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·29 agosto 2025
Ioannidis, desejo antigo do Sporting: o que mudou no grego em uma época?

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·29 agosto 2025
«Ioannidis já está identificado há muito tempo pelo Sporting.» A frase, proferida por Rui Borges antes da viagem à Choupana para defrontar o Nacional, não surgiu por acaso. Foi uma espécie de confirmação pública de um desejo antigo.
A verdade é que há cerca de um ano o clube de Alvalade tentou, sem sucesso, garantir os serviços de Fotis Ioannidis. O negócio caiu, mas o interesse nunca desapareceu. Agora, um ano volvido, o cenário repete-se - embora com nuances que podem ser decisivas.
A época 2023/24 foi de sonho para Ioannidis. Com apenas 24 anos, o avançado assinou uma temporada de luxo: 23 golos e 10 assistências, estatísticas que o catapultaram para o estatuto de figura maior do Panathinaikos e da própria liga grega. Não foi por acaso que terminou o campeonato como quarto melhor marcador (15 tentos) e foi considerado o jogador da época do clube helénico - título que já era seu do ano anterior.
Ao mesmo tempo, ganhou espaço na seleção grega - muitas vezes até à frente de Vangelis Pavlidis -, somando golos importantes na Liga das Nações.
Tudo parecia apontar para a inevitabilidade de uma transferência para outros palcos, mas o futebol é fértil em súbitas mudanças de rumo. Em 2024/25, a sua produção ofensiva caiu a pique: 11 golos e duas assistências, números muito aquém da época anterior. Parte da explicação pode estar na mudança de comando técnico.
A chegada de Rui Vitória trouxe um modelo mais rígido e menos ofensivo, onde Ioannidis deixou de ter tanta liberdade para cair nas alas ou explorar o espaço entre linhas. Passou a ser sobretudo uma referência fixa, menos participativo no jogo e, por consequência, menos decisivo.
Para que perceba a diferença do registo ofensivo do Panathinaikos de uma época para a outra, caro leitor: 2023/24 - 55 jogos, 104 golos marcados; 2024/25 - 52 jogos, 74 golos marcados. Menos três jogos, menos 30 golos.
Habituado a carregar a coroa, Ioannidis passou a dividi-la com Tetê. E esta temporada até já a teve de passar definitivamente a Karol Swiderski. Nos últimos dois encontros o internacional polaco foi o escolhido por Rui Vitória para assumir a titularidade. O herói de 2023/24 passou a viver na sombra, com menos influência e com a sensação de que o tempo em Atenas está perto de chegar ao fim.
Foi nesse contexto de ascensão, no verão de 2024, que o Sporting decidiu avançar para Ioannidis. A SAD leonina chegou mesmo a apresentar uma proposta a rondar os 20 milhões de euros pelo avançado.
Contudo, do lado de Atenas, a resposta foi dura e sem margem para cedências. O Panathinaikos exigia um valor superior às duas dezenas de milhões de euros. A convicção dos gregos era clara: ou se pagava o valor integral ou Ioannidis continuava no clube.
Face a essa intransigência, o Sporting acabou por desistir. Virou-se para alternativas e fechou Conrad Harder, avançado do Nordsjaelland, por um valor mais acessível (a rondar os 19 milhões de euros). À época, o dinamarquês surgia como uma aposta de futuro, uma espécie de Gyokeres em bruto.
Mas um ano pode mudar muita coisa. Conrad Harder não tem correspondido totalmente às expectativas em Alvalade e o lugar que era ocupado por Viktor, agora é ocupado por Luis Suárez. Com propostas interessantes em cima da mesa - entre as quais uma do AC Milan e outra do Rennes -, o Sporting admite a sua saída e olha novamente para o mercado em busca de uma solução sólida.
É aqui que o nome de Ioannidis regressa à ribalta. Desta vez, há um dado novo: o jogador já deu o sim ao Sporting e até já se pronunciou publicamente. «Pelo que sei, já há um acordo verbal. Agora, há procedimentos são deixados para concluir algo como em qualquer transferência.»
O avançado quer rumar a Lisboa, vê o clube como a plataforma certa para relançar a carreira e tem, no compatriota Vagiannidis, uma referência de adaptação positiva ao futebol português.
O Sporting, por sua vez, entende que agora pode negociar em condições mais favoráveis, não só pelo desejo do jogador como também pela sua quebra de rendimento, que reduz a margem negocial do Panathinaikos. E, claro, pela liquidez garantida com a possível venda de Harder.
Rui Borges não o escondeu: «Ioannidis já está identificado há muito tempo pelo Sporting.» O dossier nunca foi esquecido em Alvalade e a conjuntura atual dá esperança a quem acreditava que este era o avançado certo para o futuro leonino.
Um ano depois da oportunidade perdida, todas as peças parecem estar novamente em cima da mesa. A pergunta é inevitável: será desta que o Olimpo de Alvalade recebe o seu tão desejado avançado grego?