Zerozero
·18 September 2024
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·18 September 2024
Este Ponto Final especial foi gravando durante o Thinking Football Summit, no Liga Portugal Experience, que decorreu no Super Bock Arena.
O convidado deste episódio voou sobre os centrais, foi um dos maiores avançados de sempre do futebol português no jogo aéreo, ganhou títulos em dois clubes distintos e ainda surpreendeu toda a gente com um terceiro regresso a Portugal. Tem um título europeu no seu currículo e é venerado sempre que pisa Istambul. Mário Jardel.
zerozero: Para o Mário Jardel é sempre bom regressar a Portugal?
Mário Jardel: É ótimo. A minha história em Portugal é maravilhosa, sou cidadão português, tenho dois filhos que nasceram aqui e este é um país com que me identifico, como sendo a minha segunda casa.
zz: Neste programa recuamos às memórias dos nossos convidados e começamos pelo final e com a despedida. Esteve inscrito no Rio Negro, mas nunca jogou, e por isso foi na Bulgária que pendurou as chuteiras. Quando fez o último jogo, achava que seria o último?
MJ: Acreditava que poderia jogar mais, mas o corpo não respondia. A cabeça queria, mas o corpo não ia. Eu costumo dizer que joguei futebol até ao Sporting, depois foi só enganar… (risos)
zz: A esta distância tem essa perceção, naquela altura não sentia isso. Acredito que pensava que poderia continuar a ter esse nível.
MJ: Sim, eu acreditava que podia, mas a oportunidade de um clube grande não aparecia. Quando estamos num clube grande temos mais bola e há chances de fazer golo. Por exemplo, no Beira-Mar fiz logo golo na primeira partida, mas havia pouca bola.
zz: Já tivemos um convidado que falou sobre o seu impacto em Aveiro, para o grupo. Como foi viver aquela realidade?
MJ: Foi outra realidade. As portas ficaram fechadas para os clubes grandes. Toda a minha história foi impactante e muito positiva, mas os portugueses só se lembram da fase má do Jardel, não dão oportunidade.
zz: Mas tem a noção que as pessoas ainda olham para o que fez no FC Porto e no Sporting de uma forma lendária?
MJ: Sim, claro que sim. O respeito e o carinho que recebo nas ruas é maravilhoso, tanto de portistas, como de sportinguistas e até de benfiquistas.
zz: É muito interessante isso.
MJ: As pessoas dizem que eu jogava muito, mas não. Eu fazia muitos golos, isso sim. Quem jogava muito era o Ronaldinho Gaúcho, o Ljubinko Drulovic, o João Vieira Pinto… O meu papel era fazer golos e era para isso que me pagavam. Fui muito bem sucedido, porque trabalhava muito para que esses golos aparecessem. Não fiz sozinho, fiz em conjunto e em todo o lado: no Vasco, no Grêmio, no FC Porto, no Galatasaray, no Sporting…
zz: Quando terminou a carreira deixou de ter amigos?
MJ: Sim, aconteceu comigo.
zz: E esse é o período mais difícil?
MJ: Para mim não. Não me preocupou. Os meus colegas mais velhos falavam do tema e eu senti isso na pele. É a vida. Quando tinha muito dinheiro, os amigos estavam perto do mim. Aconteceu comigo e aconteceu com muitos outros.
zz: Queremos regressar ao seu início: no zerozero temos a informação de que a sua carreira começou em 1990, mas se calhar foi atrás…
MJ: Bem antes.
zz: Mas foi no Ferroviário?
MJ: Não, foi no Ceará.
zz: E foi jogar futebol, porquê?
MJ: Porque sempre gostei de jogar e nunca gostei de estudar. Era futebol 24 horas, chegava a casa cheio de mazelas: cabeça partida, dedo arrancado… Vivi para o futebol e Deus correspondeu na mesma medida, com tudo o que fiz. Apanhava quatro autocarros todos os dias para ir jogar futebol. Eu costumo dizer que hoje os jogadores têm mais dificuldade em vencer, do que na época de 80 e 90. Hoje há empresários e pais, que muitas vezes atrapalham.
zz: Mas os seus pais deixavam-no jogar…
MJ: Sim, deixavam. Eles não acreditavam muito, mas eu acreditava. Sou um homem realizado, conquistei tudo no Mundo, sou conhecido no planeta e isso é gratificante.
zz: Quando é que foi para o Vasco?
