uma crescente de rendimento e resultados no campeonato brasileiro desde o início do segundo turno da competição, saindo da última posição para o 9° lugar, fazendo a luta contra o rebaixamento virar luta por mais uma participação internacional. Entre as motivações para a virada de chave tricolor, está a execução de um excelente plano montado para a janela de transferências do meio do ano.

Quando todos viam o Fortaleza na lanterna da competição durante quase todo o primeiro turno e já pensavam até mesmo em um possível foco em montar um plantel para disputar a série B no ano seguinte, a diretoria enxergou um ponto de mudança e reestruturação, bancou a permanência de Vojvoda e fez contratações pontuais e conscientes, dando uma aula de gestão de crise até então.

Antes de falar dos encaixes das contratações na equipe de titular e no rodízio que ocorre no elenco, é possível observar como foi municiado efetivamente o nível do banco de reservas do Leão do Pici. Durante o primeiro turno, o Fortaleza foi a equipe que mais sofreu gols nos acréscimos de uma das etapas:

  • Internacional: 53’ 1° tempo e 45’ 2° tempo
  • Botafogo: 44’ 2° tempo e 49’ 2° tempo
  • Ceará: 56’ 1° tempo
  • Goiás: 41’ 2° tempo
  • Atlético-MG: 43’ 2° tempo e 51’ 2° tempo
  • Coritiba: 49’ 2° tempo
  • Bragantino: 50’ 2° tempo

O Fortaleza parecia perder forças quando o jogo caminhava para o final. A questão trata sim de aspectos mentais e também físicos, mas o banco do Fortaleza era muito desequilibrado negativamente se comparado ao time titular na época.

Com oito contratações, o Fortaleza foi a quinta equipe que mais adquiriu novos jogadores na janela entre as equipes da primeira divisão. Os jogadores que chegaram ao Leão foram:

  • Goleiro: Luan Polli;
  • Lateral: Emanuel Britez;
  • Volantes: Lucas Sasha, Fabrício Baiano e Caio Paulista;
  • Meia: Otero;
  • Atacantes: Thiago Galhardo e Pedro Rocha.

Porém, mesmo com uma janela recheada de contratações, o Tricolor de aço foi muito consciente na parte financeira e se manteve entre as equipes que menos gastaram, aproveitando de opções de vantagem e jogadores pouco badalados no mercado, mas que possuem qualidade e se encaixam no esquema proposto por Juan Pablo Vojvoda, , os mais badalados que chegaram também passaram bem pelo processo de recuperação e vão ajudando muito a equipe.

Abaixo, a tabela com os valores (divulgados) gastos por cada equipe (em milhões de reais)

Valores veiculados pelo Globo Esporte

Com os números divulgados, o Fortaleza está situado na “segunda página” entre as equipes que mais gastaram no brasileirão, mesmo sendo uma das que mais contratou na janela.

ANÁLISE INDIVIDUAL DAS CONTRATAÇÕES

Além de entender como o Fortaleza estruturou sua janela de transferências, é necessário também entender como e porque as peças escolhidas encaixaram tão bem na equipe de Vojvoda.

LUCAS SASHA

Sasha já chegou no Fortaleza como peça fundamental na parte defensiva do meio de campo do tricolor, realizando regularmente um alto número de desarmes e intercepções, além de cumprir muito bem o “trabalho sujo” de cobrir os defensores. Hoje, na 29° rodada do campeonato, Sasha ocupa a liderança no ranking de jogadores com maior número de desarmes no segundo turno, além de ter batido o recorde de mais desarmes em uma única partida, na vitória contra o Internacional, no Castelão.

O volante foi uma das principais contratações, seus números e boas atuações parecem refletir diretamente na equipe, em números, por exemplo, assim como Sasha é o líder de desarmes, o Fortaleza é o vice-líder da competição no certame indicado desde a chegada do atleta.

Recuperação da posse de bola: Em sua formatação anterior, o Fortaleza buscava roubar a bola ainda no ataque, utilizando da pressão sobre os zagueiros. Porém, é também muito importante deixar que o adversário não o faça. Quanto mais depressa a recuperação da bola for feita, menos tempo terá o adversário para tentar chegar à baliza defendida pela equipe, é um fato, mas após a mudança, o Fortaleza consegue enxergar melhor os melhores momentos de pressão e quando deve se reestruturar defensivamente para receber o ataque adversário em seu campo. Essa temporização passa muito pelos pés dos volantes, entre eles, a âncora que atua entre a zaga e os meias de ligação. Lucas Sasha chegou e se tornou fundamental.

