Exclusivo Glorioso 1904- Mauro Xavier pede transparência no Benfica: "Todo o dinheiro..." | OneFootball

Exclusivo Glorioso 1904- Mauro Xavier pede transparência no Benfica: "Todo o dinheiro..." | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Glorioso 1904

Glorioso 1904

·4 de abril de 2025

Exclusivo Glorioso 1904- Mauro Xavier pede transparência no Benfica: "Todo o dinheiro..."

Imagen del artículo:Exclusivo Glorioso 1904- Mauro Xavier pede transparência no Benfica: "Todo o dinheiro..."

Mauro Xavier acredita que os Sócios devem ter um maior conhecimento das movimentações do Benfica, quer a nível interno, quer externo. Em entrevista exclusiva ao Glorioso 1904, o conhecido adepto do Benfica, que apelou à transparência, fez uma breve apresentação do seu livro A Nossa Camisola, deixando ainda em cima da mesa sugestões para "devolver o Clube aos Sócios" e analisando o tema do associativismo.

Glorioso 1904 (G). No capítulo 4 do livro ‘A Nossa Camisola’ aborda o tema do associativismo. Como planeia fazer com que os Sócios se sintam “verdadeiramente parte do Clube”?


OneFootball Videos


Mauro Xavier (MX). Temos que começar só com um passo atrás, porque, em Portugal, ainda estamos numa tendência diferente da Europa e acho que isso é a riqueza do Benfica, que é o Clube é verdadeiramente tido pelos Sócios, não é dono de uma qualquer empresa. E esse é o modelo que a maioria da Europa tem. Se nós olharmos para o Reino Unido, todos os clubes do Reino Unido estão assim, em França estão assim, em Espanha a maioria estão assim, em Itália estão todos assim. Existem alguns em que os sócios ainda são donos do clube. O Bayern Munique, o Barcelona, o Real Madrid, o Benfica. Portanto, eu acho que esse é o primeiro ponto que é importante deixar claro, que essa é a nossa história e esse é o nosso futuro.

O segundo é que os Sócios devem estar no centro de tudo o que o Benfica faz e de tudo o que o Benfica põe. E uma das coisas que pode ser um sinal muito importante é termos aqui uma componente de termos um vice-presidente do Clube dedicado ao associativismo. Portanto, aqui uma mudança para o futuro, porque eu acho que os Sócios cada vez estão mais disponíveis para participar na vida do Clube. Dar um exemplo de uma das coisas que falo também no livro que tem a ver com a participação. O Benfica hoje tem um canal como a BTV, como tem os seus meios normais de comunicação. Mas quando olhamos para as redes sociais existem 5, 10, 20, 30 projetos de Benfiquistas para Benfiquistas que eu acho que deviam ser embarcados dentro das plataformas do Clube, a definir quais seriam os critérios, porque não podem ser todos os projetos ao mesmo tempo, mas, quando se atingisse um determinado nível de notoriedade e de visualizações, acho que devia haver espaço quer dentro da BTV, quer da componente dos meios do Benfica. Se o Benfica é um Clube de Sócios, acho que os Sócios deviam nas suas plataformas ter essa oportunidade de colocarmos os Sócios no centro de tudo.

Depois, é olharmos sempre para a dualidade sócio-dono e não sócio-cliente. Nós queremos atrair o máximo de benefícios para os Sócios e não para os clientes do Benfica. Nós sabemos que o Benfica tem que aumentar as suas receitas e, portanto, esse é um paradigma essencial, mas o Benfica, enquanto associativismo, tem várias outras vertentes. As nossas Casas do Benfica, que são uma das redes e uma das forças brutais, vai haver o Mundial de Clubes, o Benfica é dos poucos clubes que está no Mundial de Clubes que tem Casas do Benfica de associados nos Estados Unidos. E, às vezes, para falarmos da nossa grandeza, é importante percebermos que temos Casas na maioria dos continentes e que estamos presentes em todo lado. Mas o Benfica, diretamente, não está a apoiar as suas Casas. Ou seja, o Benfica gasta mais - o Benfica Clube, nem estou a falar da SAD, o Benfica Clube - gasta mais em juros da dívida do que gasta no departamento das Casas. Portanto uma das coisas que eu proponho também é que as Casas do Benfica possam ter 1% do orçamento do Clube. Esse 1% pode ser utilizado em coisas, como subsidiar os autocarros que permitem aos adeptos que vivem muito longe possam vir ao Estádio da Luz.

