Fez mais de 100 jogos por Portugal e marcou à Espanha: «Éramos superiores» | OneFootball

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·3 April 2025

Fez mais de 100 jogos por Portugal e marcou à Espanha: «Éramos superiores»

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A emoção aumenta à medida que as horas passam e o pontapé de saída se aproxima. Quase uma década depois, a Península Ibérica volta a parar para um confronto no feminino entre as suas constituintes. As bandeiras saem das gavetas, as lancheiras e os depósitos dos carros atestados para quem tem viagens longas pela frente. Destino: Estádio Capital do Móvel, Paços de Ferreira. Ponto de encontro para portugueses, de Norte a Sul, na noite desta sexta-feira.

Os tempos são outros. A curva de Portugal e Espanha é francamente ascendente desde o último confronto, naquela tarde de verão, em julho de 2017, nos Países Baixos. Há caras que permanecem e caras que já ficaram para trás. A revolução foi francamente maior na Roja, mas os resultados acompanharam a aposta e o crescimento da jogadora espanhola. São as campeãs do Mundo.


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O confronto desta sexta-feira é entre uma seleção que já se estabeleceu como a maior potência da atualidade e outra que ainda está a traçar o seu caminho para a entrada na elite. Um mesmo objetivo, ritmos diferentes de crescimento, mas a palavra-chave é essa mesmo: crescimento.

Portugal ainda procura a primeira vitória oficial frente às espanholas. Os três jogos anteriores foram todos ganhos por nuestras hermanas. Se estendermos aos jogos não oficiais, o saldo torna-se menos pesado para Portugal. No total, são seis jogos entre as duas equipas, com duas vitórias para Portugal e quatro para Espanha.

A última vitória lusa data de outubro de 1997, em Castelo Branco. Um claro 3-0, com golos de Maria João Xavier, Ana Rita Gomes e Paula Cristina. É a última que conta ao zerozero que não foi sempre a Espanha melhor que Portugal. Em tempos, Portugal foi melhor que a Espanha.

«Havia muita qualidade, mas não havia uma aposta»

Os detalhes já não estão todos bem presentes. Aquele jogo foi o décimo de mais de 100 que Paula Cristina disputou com as quinas ao peito. Uma marca relativamente natural de ser alcançada nos dias que correm, mas muito valiosa numa altura em que as seleções disputavam muito poucos jogos por ano.

«Na altura, o que havia mais eram os quatro jogos que fazíamos no Mundialito, no Algarve. Era os apuramentos e pouco mais, daí eu ter tido que andar muito para alcançar as 100 internacionalizações. Tínhamos poucas competições, não ficávamos apuradas para o Campeonato da Europa e para o Campeonato do Mundo. Eram poucos jogos, os quatro do Mundialito, em que podia jogar todos ou não jogar, e mais um ou dois por ano», conta ao nosso portal.

O jogo. O 3-0 que ainda hoje é a maior vitória portuguesa - uma das únicas, também - contra as espanholas. Paula Cristina é uma das poucas mulheres portuguesas a saber o que é festejar um golo frente à Roja, mesmo que na memória já não morem os detalhes da jogada em si.

«Eu tinha sido internacional pela primeira vez em 1995, estava a fazer a décima internacionalização. Lembro-me de entrar aos 70 e qualquer coisa e de ter marcado quase aos 90 minutos. Há pessoas que se lembram de tudo ao pormenor, mas sou sincera e não me lembro do golo. Sei que quem marcou os outros golos foram a Maria João Xavier e a Ana Rita, que é surda-muda, não sei se sabiam. Até costumamos brincar que ela aprendeu a falar connosco. Nós conseguíamos percebê-la e ela própria, mesmo sem ouvir... Tinha outros sentidos que nós se calhar não temos tão apurados», diz-nos.

Mais do que os jogos e os momentos de cada jogo, na mente ficam retidas as pessoas. «Recordo-me das colegas com quem joguei, da selecionadora da altura, que era a Graça Simões. Antes de falarmos, tive curiosidade de ver quem é que estava nesse estágio e há algumas colegas que depois deixaram de jogar e nunca mais tivemos contacto. Sinto alguma nostalgia nesse sentido. De realçar que uma colega que jogou esse jogo faleceu na semana passada [Anabela Santos]», afirma.

Continuamos a mergulhar por esse 3-0. Que amasso! «Foi numa altura em que havia muita qualidade, mas não havia uma aposta no futebol feminino. Treinávamos três vezes por semana e juntávamo-nos na seleção, depois fazíamos treinos bidiários. A seleção espanhola... Nós éramos superiores, mas a Espanha teve uma evolução tremenda e agora são campeãs do mundo», conta-nos.

Interregno atrasou: «Estivemos atrasados uns dez anos»

Se Portugal era superior à Espanha, como é que se dá esta ultrapassagem espanhola nos últimos anos? «Aquele interregno que houve de 1983 a 1993... Quando começámos, em 1983, tivemos bons resultados. A paragem obrigou a recomeçar, mas agora estamos bem», diz-nos.

As diferenças estão aí mesmo, na aposta, no timing e na certeza com que a mesma foi feita. «Quando a seleção recomeçou, fê-lo talvez porque tinha de ser, mas não houve apoio aos clubes. Se treinávamos três vezes por semana e depois chegávamos à seleção para fazer bidiários... Não era a mesma coisa em relação a outras seleções que eram muito fortes como a Suécia, a Alemanha ou a Noruega. A Espanha não era uma potência, mas apostou e cresceu rapidamente. Quando nós apostámos a sério, também crescemos e estamos em forte crescimento, mas estivemos atrasados uns dez anos», opina.

Na visão de Paula Cristina, a entrada dos ditos grandes foi a alavanca necessária para o futebol feminino disparar em Portugal: «Desde esse jogo em 1997, começámos a melhorar, mas só começávamos a evoluir e a crescer quando os grandes apostaram. Começou pelo SC Braga, pelo Sporting e depois vieram outros. Acredito que ainda vamos continuar a evoluir.»

A conversa está perto do fim. Resta uma última questão da nossa parte: vai assistir ao jogo pela televisão ou no estádio? Porque não assistir nem sequer é hipótese. «Claro que vou [ao estádio]! Vou ao jogo na sexta-feira e depois, na terça-feira, vou a Vigo! Elas são campeãs do mundo, mas estamos lá para disputar o jogo. Acredito que vamos ganhar, mas pelo menos um ponto vamos conseguir», afiança.

O olhar de Paula Cristina, esta sexta-feira, vai estar em sintonia com o de milhares de portugueses, nas bancadas do Capital do Móvel. Espera-se casa cheia para um embate onde Portugal procura fazer aquilo que tem sido apanágio nos últimos anos: competir cada vez mais e melhor com as melhores.

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