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Foto: Mateus Lotif/Fortaleza EC

CAIO ALEXANDRE

Os atletas de meio campo, em geral, possuem muitas particularidades. As principais mudanças da última janela, no setor central-defensivo, foram as saídas de Jussa e Felipe (ainda está no elenco, mas treinando separado) e as chegadas de Lucas Sasha e Caio Alexandre para reposição das peças.

“Vem somar o setor que tivemos algumas mudanças: a saída do Jussa e também do Felipe que está em negociação. A gente precisava reincorporar este setor e o Caio Alexandre vem qualificar ainda mais nosso elenco”, comentou o Presidente Marcelo Paz na apresentação do camisa 8 tricolor.

Mateus Jussa ganhava espaço pela versatilidade (atuava também de zagueiro e podia cobrir o corredor esquerdo) e força física, porém, acabava deixando a desejar na criação, utilizando pouquíssimos passes verticais. Felipe já possuía um estilo mais próximo de Caio Alexandre, mas que varia conforme o posicionamento. A construção da equipe, quando disposta nos pés de Felipe, ocorria desde a defesa, com o camisa 15 fazendo papel de ritmista, dando a velocidade necessária para a situação de jogo. Mesmo sem muita velocidade, Felipe flutuava pelo campo distribuindo o jogo, exceto quando atuava com Ederson, que passava a ser um ponto de apoio central para maior flutuação do outro volante.

Caio Alexandre, por sua vez, possuindo também a característica de reger o time na fase ofensiva, é mais veloz e consegue executar a função de box-to-box (expressão utilizada para jogadores que realizam corridas de uma área a outra), além de possui maior facilidade de participar diretamente de gols pois por muitas vezes transita como meia, tendo mais opções de passes verticais, que podem resultar em assistências. Os pontos que podem demonstrar maior deficiência do camisa 8 são as transições que exigem domínio orientado na saída e lances que exigem muita disputa física.

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Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC

EMANUEL BRÍTEZ

Brítez é, provavelmente, a principal aquisição do Fortaleza na temporada. Desde sua chegada, o defensor já atuou como lateral direito, lateral esquerdo, zagueiro central pelos dois lados e como Stopper (nomenclatura para zagueiros que jogam pelo lado em formações com 3 jogadores de defesa) também pelos dois lados. No Certame que inicia em sua chegada e passa pelos dias atuais, o Fortaleza tem a segunda melhor defesa da competição, com atuações muito concretas do Argentino que chegou por indicação de Vojvoda e é considerado ídolo do Union Santa Fé.

Defesa da meta: a meta é o espaço mais importante do campo. Enquanto o adversário tem a posse, qualquer equipe deve ter o caminho para a própria meta sempre fechado para que não sofra gols. Com o meio campo mais compacto e a chegada dos reforços (que serão pautados no próximo tópico), o Fortaleza tem sofrido menos ataques perigosos, por fechar muito bem os principais pontos de perigo em sua defesa.

Britez falou, inicialmente, sobre o processo de adaptação, demonstrando os motivos que o fizeram ser titular desde o primeiro jogo.

“A adaptação foi muito boa, porque tenho como companheiro o Romero que já jogou comigo no Independiente, temos um técnico argentino. Os companheiros, os dirigentes estão em um trabalho admirável, como nunca tinha visto. Eu vinha jogando, então não necessitava reforçar o físico. Me senti bem, um pouco cansado nos últimos minutos (de sua estreia), o que é normal”, afirmou o defensor.

Logo em sua primeira partida o defensor firmou também seu compromisso em tirar o Fortaleza da zona de rebaixamento e trazer a possibilidade de “pensar em coisas maiores”; Até o momento vem cumprindo sua promessa em conjunto com a equipe

“Estou contente de estar aqui no Fortaleza. É uma responsabilidade e tratarei de devolver dentro de campo toda a confiança que me deram. Já consegui jogar e estou confortável e feliz pelo modo que me tratam no clube. Sabemos que estamos em um momento difícil, mas tenho confiança, certeza e fé que sairemos juntos disso. Temos o objetivo de manter o Fortaleza na Série A. A expectativa é fazer grandes partidas para sair dessa situação e depois pensar em coisas maiores”, disse ele.

