Jogada10
·29 de agosto de 2025
Ciúmes, invasão e duplo homicídio: pai de atleta do Palmeiras é condenado a 14 anos de prisão

In partnership with
Yahoo sportsJogada10
·29 de agosto de 2025
Sebastião Tomé Gomes, de 61 anos, recebeu nova sentença do Tribunal do Júri do Distrito Federal nessa quinta-feira (28) e foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado pelo crime de homicídio duplo. O pai do atacante Felipe Anderson, do Palmeiras, foi detido depois da leitura da sentença e deve cumprir a condenação de imediato.
A análise do caso se arrastava desde 2015 e terminou com quatro votos favoráveis à condenação e três pela absolvição — margem considerada apertada pela defesa. Com o resultado, o réu foi responsabilizado pelo atropelamento que matou duas pessoas na QC 01 de Santa Maria, região administrativa do Distrito Federal, há mais de dez anos.
Fernando Anderson defendia a Lazio, da Itália, à época do crime e evitou falar publicamente sobre o episódio. Por meio de assessoria, se limitou a dizer que estava abalado com o caso. O meia revelado pelo Santos também passou por West Ham, da Inglaterra, e Porto, de Portugal, antes de assinar com o Palmeiras em 2024.
O caso julgado envolve um episódio violento com pano de fundo emocional. De acordo com a acusação, Sebastião mantinha um conflito com Bruno Santos da Silva, de 30 anos, por causa de Salmeriza Alves Pugas — envolvida com ambos.
Até que no dia 12 de janeiro de 2015, Sebastião decidiu perseguir e atropelar Bruno, por volta das 3h, em Santa Maria. De acordo com a análise, o pai de Felipe Anderson jogou seu carro contra a moto da vítima e o prensou contra o muro de uma casa.
Como resultado da colisão, o carro de Sebastião invadiu a residência e atingiu fatalmente Noêmia Caldeira Gomes, de 61 anos, que dormia em um dos quartos. A mulher não tinha qualquer envolvimento no caso, mas também morreu na hora.
Felipe Anderson ao lado do pai em publicação antiga nas redes sociais – Foto: Reprodução
O teor emocional do caso ganhou ainda mais relevância após as investigações incluírem trocas de mensagens entre o condenado e Salmeriza. Em trechos extraídos de conversas do celular pessoal, Sebastião fazia referências ameaçadoras contra Bruno.
“Vou arrumar uma arma”, “Quero dar uns tiros nele”, “Vou chamar uns amigos” e o “Corno está ai?” constavam entre as mensagens trocadas pelo casal. A última interação ocorreu às 3h11, minutos após o crime, escrito: “Matei”.
Ainda em 2015, Sebastião desmentiu o ato intencional à Polícia Civil do DF: “[Foi] acidente. A pista acabou, tinha uma bifurcação…”, declarou à época.
Sebastião chegou a ficar detido na mesma semana do crime, mas permaneceu em liberdade ao longo da tramitação judicial devido ao alvará obtido junto à Justiça do DF. Em 2023, a defesa conseguiu anular a condenação anterior e forçar um novo julgamento — mantendo-o, portanto, fora da prisão.
Já a nova audiência, realizada nesta semana, não só confirmou a condenação como determinou o início imediato do cumprimento da pena.
Bem como à época do crime, Felipe Anderson se manteve, ao menos por ora, em silêncio. Não há qualquer pronunciamento oficial por parte do atleta, que segue em compromissos com o Alviverde.
Já a defesa de Sebastião reagiu com surpresa e indignação à decisão da Justiça do DF. Logo após a leitura da nova sentença, representantes do condenado alegaram se tratar de uma prisão prematura e vão recorrer.
“A decisão de ontem por 4 a 3 bem demonstra a dúvida no caso. Sua prisão no momento é desnecessária e injusta. Recorreremos aos tribunais para reverter essa decisão”, declarou a defesa em nota oficial.
En vivo