Excelente medida que o Benfica agora fez, a partir de Lisboa, permitir a quem comprou o bilhete para ir ao Porto de forma integrada. Acho que com muito facilmente, nós permitiríamos 30, 40 autocarros espalhados por vários sítios do país para vir a Lisboa ou para apoiar a equipa de onde fosse, de dois ou três pontos estratégicos de onde saísse, mas também para apoiar a vida do dia-a-dia das Casas, a decidir. Muitas das Casas é difícil terem um funcionário a tempo inteiro, portanto o Benfica financiar 50% desse funcionário pode fazer muita diferença na vida do associativismo.

Outro exemplo é a Fundação do Benfica, do qual sou muito caro. O Benfica tem uma fundação que permite apoiar aquilo que é a educação não formal, jovens em risco, desintegração, que faz um trabalho tremendo, que angaria receitas, mas o Benfica diretamente não financia a fundação com nenhuma receita direta. E era possível fazer um trabalho muito maior na nossa fundação, se o Benfica também desse outro 1%, e proponho aqui 2% do Clube, um para as casas, outro para a Fundação, para serem apoiados enquanto pôr os Sócios no centro de tudo, uma do ponto de vista de lazer e outra do ponto de vista de responsabilidade social, pormos os Sócios no centro de tudo. Ou seja, olharmos para os Sócios como os destinatários de qualquer atividade que o Clube faz e integrá-los na sua vida do Clube, através da sua rede de casas, através da sua fundação, e isto com o arco daquilo que possa ser um vice-presidente responsável diretamente pelo associativismo, que possa responder às perguntas, que possa intervir. Nós, quando vamos às Assembleias Gerais, vemos montes de coisas que os Sócios comunicam no seu dia-a-dia que fazem todo o sentido de serem resolvidas de imediato, mas parece que não existe um canal, parece que existe uma barreira de comunicação entre o problema da vida real, e eu brinco sempre que o problema número um dos Benfiquistas tem a ver com o nosso site e a nossa dificuldade em comprarmos bilhetes ou alguma falta de transparência possa existir nesse ponto. É importante nessas coisas ficar claro. Se só há 500 bilhetes que se diga que só há 500 bilhetes. Não há problema rigorosamente nenhum. Não nos ponham à espera de duas horas para sabermos que não vamos ter nenhum dos 500 bilhetes, que se aumente a capacidade, que se perceba que seja pelo número de chegada, que se clique seja sorteio aleatório.

Podemos melhorar a nossa relação com o Clube e modernizá-la em vários momentos. Faz muito sentido é abrirmos o Estádio da Luz quando jogamos fora. Imaginem no próximo domingo termos um Estádio da Luz cheio quando o Benfica está a jogar no Dragão. Fizemos um investimento tremendo a modernizar o Estádio, portanto, imaginem o que é abrir a nossa maior casa, que é o Estádio da Luz, num dia de jogo fora.

É uma das coisas que eu acho que poderia dinamizar muito também a nossa vida. É não ver o Benfica só de 15 em 15 dias, naquilo que é o futebol, porque existem modalidades, mas, ao trazer estas pessoas para o Estádio, e sabemos que o estádio está aberto, vai permitir dinamizar todo o resto da vivência do Benfica.

G. Como pretende devolver o Clube aos Sócios?

MX. Acho que o Benfica pode aproximar um conjunto de decisões e de componentes mais próximo dos Sócios e garantir que a vivência dos Sócios é melhor incorporada rapidamente no feedback do dia-a-dia do Clube. E essa é a preocupação, é garantir que os Sócios fazem isso. Mas se nós quisermos falar em devolver o Benfica aos Sócios, o Benfica tem a maioria dessa parte e os Sócios têm a maioria do Clube.

Portanto, o Benfica é dos Sócios e quero deixar isso bem claro que às vezes há aqui alguns chavões que eu não sou totalmente a favor. Acho que precisamos de encontrar outros acionistas, mas isso não tem a ver com o pilar do associativismo, tem a ver com outros pilares. Este é um pilar diferente, tem a ver com a vivência do Sócio, porque pequenas coisas se foram perdendo como aquilo que era o antigo departamento de Sócios. E eu sei que estamos num mundo global e que cada vez mais vamos tratando de coisas pelos vários canais que existem disponíveis, mas às vezes há situações não-standard que é preciso dar feedback, que é preciso resolver, que é preciso tratar e que não é fácil ou aceder à informação ou saber quem possa tratar. Eu acho que se perdeu essa humanização de termos alguém do outro lado que possa conhecer mais do que seja só um atendedor de contact center, ou até alguém que nos está a tentar vender um produto. Acho ótimo quando sai a merchandising novo que partilhem com os Sócios, mas também gostava quando existe um problema maior que a linha do Benfica pudesse ir a um nível um bocadinho mais de profundidade e que, em limite, no Estádio, nós conseguíssemos resolver isso de uma forma mais eficaz. Tem a ver com essa vivência.

