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·04 de dezembro de 2022

A Premier League contratou vários heróis da seleção senegalesa de 2002 – e nenhum deu muito certo

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A Copa do Mundo pode ser um palco importante para os jogadores se exibirem para os mercados mais ricos do futebol mundial. Como uma das maiores surpresas da história competição, com certeza vários jogadores da seleção senegalesa de 2002 esperavam receber propostas polpudas. Não foi exatamente o que aconteceu. Muitos acabaram ficando na França, outros foram para ligas secundárias. A Premier League, porém, se encantou com muitos daqueles heróis, especialmente clubes do meio para baixo da tabela que tentavam encontrar algumas barganhas. Houve níveis diferentes de sucesso, mas, sendo sincero, nenhum realmente explodiu no Campeonato Inglês.

Aliou Cissé

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Aliou Cissé e Verón (Foto: Alex Livesey/Getty Images/One Football)

A Copa do Mundo de 2002 foi muito importante para Senegal. E aquela temporada, em menor medida, também havia sido para o Birmingham, que retornara à primeira divisão do Campeonato Inglês após 16 anos. Precisava de reforços, e o técnico Steve Bruce ficara impressionado com a atuação de Aliou Cissé, volante e capitão da seleção senegalesa, contra Patrick Vieira. “Assim que eu vi a atuação dele contra a França, confirmamos que seguiríamos em frente com o acordo. Quando eu vi a sua atuação contra talvez o melhor meia do mundo, me fez apertar todos os botões para tentar fazer o acordo dar certo”, disse Bruce, durante a apresentação do agora técnico de Senegal. Cissé era jogador do Paris Saint-Germain e havia sido emprestado ao Montpellier antes do Mundial. Foi expulso logo em sua estreia, contra o Arsenal, ao levar dois cartões amarelos em menos de 15 minutos. O segundo, por uma entrada em Ashley Cole, porém, seria rescindido. Cissé seguiu como titular do Birmingham, inclusive enquanto lidava com um enorme drama pessoal. O naufrágio de uma balsa na costa da Gâmbia causou a morte de 12 de seus familiares, incluindo uma irmã. Continuou jogando apesar de tudo e foi recebido em uma partida com um mosaico da bandeira de Senegal no St. Andrew’s. Além daquele cartão amarelo na estreia, havia levado outros dez quando chegou fevereiro e uma lesão encerrou sua temporada precocemente. No começo da nova, apresentou-se atrasado para a preparação e ficou fora das primeiras rodadas. Ainda faria 15 jogos na Premier League, mas terminou a campanha afastado. Saiu em 2006 para o Portsmouth, no qual passaria dois anos, mal entrando em campo no segundo.

Henri Camara

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Henri Camara, do Wigan (Foto: Clive Brunskill/Getty Images/One Football)

Dos heróis de Senegal, um dos que mais deu certo. E esse foi herói com H maiúsculo porque virou titular apenas na terceira rodada, deu duas assistências contra o Uruguai e marcou os dois gols da vitória sobre a Suécia nas oitavas de final – inclusive o de ouro na prorrogação. Ele fez 126 partidas de Premier League por cinco clubes diferentes e marcou 31 vezes. O atacante do Sedan foi contratado pelo Wolverhampton, um ano depois do Japão e da Coreia do Sul. Foi apenas um breve soluço na história dos Lobos, a única temporada na primeira divisão entre 1984 e 2009. Camara não foi mal. Fez sete gols (seis nas últimas nove rodadas) em 30 partidas. Saiu por empréstimo para o Celtic e retornou à Inglaterra para terminar o campeonato pelo Southampton. Em 2005, foi contratado pelo Wigan, o clube inglês que mais defendeu. Teve uma contribuição de 12 gols em seu primeiro ano e chegou a ser um dos favoritos da arquibancada. Não teve tanta sorte emprestado ao West Ham, nem em um semestre pelo Stoke City. Ainda jogou pelo Sheffield United na segunda divisão em 2009/10, antes de abandonar a ilha para encerrar sua carreira na Grécia – aos 41 anos. Era o maior artilheiro da história de Senegal até ser ultrapassado por Sadio Mané.