MJ: Em 1991. Em janeiro de 1991. Fui logo campeão juvenil…
zz: E dois anos depois venceu o Campeonato do Mundo de Sub-20.
MJ: Fui tricampeão profissional do Campeonato Carioca. Uma semana antes do Dener morrer, eu entrei para o lugar dele e fiz os dois golos do título, contra o Fluminense.
zz: Muita gente diz que ele iria ser o supercraque do futebol brasileiro.
MJ: O Dener? Muito melhor do que o Neymar, muito melhor do que muita gente que anda aí. Dispensa comentários, ele saía do meio campo, driblava toda a gente… Era espetacular. Ia ser um dos melhores do Mundo. Ele ia à seleção, eu também, mas com Ronaldo e Romário eu não tinha condições para jogar.
zz: Não havia nenhum Ljubinko Drulovic para lhe cruzar a bola…
MJ: Ainda há dias ouvi uma pessoa que me veio dizer que eu fui um desperdício na seleção brasileira, que poderia ter sido um jogador mais utilizado. Mas a tática utilizada não era favorável para o meu estilo de jogo e quando jogava não tive muitas oportunidades de golo.
zz: Sente que o seu nome perdia força nas escolhas, também pelo estilo de jogo?
MJ: Sim, completamente e muitas outras coisas externas.
zz: Era o Zagallo?
MJ: Não era o Mário Zagallo... Fui o artilheiro do planeta em 2002 e não fui convocado para o Mundial… Com o Luiz Felipe Scolari a treinador do Brasil. Coisas que não dão para entender.
zz: Felipão, que foi seu treinador no Grêmio…
MJ: Exato. Tenho carinho por ele, não guardo mágoa.
zz: Nunca falaram do assunto?
MJ: Não, mas tenho vontade de falar com ele e perceber o que o levou a deixar-me de fora. Em qualquer outro país, eu iria para o Mundial e era titular.
zz: Como veio parar ao FC Porto, depois daquela super temporada no Grêmio? Veio o Jardel para o FC Porto e na temporada seguinte o Paulo Nunes para o Benfica.
MJ: A verdade é que eu tinha tudo certo com o Benfica. Era o Gaspar Ramos o dirigente, o Paulo Autuori o treinador. Estava fechado comigo e no dia antes da viagem o meu empresário, o Juan Figger, recebeu uma proposta melhor do FC Porto e tudo mudou. Era um salário melhor, o FC Porto era bicampeão… Mas o Benfica teve outra oportunidade de me poder contratar, pelo Manuel Vilarinho, mas ele enganou-me.
zz: Mas em algum momento, quando recebeu a proposta do FC Porto, o Benfica teve oportunidade de fazer uma segunda proposta?
MJ: Foi uma proposta bem melhor e uma jogada de mestre do Pinto da Costa. Fui o melhor marcador do campeonato quatro anos… Foram épocas estupendas.
zz: Pensava que ia ter o impacto que teve?
MJ: Sim, pensava. As pessoas perguntavam-me sobre as dificuldades que eu poderia ter em adaptar-me e eu dizia: Lá no Brasil o campeonato do futebol é num relvado, tem uma bola… Manda a bola na área que eu adapto-me rápido.
zz: E assim foi.
MJ: Mesmo. Eu estava no sítio certo, na hora certa. Criei um vínculo muito forte e impactante. Vai ficar na história e poucos vão fazer o que eu fiz aqui. Fiz muita coisa boa para o futebol português.
zz: Até que houve aquele jogo em Milão.
MJ: Em San Siro… Eu ia ser titular e fiquei aziado, porque o Oliveira colocou-me no banco. Estávamos a perder 2-1 e ele chamou-me e disse: Vais entrar e fazer um golo. Eu só lhe respondi: Vou fazer dois. Nunca mais me esqueço dessa conversa. Fiz os dois golos e a partir dali foi só a marcar.
zz: Foram muitos golos.
MJ: Sim, mas no início, nos primeiros testes, eu controlava a bola, acertava com a canela e toda a gente criticava. Num amigável contra o Hearts o António Oliveira colocou-me a titular e fiz dois golos. Mandou-me sair depois disso. Eu costumo dizer que o campo é igual em todo o lado, a bola é igual e quando estás numa equipa boa, e tens um finalizador como o Jardel, tudo se torna mais fácil.
zz: O Mário Jardel vinha desse hábito.