Nós dizemos sempre que o Benfica joga em casa quando joga fora. Há muito poucos clubes e todos os jogadores que passam pelo Benfica, quer das modalidades, quer do futebol, dizem isso. O Benfica liberta uma paixão tremenda e acho que quanto mais puder incentivar e disponibilizar essa paixão, estamos todos mais perto de aquilo que queremos.

Mauro Xavier - Garantir que a vivência dos Sócios é melhor incorporada rapidamente no feedback do dia-a-dia do Clube

G. Como vê o papel dos Sócios nas decisões estratégicas do clube?

MX. Acho que temos de dividir aqui duas componentes, porque a razão por qual criámos uma SAD foi para poder profissionalizar. Ou seja, o Benfica são duas coisas ao mesmo tempo. É uma empresa e é uma associação. E essa dualidade muitas vezes não é bem compreendida pelos Sócios o que é que é uma coisa e o que é que é outra. Porque nós não podemos ter os Sócios a quererem decidir em Assembleia Geral se vamos contratar o jogador A ou jogador B, se vamos dispensar o jogador A ou jogador B. Portanto, há aqui um limite sempre daquilo que é a participação. Estou a dar este exemplo propositadamente para percebermos o limite máximo do outro lado.

Não é possível gerirmos uma organização profissional e depois de ser uma decisão referendada em permanente sobre as decisões. Aqui o critério fundamental chama-se de transparência. E a transparência é garantir que tudo o que se faz, os Sócios têm acesso o mais rapidamente possível e que podem estar informados sobre o assunto. Deixando aqui o exemplo clássico que se luta há muito tempo e que, embora tenha havido o compromisso, ainda não está espelhado nos nossos relatórios. Porquê que os Sócios não hão de saber quanto é que se gasta no nosso orçamento por modalidade? Ter só a exemplificação de quanto é que se gasta no voleibol, no andebol, no masculino e no feminino. Tudo bem que haja uma rubrica que diga que são modalidades, parte comum, porque percebo que haja só um departamento médico que é alocado a todos. Mas depois há o custo das equipas de cada um dos lados. E, portanto, eu acho que essa aproximação é feita com mais transparência.

A transparência é um critério que eu digo sempre, não é demais, ou se tem ou não se tem. E muitas das vezes dizemos que estamos a cumprir as condições legais obrigatórias. Tem a ver mais do que as condições legais obrigatórias. É partilhar as decisões que a estrutura profissional faz ou que a estrutura associativa faz o mais rapidamente possível com os Sócios. Portanto, para mim, tem muito a ver com esse critério de disponibilizar informação o mais rápido possível de forma organizada para que os Sócios possam se sentir descansados, que todo o dinheiro que o Benfica tem é bem gasto e é bem utilizado e com isso estaremos mais perto de vencer, que é isso que os Sócios querem.

G. Enquanto Clube, quais devem ser as prioridades do Benfica?

MX. Não há outra prioridade a não ser vencer no futebol e nas modalidades. Portanto, o Benfica é um clube que se mede o seu sucesso pelo número de troféus, em Portugal e internacionalmente. É esse o objetivo. E depois, gosto de dizer que nós, no nosso símbolo, nascemos com uma roda de bicicleta, somos um clube eclético e tenho muito orgulho no nosso projeto olímpico. Fomos um dos clubes que, em Paris, há cerca de um ano, tivemos mais atletas com o emblema de um clube e não de um país. Sendo embora uma competição de países, nós fomos um dos clubes que mais contribuiu com praticantes nas diversas modalidades. Portanto, eu acho que é isso mesmo que o Benfica tem que garantir, que pode participar para ganhar e com a ambição de ganhar em todas as modalidades que faz.

O que eu acho que é importante introduzir é critérios a priori do que é que é sucesso. É uma coisa, por vezes, muito pouco portuguesa. Depois no final, dizemos o que quer que aconteceu, foi um resultado positivo. Eu gostava muito mais que se dissesse a priori. Para mim considero um resultado extraordinário se ganhar quatro campeonatos em quatro. Toda a gente percebe. E considero um resultado bom se ganhar dois em quatro. Se ganhar um em quatro ou zero em quatro, acho que é negativo. Acho que isso não há problema nenhum. Toda a gente sabe que as pessoas vão tentar ganhar todos. E é isso que o Benfica quer, é ganhar todos e ganhar sempre. Mas nós depois temos que ter aqui um critério também para avaliar quando é que as coisas não correm tão bem assim.