Khalilou Fadiga

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Fadiga, pelo Bolton (Foto: Jamie McDonald/Getty Images/One Football)

Fadiga foi titular em quatro partidas na Copa do Mundo e recebeu uma das melhores propostas. Um ano depois, trocou o Auxerre pela Internazionale, mas nunca conseguiu defender o clube italiano ao descobrir que sofria de um problema cardíaco. Ao ser liberado do seu contrato, treinou algumas semanas com o Bolton e acertou com o time comandado por Sam Allardyce, que vinha de um vice-campeonato da Copa da Liga Inglesa. Após estrear com 13 minutos contra o Crystal Palace, desmaiou durante o aquecimento antes de pegar o Tottenham, no fim de outubro. “Eu me lembro muito bem. Você não consegue esquecer algo assim. Eu estava me aquecendo com El Hadji Diouf, Fernando Hierro, Ivan Campo e todo mundo, estávamos rindo. Então eu me senti atingido dos pés à cabeça. Eu estava no vestiário quando acordei e vi o médico perto de mim”, disse. Cerca de uma semana depois, Fadiga instalou um desfibrilador no peito, por precaução, segundo seu médico, e ainda fez mais sete jogos naquela temporada, alguns completos na Copa da Inglaterra. Embora tenha conseguido dar sequência à carreira, nunca mais engrenou. Foi emprestado ao Derby County na temporada seguinte, para ganhar ritmo, e retornou ao Bolton para os últimos meses. Fez apenas 13 jogos de Premier League e um gol. Ele ainda teria uma breve passagem pelo Coventry City na segunda divisão antes de jogar na Bélgica e se aposentar em 2012.

El Hadji Diouf

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Diouf, do Bolton (Foto: Hamish Blair/Getty Images/One Football)

Diouf deixou a Copa do Mundo como o principal destaque da seleção senegalesa, mesmo sem ter feito um gol. Foi eleito o melhor jogador africano e exigiu um investimento alto, de cerca de € 15 milhões, para ser contratado pelo Liverpool. Vice-campeão na temporada anterior, os Reds imaginaram que ele e outros reforços daquela janela, como o seu compatriota Salif Diao, seriam o elo perdido para enfim conquistar a Premier League. Em campo, o começo foi promissor, com dois gols na segunda rodada contra o Southampton. Entrou e saiu do time de Gérard Houllier nos meses seguintes e foi titular na metade final da temporada. Em 2003/04, fez 33 jogos e, se é verdade que nunca foi um grande artilheiro, nenhum golzinho ainda é uma produção baixa. Foram suas últimas partidas pelo Liverpool, não apenas pelo desempenho decepcionante em campo. Fora dele, colecionou controvérsias, como uma cuspida contra um torcedor do Celtic e problemas de relacionamento com os líderes de vestiário. Steven Gerrard disse que ele foi a contratação do Liverpool que ele menos gostou, e Jamie Carragher achava que não fazia diferença a Diouf se o time ganhava ou perdia, citando uma ocasião em que o Liverpool foi eliminado pelo Portsmouth da Copa da Inglaterra, com Michael Owen perdendo pênalti, e no dia seguinte, Diouf chegou com música alta no carro e começou a dançar no estacionamento. Diouf respondeu devidamente às críticas dos dois ídolos vermelhos repetidas vezes. Saiu para o Bolton, pelo qual teria seu período mais estável na Inglaterra, com quatro temporadas. Estabeleceu uma boa relação com Sam Allardyce, que o levou para o Blackburn e tentou contratá-lo no West Ham. Na Premier League, também defendeu o Sunderland, além do Doncaster Rovers e Leeds na segunda divisão.

Amdy Faye

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Amdy Faye, do Charlton (Foto: Jamie McDonald/Getty Images/One Football)

Como outros jogadores daquela seleção senegalesa, o meia Amdy Faye, que fez apenas dois jogos na Copa do Mundo, um como titular, contra a Suécia, teve que esperar um ano para receber uma proposta. Trocou o Auxerre pelo Portsmouth e chegou a fazer 127 jogos de Premier League, por quatro clubes diferentes. Disputou 27 rodadas em sua primeira campanha, apesar de algumas lesões. Ficou apenas 18 meses no Fratton Park. Foi contratado em janeiro de 2005 pelo Newcastle, cujo técnico, Graeme Souness, conduzia sua primeira janela de transferências após substituir Bobby Robson. Ele foi o terceiro reforço, depois de Jean Alain Boumsong e Celestine Babayaro. Fez 45 jogos pelo clube antes de sair para defender o Charlton, em 2006/07, quando fez seu único gol no Campeonato Inglês, justamente contra o Portsmouth. Não conseguiu evitar o rebaixamento. Teria uma passagem de pouco sucesso pelo Rangers e retornou à Premier League para fazer uma temporada pelo Stoke City. Aposentou-se após jogar pelo Leeds na segunda divisão da Inglaterra.

Lamine Diatta

O zagueiro esteve em campo durante todos os minutos da campanha de Senegal na Copa do Mundo, como jogador do Rennes, e saiu para o Lyon, que dominava o Campeonato Francês, dois anos depois. Contribuiu com dois títulos da Ligue 1 e saiu justamente para o rival Saint-Étienne. A chance na Inglaterra chegou em março de 2008. Ele estava sem clube após rescindir com o Besiktas e acertou com o Newcastle apenas até o fim daquela temporada. “Não temos muitas opções se mais alguns de nossos defensores se lesionarem, e Diatta nos dará isso”, disse o então técnico Kevin Keegan. Diatta disse que discutiria seu futuro apenas quando o campeonato terminasse. Ele não foi mais do que uma cobertura mesmo. Jogou nove minutos, oito contra o Reading e um contra o West Ham, e não ficou para a campanha seguinte. Teria mais uma passagem pela Inglaterra, com o Doncaster Rovers, em 2011/12, na segunda divisão, mas nem entrou em campo.