MJ: Sim, mas fiquei mais perfeito na Europa. Comecei a fazer golos com o pé direito, o pé esquerdo, de peito, de primeira, de letra, de costas, de canela. Nasci para fazer golos, sou um abençoado.
zz: E qual era a sua estratégia para fazer tantos golos de cabeça?
MJ: Isso é caro.
zz: Certo, mas uma coisa é saber, outra é fazer.
MJ: Verdade, vou contar. Quando a bola está na lateral, seja em qual for, o central nunca vai conseguir olhar para a bola e para o Jardel. Então, quando ele está a olhar para o jogador que vai cruzar, eu fujo à marcação. Dois passinhos para a frente, dois passinhos para o lado e já está.
zz: Mas esse é o movimento. E depois lá em cima?
MJ: Lá em cima é treino.
zz: Certo, mas é preciso acertar o tempo de salto.
MJ: Sim, e ter um dom. Deus deu-me este dom. É preciso saber cabecear e escolher o local onde vamos colocar a bola. Muita gente cabeceia de olho fechado. Muita gente diz que nunca viu ninguém rematar de cabeça. Eu rematava de cabeça.
zz: Como é que o FC Porto o conseguiu segurar quatro épocas? Não tinha clubes interessados?
MJ: Eu fiz contrato de quatro anos com o FC Porto. Ganhei o campeonato e fui melhor marcador logo na primeira época. No final do ano fui ter com o presidente a pedir um aumento. Ele não me deu um aumento, mas foi muito sábio. Deu-me uma percentagem do meu passe. E foi fazendo isso progressivamente e quando fui vendido para o Galatasaray já tinha uma percentagem grande. Esse foi o meu aumento. Ele foi muito esperto.
zz: E essa vantagem ajudou-o a querer ficar no FC Porto mais tempo?
MJ: Claro, eu tinha de treinar mais, para ter melhores propostas e com isso ganhar mais dinheiro quando fosse vendido. Foi uma jogada de mestre. Quando fui vendido tinha quase 20 por cento do meu passe. Investi em mim mesmo.
zz: Saiu para a Turquia… Pensava que ia encontrar o que encontrou no Galatasaray?
MJ: Não. Aquela dimensão não existe em nenhum outro local. Foi um ano, ganhámos a Supertaça Europeia, não fui campeão, mas fiz muitos golos.
zz: Mas no Galatasaray tem o registo de fazer um golo de ouro.
MJ: Golden Goal… Exatamente, contra o Real Madrid. Bons registos (risos).
zz: Ficou 2-1, o jogo acabou aos 103 minutos.
MJ: Marquei na primeira parte de grande penalidade, o Raúl também marcou de grande penalidade e depois marquei no prolongamento.
zz: Tinha o Taffarel na baliza.
MJ: Meu amigo, tinha o Okan, atual treinador do Galatasaray, o Capone, que foi meu colega no Brasil. Não perdi totalmente o contacto com todos os colegas. Aqui em Portugal é mais difícil, pois as pessoas não respondem.
zz: O Mário teve essa temporada de sucesso no Galatasaray e saiu: porque motivo?
MJ: Porque o Manuel Vilarinho fez-me uma proposta. Disse que se ganhasse as eleições trazia o Jardel para o Benfica. Assinou contrato primeiro comigo e não cumpriu. Eu fui muito burro, em ter caído na conversa dos empresários que me fizeram rescindir contrato com o Galatasaray de 25 milhões, para vir ganhar metade no Sporting. No Benfica eu vinha ganhar mais dinheiro, mas o Vilarinho não cumpriu.
zz: Era a bandeira eleitoral.
MJ: Exato. Fiz o acordo, mas depois tive de ir ganhar metade no Sporting. Quem ficou mal fui eu, mas por outro lado tive o título e fui artilheiro.
zz: Mas o Mário Jardel desvinculou-se do Galatasaray pelo compromisso que tinha com o Vilarinho e o Benfica?
MJ: Sim, mas hoje não faria isso. Arrependo-me muito de ter feito isso.
zz: De repente ficou sem clube…
MJ: Certo. Tive proposta do Marseille, mas depois consegui fechar de boca com o FC Porto, mas não me quiseram. E então vim para o Sporting e comecei uma nova batalha.
zz: Chegou perto do fim do mercado de transferências.
