Zerozero
·26 February 2025
Que todos os castigos sejam estes
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·26 February 2025
Castigo máximo. A expressão é vulgarmente utilizada em alusão à grande penalidade, a maior punição que uma equipa pode sofrer no capítulo das faltas. Mas para Portugal, que todos os castigos sejam estes. Foi da marca dos 11 metros que as Navegadoras marcaram a diferença para vencer, esta quarta-feira, a Bélgica (0-1). No frio de Leuven, Portugal aqueceu os pés com o conforto da liderança - à condição - do Grupo 3 da Liga A e o coração com o desbloquear de mais um marco histórico: com apenas duas jornadas realizadas, esta já é a melhor prestação de sempre de Portugal na elite da Liga das Nações.
O resultado é altamente positivo, ainda que a exibição tenha muitas questões a apontar. As condições climatéricas e a valia das adversárias seriam sempre desafios que a equipa orientada por Francisco Neto teria de contrariar. E contrariou, mas não sempre com brilhantismo.
A primeira parte foi particularmente difícil para as jogadoras portuguesas. A seleção lusa apostou no jogo mais direto e à procura dos ataques à profundidade de Diana Silva e Jéssica Silva. Resultou nos primeiros minutos, até para sacudir a pressão inicial de uma Bélgica que procurou dominar o jogo com bola, mas rapidamente se tornou previsível. As belgas ajustaram e os constantes lançamentos longos portugueses tornaram-se, maioritariamente, em ofertas de posse de bola às opositoras. Francisco Neto pedia calma a partir do banco, mas a indicação teve efeito retardante e só na segunda parte se fez sentir.
Até lá, Portugal sofreu com as diabruras de Hannah Eurlings perante Catarina Amado - a ala saiu lesionada pouco antes da meia hora, mas passou mal até então - e com a dinâmica no flanco direito entre Jarne Teulings, mais por dentro e recuada para oferecer a possibilidade de passe vertical às centrais, e Jill Janssens, que leu sempre muito bem as movimentações da companheira de flanco e desequilibrou com contra-movimentos que, aliados a erros posicionais de Joana Marchão, criaram problemas a Portugal.
Às dificuldades defensivas aliou-se a incapacidade para conseguir segurar a bola e impedir o constante perde-recupera-perde e os primeiros 45 minutos foram difíceis. Mas mesmo na dificuldade, a melhor oportunidade de golo foi portuguesa e teve assinatura de Marchão, que acertou no poste, aos 11 minutos. As belgas, apesar do maior domínio, revelaram problemas na definição.
A segunda parte começou praticamente com o golo português. Jéssica Silva ganhou a linha de fundo e cruzou para o corte com o braço de Amber Tysiak, aos 50 minutos. Da marca de grande penalidade, Carole Costa - sempre ela nos momentos históricos - não tremeu e fez mexer o marcador.
O golo trouxe confiança ao coletivo português e maior segurança com a bola. Diana Silva ofereceu mais apoios frontais do que movimentos de rotura e ligou-se melhor com Andreia Jacinto e Andreia Norton, que passaram a ter mais bola no pé e a ditar os ritmos do jogo português. A equipa belga acusou o golo sofrido, tornou-se mais precipitada e os nervos são inimigos do discernimento, pelo que os erros começaram a surgir com maior frequência na Bélgica.
Em vantagem, confiante e por cima do jogo até na questão emocional, Portugal trancou a baliza de Patrícia Morais a sete chaves. Os momentos perigosos das Red Flames resumiram-se a lances de bola parada e ao jogo aéreo, mas pelo meio houve um lance que gerou muitos protestos: Eurlings caiu na área em disputa com Ana Borges, por volta do minuto 70, e pareceu existir margem para ser assinalada grande penalidade, mas a equipa de arbitragem assim não entendeu.
Exibição em crescendo - segunda parte bastante melhor que a primeira - e competitiva da parte de Portugal, ainda que sem brilhantismo em vários momentos. O futebol nem sempre permite jogar bem, mas destas vitórias também se fazem as equipas vencedoras e a seleção lusa é líder, à condição, do Grupo 3 da Liga A com quatro pontos. Quatro pontos que já superam os três conseguidos em 2023/24 e que marcam a melhor prestação de sempre de Portugal na prova.