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Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC

THIAGO GALHARDO

Galhardo vem sendo o comandante do ataque do Fortaleza. Por mais que ainda precise aumentar a média de participações diretas em gols, o atacante é peça chave na criação de jogadas do tricolor e parece ter se especializado na criação de espaços para outros jogadores. Galhardo é outro jogador marcante nessa virada de chave do Fortaleza, tanto se visto como atleta como também se for analisado como liderança.

“A virada de chave acho que foi o foco total no Brasileirão. A gente estava em três competições e acaba que a gente prioriza uma competição ou outra… A logística também influencia, disse isso na minha apresentação. Com semanas para poder trabalhar e treinar, tudo fica mais fácil. Quando isso aconteceu, as coisas caminharam maravilhosamente bem”, destacou o atacante sobre a arrancada da equipe.

O atleta passa muita confiança para o elenco e conseguiu conquistar também sua torcida, que teve muita dificuldade de aceita-lo, por toda a história que construiu no rival, Ceará. Hoje, Galhardo é um dos atletas com maior identificação com a torcida por sempre chama-los para perto e jogar para o time. O fato de realizar diversas funções vem sendo providencial na montagem do ataque e para gerar opções para o treinador.

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Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC

RÓMULO OTERO

Otero tem passagens pelo seleção nacional e já havia atuado no futebol brasileiro, onde defendeu clubes como Atlético Mineiro e Corinthians. Quando chegou a Fortaleza, surgiu a dúvida se valeria mesmo à pena o investimento, por se tratar de um jogador que não estava em sua melhor fase. Por outro lado, muitos valorizavam suas passagens pelo Brasil e acreditavam quem podia, sim, render. Mas afinal, quais são os verdadeiros diagnósticos e prognósticos?

Otero começou fazendo pequenas participações e ficando fora de diversas partidas. Muitos torcedores já tinham aceitado que não jogaria tanto na equipe. Porém, Vojvoda foi começando a lançar o colombiano em algumas partidas em que o mesmo não desperdiçou os minutos que recebeu.

Hoje, Otero parece só não ser titular pela formatação da equipe titular, onde Vojvoda opta por outras características, mas tem tido muitos bons minutos, sendo utilizado como titular pela primeira vez na vitória sobre Goiás. O Meia continua assustando os adversários com as bolas paradas e parece sempre “acordar” o Fortaleza quando está em campo.

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Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC

PEDRO ROCHA

Mesmo com passagens pelo exterior, vale ressaltar que foi no Brasil e atuando pelo Grêmio onde Pedro Rocha viveu seu auge da carreira, tendo sido determinante para a conquista da Copa do Brasil de 2016. Em 2017, também foi peça importante na Libertadores, apesar de ter saído antes do título.

No Fortaleza, o jogador fez poucas partidas até o momento, mas já demonstrou evolução física desde sua chegada e aproveitou bem os minutos que teve, principalmente no duelo contra o Flamengo, quando marcou dois gols e fez grandes jogadas. O atacante gera muitas opções por conseguir atuar bem como ponta dos dois lados e também ter o que é preciso para encaixar em esquemas de dois atacantes, sendo assim uma opção plausível em boa parte das variações do Fortaleza.

“Gosto (da concorrência no ataque). Isso é um problema para o treinador, entre nós é uma disputa sadia e vamos procurar fazer nosso melhor e trabalhar da melhor forma para que o treinador tome as decisões”, afirmou o atacante.

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Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC

FABRÍCIO BAIANO E LUAN POLLI

Fabrício e Luan são, entre as contratações, os jogadores que parecem mais distantes de disputar titularidade ou de serem cruciais para a equipe, mesmo assim, foram contratados sobre uma lógica que normalmente premia equipes. Baiano foi uma opção para variações do Fortaleza, que pode entrar quando a equipe está em vantagem, fazendo a cobertura pelo lado direto, por ter velocidade e muita imposição física. Luan Polli chegou como reposição de Max Wallef, que foi vendido para uma equipe da Ucrânia. Logo, todas as aquisições do tricolor tiveram uma linha de raciocínio que condiz com uma equipe que busca reação, por mais que nem todos tenham encaixado 100%.

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