MJ: Sim, já tinham sido jogadas quatro jornadas. O meu jogo de estreia foi contra o Leiria, fiz um golo de penálti. Comecei a fazer alguns golos de grande penalidade, comecei a ficar mais magro, a conhecer os meus companheiros e era fácil fazer golos… Tinha o João Vieira Pinto, Ricardo Quaresma, Cristiano Ronaldo, Marius Niculae... Tinha uma equipa bem ligada e diziam que quem tinha Mário Jardel tinha títulos e era mesmo verdade. E vocês têm de concordar, quando jogamos numa equipa grande, a bola chega muito mais vezes e fiz muitos golos por isso. Sou um homem de sorte.
zz: Vinha com uma sequência muito grande de excelentes épocas. No Sporting criou uma espécie de alma gémea com o João Vieira Pinto. Podemos dizer que é o seu melhor companheiro de ataque? MJ: Esse foi o Ljubinko Drulovic. Não tenho dúvidas nenhumas em escolher o Drulovic. Eu imagino uma equipa minha com Drulovic e João Vieira Pinto, fazia 80 golos.
zz: Nessa época do Sporting qual foi o jogo mais marcante?
MJ: Sem dúvida nenhuma, o jogo do Estádio da Luz. Ficou 2-2. O Sporting estava a perder 2-0, faltavam poucos minutos e eu fiz dois golos. Fiz um golo de grande penalidade, que toda a gente diz que foi fantasma, mas não foi. Eu senti o toque do vento nas costas, atirei-me para a piscina e o árbitro marcou grande penalidade.
zz: O Jardel tinha uma aptidão muito grande em marcar contra o Benfica.
MJ: Não era só contra o Benfica, era contra todos os clubes. Mas quando se faz golos contra os grandes, as memórias ficam mais presentes. A preocupação dos defesas centrais para me marcar era constante. Ninguém dizia que ia anular o Jardel.
MJ: Fica 1-2 esse jogo. Era o Preud'homme o guarda-redes. Controlei a bola com o peito e rematei. Foi lindo. Fiz um golo muito parecido pelo Sporting, contra o Vitória de Setúbal. Esse jogo pelo Sporting foi muito importante, tal como o 2-2 no Estádio da Luz, pois passámos o Natal em primeiro lugar.
zz: O Sporting tinha sido campeão dois anos antes, mas sentiam pressão para ganhar, por terem uma boa equipa e o Mário Jardel jogar nessa equipa?
MJ: O campeonato ficou um bocado complicado em dezembro, mas fomos sentindo que podíamos ser campeões. Quando jogas fora e ganhas, e depois não perdes em casa, mostras um bom futebol, começas a sentir que vai dar. A minha história no Sporting foi diferente, pois tive o episódio de voltar ao FC Porto, mas não aconteceu e ingressei no Sporting. Fiz 29 jogos, marquei 42 golos e pouco tempo depois o Octávio Machado foi mandado embora do FC Porto. Comecei a fazer golos e foi uma bofetada de luva branca.
zz: Foi tão impactante no futebol português ao ponto de ter um música do Rui Veloso que fala de si…
MJ: O Rui Veloso é muito meu amigo.
zz: Foi para o filme Jaime. A música chama-se Não me Mintas. E quando está no Sporting foi praticamente instituída a regra de que os jogadores não podiam usar publicidade debaixo das camisolas.
MJ: Porque será?
zz: Exatamente… (Risos)
MJ: Quando comecei a ganhar um dinheiro extra com publicidade proibiram (risos), mas foi pioneiro.
zz: Mas como surgiu isso?
MJ: Foi uma jogada. Havia a dúvida inicial sobre qual seria a mensagem. Cada golo que eu marcava era um valor. Demorou um pouco às pessoas perceberem. Foi bem criativo por parte da marca.
zz: Saiu do Sporting para Inglaterra.
MJ: Fui para o Bolton.
zz: Estava muito bem, o clube, naquela altura.
MJ: Estava muito bem, mesmo. Tinha Jay-Jay Okocha, Youri Djorkaeff, Ibrahim Ba, Iván Campo Campo, Mário Jardel…
zz: Que equipa…
MJ: Mas o treinador era empresário do Kevin Davies, o avançado, e por isso eu nunca jogava. O treinador era o Sam Allardyce, vocês sabem as confusões em que ele já esteve metido… Era o meu treinador. Está explicado o porquê de eu não jogar. Primeiro jogo, Manchester United x Bolton. No primeiro tempo estava 3-0 e o Cristiano Ronaldo estava ao meu lado a assistir. Foi engraçada essa história. Ainda no ano passado estive com ele em Riade e recordámos o tempo que passei com ele no Sporting. Ele respeita-me muito, sabe a minha história.
zz: Ainda no Sporting, teve na equipa do Quaresma e o Ronaldo. Foi difícil eles entrarem na equipa?
