Jogada10
·29. August 2025
Botafogo de Davide Ancelotti é um time camaleônico no ataque

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Em constante mutação, o Botafogo de Davide Ancelotti ainda busca uma identidade, sobretudo do meio para frente. Afinal, em uma semana, o treinador montou o ataque de três formas diferentes. Contra a LDU, em Quito, pela Libertadores, o Glorioso foi a campo sem referência, com o meia Savarino atuando de falso 9, função, aliás, que o ponta Nathan Fernandes, outro jogador sem o cacoete da posição, havia desempenhado, antes, contra o Palmeiras, no Estádio Nilton Santos, pelo Brasileirão. Ainda pela liga nacional, no domingo (24), contra o Juventude, em Caxias do Sul, o italiano lançou Cabral como centroavante. Na quarta-feira (27), em São Januário, pela Copa do Brasil, contra o Vasco, o jovem comandante meteu o espanhol Chris Ramos ao lado do camisa 98. Assim, iniciou o clássico com dois homens na área.
“Se eu não tenho centroavantes, tenho que jogar sem centroavantes. Se o Cabral não treina a semana inteira e só tenho o Savarino disponível, que pode atacar em profundidade, então, temos que jogar, claramente, um jogo mais vertical. Não tínhamos uma referência ofensiva. Não é fácil, sem treinos, jogando acho que 13 partidas em pouco mais de 35 dias. Complicado”, argumentou Ancelotti, sobre a falta de uma identidade para o setor.
Savarino de falso 9 é uma ideia exclusiva de Davide Ancelotti – Foto: Vitor Silva/Botafogo
O técnico europeu, no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores, até tinha um “9” 100% à disposição para deixar a equipe menos camaleônica. Mas o treinador já demonstrou que não conta com Mastriani. Tanto que o clube carioca foi à Espanha e reforçou o elenco com um jogador da Segunda Divisão daquele país.
Davide Ancelotti ficou com a imagem do fim do 3 a 1 sobre os gaúchos na cabeça, quando Ramos entrou na segunda etapa, se posicionou ao lado de Cabral e resolveu o cotejo com dois gols. Na Colina Histórica, parecia que Ancelottinho tinha, enfim, encontrado a forma ideal de formar o ataque do Mais Tradicional. Em sete minutos, duas ocasiões claras pelo alto. Na segunda, Cabral colocou, então, lá dentro, com uma cabeçada de almanaque. Um gol que poderia abrir caminho para uma vitória tranquila sobre um rival em crise.
“Gostei da última meia hora contra o Juventude. Acho que eles combinaram bem os movimentos. Contra o Vasco, foi mais uma questão tática, porque, na pressão deles, nesse campo, era importante ter uma saída de bola um pouco mais direta e contar com os atacantes ajudando nos primeiros minutos para não ter perdas de bolas, que, neste momento, nos atrapalha. Começamos com uma ideia de cruzar”, explicou o italiano.
No entanto, com o passar do tempo, sem um “10”, com dois pontas e erros primários da dupla Danilo/Freitas, a formação virou faca de dois gumes. O Vasco se aproveitou das fragilidades defensivas do Botafogo, empatou pouco depois e tomou conta do meio de campo, enquanto o Glorioso, com um ataque pesado, não encontrava meios de chegar à frente. O time da casa, superior, teve bola na trave e chances mais claras de virar. O Alvinegro só conseguiu esfriar a partida e ficar com a bola a partir da entrada de Savarino, quase na metade da etapa final, no lugar de Ramos, além do cansaço do adversário.
Uma das razões pelas quais Davide Ancelotti não consegue implementar um DNA ao Botafogo é o fato de o time estar constante remontagem no meio da temporada. Diante deste cenário, o técnico tem quase um mantra: a palavra “adaptação” para justificar algumas controvérsias e alterações na forma de jogar.
Ancelotti quebra a cabeça para encontrar soluções no Mais Tradicional – Foto: Vitor Silva/Botafogo
“Preciso adaptar o elenco e o adversário. Mas a ideia que temos que manter é a de sermos um time que joga em ritmo alto, que faz transições rápidas e que, se tivermos a possibilidade de sair jogando com qualidade, devemos buscar isso a todo momento”, colocou Ancelottinho.
O Botafogo volta a campo neste sábado (30), às 18h30, contra o Red Bull Bragantino, pela 22ª rodada desta edição do Campeonato Brasileiro. Ramos cumpre protocolo de concussão e está fora. Mais uma vez, portanto, o Glorioso terá uma configuração diferente no setor ofensivo. Chance para novas adaptações.
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