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·31 de agosto de 2025

Santos, o primeiro brasileiro campeão da América

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Heloisa Helena, do Memorial das Conquistas

Há exatos 63 anos, no dia 30 de agosto de 1962, a América se tornava alvinegra pela primeira vez, após o Santos conquistar a Taça Libertadores, ao vencer, em algumas partidas turbulentas, o campeão das duas primeiras edições da competição: o Peñarol.


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O Santos garantiu a sua vaga nessa competição ao vencer o Bahia na final da Taça Brasil em 1961, pois na época só o campeão de cada país podia participar.  A fase inicial do torneio contava com três grupos contendo três clubes cada e foi uma etapa relativamente tranquila para o Peixe que passou com duas vitórias sobre o Deportivo Municipal, da Bolívia, um empate contra o Cerro Porteño e logo em seguida, uma goleada memorável por 9 a 1 em cima do time paraguaio.  Essa foi a maior goleada de um time brasileiro na Libertadores. Assim o Santos deixava a fase de grupos em primeiro lugar no grupo 1 e se encaminhava para a semifinal contra a Universidade Católica, do Chile.

O primeiro jogo, em Santiago, terminou com um placar apertado. Lima marcou o gol santista da partida, mas logo em seguida os chilenos reagiram e marcaram o gol do empate. Na Vila Belmiro, foi a vez do Xerife da Vila brilhar: Zito marcou o gol que colocou o Peixe na final, aproximando ainda mais o time Alvinegro da conquista da Glória Eterna.

Do outro lado do chaveamento, o Peñarol garantiu vaga direta na semifinal por ter sido o campeão da última edição do torneio, e seu concorrente foi o Nacional, também do Uruguai. O Peñarol passou pelo rival e estava em mais uma final pela terceira vez consecutiva, porém o resultado agora, seria diferente.

De forma contrária aos últimos jogos, o Peixe começou com um desfalque importante: Pelé que estava machucado e foi substituído por Pagão. A partida foi disputada no dia 28 de julho em Montevidéu e teve um começo feliz para os uruguaios, que abriram o placar com um gol aos 18 minutos de jogo. Porém o time santista não desanimou e balançou as redes aos 28 minutos. Impulsionado pelo empate, aos 15 minutos do segundo tempo, Coutinho marca mais um gol consagrando a vitória do Peixe no estádio Centenário. Sobre essa partida Coutinho comentou que viveu uma mistura de sentimentos: “Vencemos por 2 a 1, eu tive a felicidade inclusive de fazer os dois gols. Também tivemos a infelicidade de jogar sem o Pelé, mas o Pagão entrou e teve uma excelente exibição. Graças a Deus ocorreu tudo bem e vencemos a partida”.

Na Vila Belmiro, um empate já seria suficiente para a conquista do título. No dia 2 de agosto, o Peñarol novamente teve um começo animador, mas logo foi superado pelo Peixe ainda no primeiro tempo. No início da segunda etapa os uruguaios empataram e na sequência viraram, com um gol de pênalti, aos 11 minutos. A penalidade foi muito questionada por atletas e torcedores e um princípio de confusão foi iniciado, com garrafas sendo atiradas no campo. Aos 22 minutos Pagão fez o terceiro gol, empatando o jogo e animando a torcida santista. Porém não era isso que a súmula do árbitro relatava.

Enquanto torcedores comemoravam o feito do primeiro time brasileiro a conquistar a Taça Continental e os jornais expunham o Santos como campeão, a súmula de Carlos Robles entregue no dia seguinte, alegava invasões, ameaças e agressões, e afirmava que o árbitro temendo algo pior, encerrou a partida quando estava 3 a 2 para os uruguaios, considerando o restante do jogo como um “amistoso”.

Com a vitória do Peñarol, a decisão exigia mais uma partida, marcada em um campo neutro: o Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires. No dia 30 de agosto, pela primeira e única vez no torneio, o Santos entrou em campo com sua formação ideal, o chamado “Time dos Sonhos”. Com Pelé já recuperado da lesão muscular, o técnico Luiz Alonso Perez, o Lula, escalou Gylmar, Lima, Mauro e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

O Santos começou o jogo sedento pela vitória e, aos 9 minutos, quando teve a oportunidade, Coutinho dominou a bola próximo à entrada da área, fez o corte para o lado esquerdo, penetrou e bateu na saída do goleiro Maidana. O defensor Caetano tentou evitar, mas acabou marcando um gol contra.

No segundo tempo, ainda desestabilizados pela falha do primeiro gol, os uruguaios tentaram reagir, mas a sintonia entre Dorval, Coutinho e Pelé, resultou em um chute do Rei no canto esquerdo, que marcava o segundo gol da partida.

Aos 44 minutos, a torcida uruguaia se mostrava insatisfeita com o resultado e começava a abandonar o estádio, porém Pelé e Coutinho ainda brilhariam novamente. Coutinho fez um passe para Pelé, que apenas empurrou para o fundo das redes, selando a vitória histórica por 3 a 0.

Após comemorações da torcida, que invadiu o campo e até despiu Pelé, o time conseguiu se reunir para dar a sonhada volta olímpica e saudar os torcedores que vibravam em seus assentos. Também em determinado momento, o árbitro holandês Leo Horn apoderou-se da bola e apenas afirmou que ela só reapareceria na Holanda, pois para ele, a recordação era um troféu pela partida mais importante e brilhante que tinha apitado.

Coutinho terminou a Libertadores de 1962 como artilheiro da competição, ao lado de Alberto Spencer, do Peñarol, e Enrique Raymondi, do Emelec, todos com seis gols. Nas edições do torneio, Pelé é o maior goleador, entre os santistas, com 16 gols, seguido de Neymar e Robinho com 14 cada.

A conquista da Libertadores de 1962, ocorrida no Cinquentenário do clube, representa um marco glorioso para o Santos e para o futebol brasileiro. Mas para aquele time, ser o melhor da América era apenas o começo: a meta agora, era a conquista do mundo.

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