O mesmo se passa com qualquer contratação que se faz no Clube. Uma das coisas que tive a oportunidade de aprender, e que achei muita piada, foi que, por exemplo, o Liverpool paga prémios ao seu departamento de scouting se um jogador que for contratado for titular nos dois anos seguintes 50% dos jogos. Portanto, tem um critério a priori, ou seja, estabelecem a priori o que é sucesso. E acho que esse é o nosso próximo passo que fica muito ligado com o que falámos há bocado, que tinha a ver com a transparência que é comunicarmos dois elementos. Ou seja, nós a finalidade estamos todos de acordo que é ganhar. E depois temos que atribuir aqui duas coisas adicionais, que é: qual é a barreira mínima e como é que lá se chega. Ou seja, que medidas é que vamos tomar para que estejamos mais próximos de entrar. Sendo o futebol a indústria de colocar a bola na baliza e ela muitas das vezes podendo bater na barra ou ir ao lado, até esse momento tudo tem que ser feito independentemente de a bola entrar ou não.

Digo sempre que quando o Benfica ganha nem sempre tudo está bem e quando o Benfica perde nem sempre tudo está mal. Portanto, há aqui um trabalho que é visto, que deve ser sempre balanceado das duas formas.

G. O Benfica é, ao dia de hoje, e a par do Bayern Munique, o Clube com mais Sócios do Mundo, cerca de 400 mil. Qual a sua estratégia para que este número continue a crescer?

MX. Um clube alemão terá sempre vantagem versus um clube português relativamente à sua base, mas eu acho que enquanto houver um Benfiquista que não é Sócio, nós temos a ambição de poder crescer. Acho que há aqui três ou quatro elementos que vão ser muito importantes para garantir que as pessoas sentem a atração por poder ser Sócios. Dois ou três exemplos que me parecem óbvios e objetivos: tendo o nosso Estádio uma capacidade finita de lugares, nós temos que começar a criar a ideia de uma ideia de Red Pass virtual. Criar aqui um conceito com as novas tecnologias e não estou a falar de uma transmissão normal, mas de podermos passar a ter experiências mais imersivas para os Sócios poderem estar perto das suas equipas de futebol. Também ao ponto daquilo que são os seus conteúdos. Eu gosto de ver conteúdos do Benfica quando nós ganhamos, gosto muito, mas também gosto de ver quando não ganhamos. E, portanto, permitir cada vez mais estarmos próximos de conteúdos específicos para Sócios e para os associados é que vai permitir essa atração e esses benefícios. Eu acho que o Benfica faz um excelente trabalho naquilo que são os benefícios do Mais Vantagens, ou daquilo que são os benefícios enquanto Sócio, mas há aqui duas vertentes que são obrigatórias, que é o acesso a conteúdos e o acesso a merchandising. E, portanto, esses são os dois pontos que eu acho que o Benfica tem espaço para melhorar.

Digo sempre isto de forma inequívoca. Acho que há sítios em que o Benfica continua a ir a um ritmo bom. A angariação de Sócios é claramente um exemplo que acho que tem corrido bem. Estamos a angariar Sócios a uma velocidade muito boa e, portanto, se conseguimos manter o que está a ser feito, com pequenas melhorias, nós vamos acrescentar mais 100 mil Sócios nos próximos 5 anos. E, portanto, esse é um caminho que está bom. Fico mais preocupado naquelas coisas como as transmissões televisivas em que dizemos, já se chegou ao fim, já não conseguimos crescer estas receitas. E aí sim vamos ter que reinventar e fazer coisas diferentes. Portanto, acho que a divulgação da honra do que é ser Sócio, dos benefícios dos Sócios, e provavelmente conseguir criar aqui o conceito mais do que o Sócio correspondente, eu gostaria de lançar aquilo que é o Sócio imigrante, ou Sócio não português, ou Sócio fora de Portugal, porque acho que vivem o Clube de forma bastante diferente e que precisam quer de uma quota diferente, mas de uma proximidade do Clube. Portanto, acho que esse é um público-alvo que nós vamos precisar, juntamente com a internacionalização das nossas escolinhas do Benfica, para chegar a outros públicos.

Temos a conversão dos Benfiquistas em Sócios e depois temos a atração de não Benfiquistas ou de não nascidos Benfiquistas numa paixão que os leve a quererem ser identificados com o Benfica. Hoje está a ser criada a categoria de adepto, eu acho que precisaríamos de aqui alguma coisa mais forte do ponto de vista de marketing, mas esse é o caminho.

Ver detalles de la publicación