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A fé era tão viva em meio ao desespero porque o palmeirense sabia que Weverton ajudaria

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Weverton protege capítulos fundamentais da história do Palmeiras em suas luvas. As glórias que se repetem ao longo dos últimos anos não seriam possíveis sem o goleiro, incansavelmente decisivo desde que chegou ao Allianz Parque. O veterano possui uma coleção de atuações milagrosas, tantas delas até maiores do que o épico vivido contra o Atlético Mineiro. Ainda assim, o arqueiro não era um guardião apenas da meta alviverde nesta quarta-feira, em meio ao vendaval que ocorria em campo. Ele também resguardava as esperanças de uma torcida que era a presença a mais quando o time possuía homens a menos. A imagem final da noite seria de Weverton, herói com o pênalti de Rubens nas mãos, para que o inacreditável se cumprisse assim que Murilo convertesse a cobrança derradeira. O ídolo correspondia à confiança de toda aquela multidão palestrina.

Se um dia Weverton até pareceu um negócio supérfluo do Palmeiras quando desembarcou no clube, o seu nível de atuação faz esses pensamentos passados soarem como tolices hoje em dia. Mesmo numa agremiação que idolatra tanto os seus arqueiros, o acreano se incluiu entre os maiores. E conseguiu tal proeza pelos serviços prestados, acima de tudo. A qualidade exibida pelo veterano ao longo desses anos é irreparável. Seu nível excepcional dura há tempos, a ponto de incluí-lo em qualquer lista de melhores camisas 1 do país neste século.

As conquistas embasam os argumentos a favor de Weverton. Afinal, não foram poucas as vezes que sua presença na meta culminou em taças. O primeiro ouro olímpico da Seleção está na sua conta, com o pênalti defendido no Maracanã contra a Alemanha. E o Palmeiras sabe como sua vida é bem mais feliz com uma contribuição providencial do arqueiro. O atual bicampeonato na Libertadores, por exemplo, não teria começado sem sua magnífica exibição para conter a reação do River Plate em 2020.

Se o desespero do Palmeiras durou apenas 90 minutos naquela ocasião, contra o Galo foram 180 minutos para testar a fé de qualquer alviverde. Weverton seria mero coadjuvante no Mineirão, sem evitar os gols adversários antes do empate heroico dos palmeirenses por 2 a 2. Contudo, o arqueiro seria chamado ao serviço no Allianz Parque. Precisou realizar defesas importantes ao longo dos 90 minutos, embora nada de tão impressionante. Para quem já viu o veterano operar intervenções praticamente impossíveis, a quarta-feira seria bastante segura.

O que não significa, porém, que Weverton não encarou tribulações. O Palmeiras jogou com dez homens por mais de 60 minutos. Precisou de muito foco para não sucumbir aos próprios temores, sobretudo quando ficou com nove. Méritos também dos jogadores de linha, em especial a dupla de zaga formada por Gustavo Gómez e Murilo, que protegeram muito bem a área. E quando isso não foi suficiente, além das defesas de Weverton, uma pitada de sorte também auxiliou os palmeirenses – juntamente com a falta de pontaria que já tinha prejudicado o Atlético na ida. Jair e Hulk erraram o alvo cara a cara, enquanto a bola que ninguém desviou nos acréscimos do segundo tempo terminou esbarrando na trave.

Encarar Weverton não costuma ser fácil no mano a mano. E, quando a partida seguiu aos pênaltis, a confiança do palmeirense se elevou graças ao seu goleiro, mesmo com as eliminações recentes na própria marca da cal. Não existia mais inferioridade numérica, ainda mais com um gigante intimidando os batedores adversários. Que Everson também venha de ótimos momentos recentes, não tem a bagagem de Weverton – especialmente para aquilo que tem feito o Palmeiras na Libertadores. O Galo até começou bem, com cinco tiros perfeitos que conseguiram escapar das luvas do acreano. Uma hora, contudo, ele ia pegar. Não deu nem rebote quando acertou o canto de Rubens, na defesa que possibilitou a miraculosa classificação.

As vitórias mais lendárias são aquelas gravadas a ferro e fogo em meio às maiores adversidades – uma reviravolta, uma decisão por pênaltis, um jogo com expulsões. O Palmeiras conseguiu um combo diante do Atlético Mineiro, para que essas duas noites façam parte da mística dos bicampeões continentais em busca do tri consecutivo. E se os goleiros tantas vezes precisam socorrer seus times nesses tipos de desmoronamentos, contar com Weverton é a fagulha que dá ao palmeirense a confiança no que pode parecer impossível. Os pênaltis surgiam como uma tábua de salvação exatamente porque o guardião não deixaria a história escapar tão fácil de suas luvas.

(Alexandre Schneider/Getty Images/One Football)

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