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A invasão brasileira em Montevidéu é correspondida da melhor maneira: com uma lição de hospitalidade dos uruguaios

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* Direto de Montevidéu

Como bons vizinhos de longa data, Uruguai e Brasil possuem um laço de amizade e cumplicidade. E essa proximidade vai além de, literalmente, fronteiras, já que o Uruguai e o Rio Grande do Sul compartilham mais de mil quilômetros territoriais.  A cultura do churrasco, da pecuária, do futebol aguerrido e, principalmente, do chimarrão, deixam claro que o povo gaúcho e o povo uruguaio dividem muito mais do que limites fronteiriços.

Mesmo com a distância em relação às demais regiões do Brasil, o povo uruguaio está recebendo pessoas de diversos cantos do país vizinho. Além das enormes torcidas de Flamengo e Palmeiras que invadiram Montevidéu para a final da Libertadores, a capital uruguaia também recebeu os seguidores de Athletico, Red Bull Bragantino e Corinthians.

O cenário boêmio de Montevidéu é um atrativo. A excelente culinária e as ruas arborizadas são outros dois bons motivos para qualquer brasileiro se apaixonar pela capital vizinha. A sensação de segurança ao caminhar pela cidade é invejável. O número de estádios em uma mesma cidade, para quem ama futebol, é outro ponto a ser considerado. Aqui, o carnaval dura quarenta (40!) dias. Motivos não faltam para um brasileiro se identificar e criar vínculo com o país e, acima de tudo, com a capital uruguaia. De acordo com a embaixada brasileira em Montevidéu, entre 2016 e 2018, aumentou em 29% os pedidos de residência de brasileiros no país vizinho. Estima-se que mais de 20 mil brasileiros vivem no Uruguai. A hospitalidade é tão boa que o pessoal não quer ir embora.

É possível se sentir em casa em bairros mais afastados do centro da capital, mesmo sem todo o atrativo turístico, como o Jardines del Hipodromo, bairro onde se localiza o estádio do Danubio, time que recentemente conquistou o acesso para a primeira divisão do Campeonato Uruguaio. Com um clima bem familiar, no estádio que leva o nome do bairro, assistimos à partida entre Sud América e Rentistas, com vitória da IASA, por 3 a 1.

Muitas famílias e crianças acompanharam o duelo pela penúltima rodada do campeonato local, que colocava em jogo a permanência do Sud América na primeira divisão. Adriana Rey, que é mãe de um dos atletas do Sud América, gosta de ver seu país recebendo turistas, especialmente brasileiros: “Muitas pessoas estão aqui para ver as finais, isso deixa o país alegre e movimentado”.

No intervalo, conversamos com Alan Lewis, torcedor que arrisca um pouquinho de português e mostrou-se contente em encontrar muitos brasileiros em Montevidéu. “Fui a uma festa e tinham muitos brasileiros dançando. Muito divertido”, enfatizou Alan, enquanto tomava seu mate na arquibancada ao lado de seu pai. “O uruguaio é um povo amigo do brasileiro. Aqui serão muito bem recebidos, com segurança. Ajudaremos em tudo, para que sintam-se em casa”.

Estádio do Danubio (Créditos: Giancarlo Santorum/ Trivela)

No último dia da Embaixada do Torcedor, uruguaios e brasileiros dividiram o espaço disponibilizado pela Conmebol no bairro Punta Carretas. Torcedores de Nacional, Peñarol, Palmeiras e Flamengo tomaram os espaços destinados aos torcedores no evento. Além dos jogos interativos realizados no local, ainda viram ídolos do futebol sul-americano disputarem o Jogo das Estrelas.

Luis de Armas, hincha do Peñarol, gosta da enorme quantidade de brasileiros no país. “Os brasileiros são bem vindos aqui, porque trazem alegria. Nós, aqui no Uruguai, somos muito tranquilos e frios, e quando vêm os brasileiros tudo fica mais caloroso, fica um clima de festa em nosso país.”, disse enrolado em uma bandeira do Carbonero, que brigará pelo título uruguaio até a última rodada com o rival Nacional.

Luis enrolado na bandeira do Peñarol (Créditos: Giancarlo Santorum/ Trivela)

A hospitalidade do povo uruguaio é famosa no mundo inteiro. A receptividade, o acolhimento e a educação são heranças passadas de geração em geração. “Eu creio que isso vem dos nossos avós que vieram de outros lugares. No tempo da ditadura, quando eles precisaram sair do país, foram bem recebidos na Argentina e no Brasil. Então eu creio que parte disso é uma forma de agradecimento. Receber bem as pessoas como forma de respeito, já que um dia os uruguaios já foram bem recepcionados em outros lugares. Acho que aprendemos muito com isso e por isso somos muito receptivos.”

Sobre um possível palpite para a final, Luis preferiu não escolher lado, mas deixou claro: “Muitos uruguaios, ao menos a maior torcida do país, estarão ao lado do Piquerez, do Palmeiras”. O lateral-esquerdo, de 23 anos, chegou ao Palmeiras vindo do Peñarol, equipe de Luis. Arrascaeta, do Flamengo, também contará com apoio uruguaio, já que é cria da base do Defensor, clube com uma rica história dentro e fora de campo.

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