Salif Diao

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Salif Diao, do Stoke City (Foto: Bryn Lennon/Getty Images/One Football)

Dos reforços do Liverpool naquela janela de transferências de 2002, foi o mais regular – embora também tenha dito posteriormente que não se sentiu bem recebido pelo vestiário e rebateu críticas feitas por Steven Gerrard em sua autobiografia. Meia que fez três jogos na Copa do Mundo, e foi expulso contra a Dinamarca, Salif Diao teve um problema tático com Gérard Houllier, que muitas vezes o utilizava fora de posição. Ainda fez 40 jogos em sua primeira temporada antes de praticamente ser deixado de lado na segunda. A chegada de Rafa Benítez não melhorou muito seu status em Anfield. Ele disputou míseros oito minutos da campanha do título europeu de 2004/05 e saiu para o Birmingham, em janeiro. Também seria emprestado para Portsmouth e Stoke City, no qual conseguiu se estabelecer. Fez 107 jogos pelo clube entre 2006 e 2012. Passou a trabalhar como embaixador dos Potters na França e na África quando sua carreira chegava ao fim.

Ferdinand Coly

Não é fácil lembrar da passagem do lateral direito, titular em todos os jogos na Copa do Mundo, pela Inglaterra. Ele era jogador do Lens, com o qual foi vice-campeão francês. Em 2003, tentou a sorte na Premier League. Foi emprestado ao Birmingham até o fim da temporada, contratado na janela de inverno pouco antes de Christophe Dugarry. Fez a sua estreia em 5 de janeiro, em uma derrota para o Fulham na Copa da Inglaterra. Seu primeiro jogo na Premier League chegou uma semana depois, contra o Arsenal. E nunca mais entrou em campo com a camisa do Birmingham. Retornou ao Lens e encerrou carreira na Itália, por Perugia e Parma.

Papa Bouba Diop

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Diop, do Fulham (Foto: Phil Cole/Getty Images/One Football)

Não importa o que acontecesse em sua carreira, para sempre seria conhecido como o cara que fez aquele gol que pegou a França de surpresa na estreia da Copa do Mundo. Marcaria mais duas vezes, contra o Uruguai, e jogou todos os minutos da competição. Foi contratado apenas dois anos depois pelo Fulham, no qual passaria três temporadas bem estáveis, geralmente como titular de Chris Coleman, que levou a seleção galesa à semifinal da Eurocopa de 2016. Diop saiu para o Portsmouth em 2007 e teve um papel importante na conquista da Copa da Inglaterra, embora tenha disputado apenas 12 minutos da final contra o Cardiff. Não foi tão utilizado na Premier League, porém, e saiu após o rebaixamento do clube, em 2010. Passou pela Grécia e ainda retornou à Inglaterra para defender West Ham e Birmingham na segunda divisão. Fez 129 jogos na Premier League.

Habib Bèye

Lateral direito reserva que fez três jogos na Copa do Mundo, o destaque o levou do Estrasburgo ao Olympique de Marseille. Em 2007, foi contratado pelo Newcastle, então treinado por Sam Allardyce – que ao longo da sua carreira deu muita moral para os heróis de Senegal. Chegou com o status de capitão do Marseille e fez duas temporadas como titular. Saiu com o rebaixamento para o Aston Villa, no qual teve bem menos espaço durante dois anos, com apenas 18 jogos. Ainda faria uma campanha pelo Doncaster Rovers, que, como Allardyce, deu chance a vários senegaleses daquele time, antes de se aposentar.

Faixa bônus – Alassane N’Dour

Bônus porque nunca chegou a jogar a Premier League. Meia que enfrentou apenas o Uruguai, no empate por 3 a 3 na terceira rodada da fase de grupos, Alassane N’Dour defendia o Saint-Étienne, na segunda divisão francesa, na época da Copa do Mundo. A oportunidade de se testar no exterior chegaria um ano depois do Mundial, em 2003, quando foi emprestado ao West Brom, que havia acabado de ser rebaixado à segunda divisão. Não foi a temporada em que o meio-campista queimou mais calorias na sua carreira. Fez apenas dois jogos pela liga nacional, ainda batizada de Primeira Divisão antes de se transformar em Championship, e outro na Copa da Liga Inglesa. Naturalmente, não foi contratado em definitivo. Passou pelo Troyes antes de receber uma nova chance no futebol inglês. Foi contratado pelo Walsall, no começo de 2008 e fez nove jogos na metade final da terceira divisão. Encerrou carreira na Grécia.

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