MJ: Como é que eles iam entrar? No meu lugar? O Cristiano era um bom suplente, na altura. Tínhamos uma excelente equipa. Inesquecível.
zz: O Jardel disse-nos no início que andou a enganar as pessoas, mas no Bolton tinha excelente equipa.
MJ: Verdade, mas eu não joguei. O Kevin Davies tinha um pai, que era o treinador. Fui ter treinador e disse-lhe: Please, help me, give me a chance... Deixou-me jogar quatro jogos. Fiz um golo contra o Liverpool, fiz esse jogo para o campeonato.
zz: E quando não há oportunidade perde-se o ritmo.
MJ: Sim, perdes o ritmo, perdes a confiança e foi aí que começaram os problemas que vocês conhecem que eu tive. Hoje tenho esses problemas completamente superados e estou estável.
zz: Ainda foi a Itália e à Argentina.
MJ: Newell´s Old Boys e Ancona. O Ancona não me pagou e por isso fui embora. Quando eu saí do Sporting não tive mais oportunidades em clubes grandes e a bola não chegava. Essas situações foram desmotivantes para mim, aceitei essa situação, em vez de reagir. Foram etapas que tive e hoje conto, para as pessoas conseguirem ultrapassar. É preciso haver foco, seja em que clube for. Eu estava habituado a jogar em clubes grandes e a lutar por títulos. Quando fui parar a clubes pequenos tive mais dificuldades.
zz: Acreditou que quando veio para o Beira-Mar, pela mão do Augusto Inácio, podia dar uma nova volta?
MJ: Pensei que ia ficar magrinho, no primeiro jogo fiz golo.
zz: Um estádio grande, mas com pouca gente.
MJ: Verdade. Até fiz uma aposta com o administrador, o Sr. Cachide. Ele disse que me dava uma Cayenne nova, zerada, se eu fosse o melhor marcador do campeonato. Ele sabia que não ia acontecer, porque a bola não chegava lá. Os problemas começaram ainda no Sporting, quando o Bölöni veio bater à minha porta, para voltar para treinar.
zz: Conte essa história.
MJ: Foram buscar-me a Fortaleza. Eu não estava bem, estava numa depressão profunda. Mas é importante que as pessoas conheçam toda a minha história, para saberem o que não devem fazer. A minha história foi fulminante, cheguei ao topo do futebol mundial. Isso foi um orgulho para mim, mas também falo das minhas deceções, para servirem de exemplo. Sou uma figura mediática e como tal tenho de dar exemplo.
zz: No seu entender é importante os jogadores atuais perceberem que têm de pedir ajuda e muitas das vezes não é das pessoas que estão ao lado, mas sim de alguém que está de fora.
MJ: Nem isso eu conseguia pedir. Teria de ter pedido, mas não tinha pessoas de confiança ao meu lado nesse momento e isso afundou-me mais ainda e levou-me ainda mais para a depressão.
zz: Foi uma carreira bonita?
MJ: Claro que sim. Cinco anos a ser o melhor marcador do campeonato e vencer os campeonatos que ganhei? Se isso fosse no Brasil, hoje, era vendido por 200 milhões de euros. Os avançados hoje estão longe daquilo que éramos antes. É muito Instagram e muita publicidade. E sair à noite é impossível.
zz: Acontecia isso, no seu tempo, no FC Porto?
MJ: Não. O controlo era muito rigoroso. Eu ia algumas vezes, mas acompanhado e no Sporting era igual, mas saía muito pouco. No segundo ano, quando tive o problema, descambou. E é bom as pessoas perceberem que não adianta ir buscar o caminho errado, pois só vai dar errado.
zz: Só precisamos que escolha o 11 da sua vida.
MJ: É difícil, porque vou deixar alguns de fora.
zz: Olhe, o Sam Allardyce também o deixou de fora.
MJ: Na baliza, Cláudio Taffarel. A defesa direito Chiqui Arce, do Grêmio. A defesa central… Complicou, pois tenho muitos… Vou começar pela esquerda, Roberto Carlos. No eixo da defesa, Jorge Costa e André Cruz. A número 6 vou colocar o Paulo Bento, pela classe. Agora em cima, João Vieira Pinto, Ronaldinho Gaúcho, Paulo Nunes, Mário Jardel e Ljubinko Drulovic.
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